Sócio de "menino" de Dilma é alvo da 26ª fase da Lava Jato


GABRIEL MASCARENHAS - Folha.com

Dilma e Anderson Dornelles, o "menino", sócio de Douglas Franzoni, suspeito de receber propina da Odebrecht

A Polícia Federal cumpriu mandado da condução coercitiva, nesta terça-feira (22), do empresário Douglas Franzoni, suspeito de receber propina da Odebrecht. Ele é sócio do ex-assessor da presidente Dilma Rousseff Anderson Dornelles, que deixou o cargo em fevereiro deste ano.

O relatório da PF relativo à 26ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça, revela indícios de que o departamento responsável pelo pagamento das propinas da empreiteira repassou R$ 50 mil a Franzoni, como mostra uma planilha apreendida pelos investigadores.

A entrega do valor, de acordo com a Polícia Federal, teria ocorrido em novembro de 2014, num endereço residencial em Brasília.

Franzoni é sócio de Anderson Dornelles, que por mais de uma década foi o assessor mais próximo de Dilma, no Red Bar, empreendimento instalado dentro do estádio do Internacional, o Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).

Assim como o parceiro de negócios, Franzoni também ocupou cargos no governo federal, todos comissionados. Passou por funções auxiliares na Casa Civil da Presidência da República em 2005, no Ministério de Minas e Energia em 2008 e na Agência Nacional de Transportes Terrestres em 2009.

"Há um registro de possível entrega para a pessoa de Douglas para o endereço na Asa Norte [...], com indicação da obra DP-ODB e responsável HS (possivelmente indicando o executivo Hilberto Silva), no dia 04/11/2014, no valor de R$ 50.000,00", resume a Polícia no relatório.

POLÊMICA

Não é a primeira vez que o Red Bar causa problemas aos seus donos. Anderson Dornelles, que não esteve na mira da operação deflagrada mais cedo, saiu do governo após circular informações de que o nome dele poderia aparecer na delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez.

O grupo empresarial fez a reforma e administra parte do estádio Beira-Rio, onde funciona o bar de Dornelles e Franzoni. A Andrade Gutierrez é uma das empresas acusadas de integrar o cartel que atuava nas obras da Petrobras.

Anderson Dornelles conheceu a presidente Dilma quando tinha 13 anos, no Rio Grande do Sul. Chamado por ela de "o menino", tornou-se uma das pessoas de maior confiança da petista e era quem carregava o iPad e o celular presidencial.

Ele pediu exoneração no em fevereiro, argumentando que iria se casar.

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