Haddad concluirá mandato sem cuprir promessas


ARTUR RODRIGUES - FOLHA.COM


Cerca de 150 creches, dois hospitais, 115 km de corredores de ônibus, uma ponte sobre a marginal Tietê, 25 mil unidades habitacionais.

As obras fazem parte da lista de promessas do prefeito Fernando Haddad (PT) que não devem ser entregues até o fim do mandato dele neste ano, conforme levantamento feito pela Folha com base no estágio atual de execução.A gestão Haddad justifica atrasos citando a falta de repasses de verba federal, congelamento da tarifa de ônibus (em 2013) e suspensão por um ano do reajuste do IPTU.Após três anos de mandato, há obras que ainda não foram nem mesmo licitadas, muitas delas na periferia, base eleitoral do prefeito.

Um dos compromissos mais cobrados nos extremos da cidade, a construção de novas creches está muito aquém da meta. Haddad prometeu 243 unidades, mas só entregou 34 até agora e tem 57 em obras -no final do mandato, cerca de 150 ainda não devem estar prontas.

Dos 20 CEUs (Centros Educacionais Unificados), uma marca petista, só um foi entregue. Se o cronograma for cumprido, outros oito devem sair em 2016, mas em dezembro, depois das eleições.

"O que a população sente mais de uma gestão é a ausência da gestão, que pode se traduzir, por exemplo, na falta de creche, que ele [Haddad] prometeu resolver", afirma o cientista político da FGV Marco Antonio Teixeira.

Para Teixeira, a mudança do cenário econômico depois da apresentação das metas não deve sensibilizar o eleitor. "O prefeito vai ter problema sério para explicar o programa de metas."

Após os protestos de junho de 2013, Fernando Haddad voltou-se para a área da mobilidade. Houve avanços com a criação de 390 km de faixas exclusivas, mais que o dobro da meta, e ciclovias.

No entanto, não saiu do papel a absoluta maioria dos 150 km de corredores, meta mais importante da área -e alternativa mais veloz, confortável e com maior capacidade de transporte de passageiros do que as faixas exclusivas.

"Se a gente tivesse 150 km de BRTs [tipo de corredor], estaria falando em atender 1,5 milhão de clientes por dia com transporte de alta qualidade", diz o consultor em mobilidade Horácio Figueira.

Atualmente, a prefeitura está em processo de finalização da entrega de 35 km de corredores -parte dos quais já existiam e estão sendo requalificados, como o da avenida Inajar de Souza (zona norte). As obras dos demais trechos não começaram.

Alguns atrasos se devem a licitações travadas pelo Tribunal de Contas, que é acusado pela gestão Haddad de agir politicamente em certos casos. Para Figueira, se a gestão tivesse esmiuçado eventuais obstáculos para o prosseguimento das licitações junto ao órgão, poderia ter tido menos problemas.


HABITAÇÃO

Com os cortes no programa federal Minha Casa, Minha Vida, a prefeitura não deve entregar quase metade das 55 mil unidades prometidas.

Até o momento, são 8.348, parte delas feitas por entes privados com aporte de verba municipal. Para Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e colunista da Folha, a prefeitura poderia ter cobrado, no caso das obras feitas pela iniciativa privada, unidades mais bem acabadas e menos afastadas do centro.

"A política habitacional acabou sendo marcada por três anos de um secretário afinado com o setor da construção [José Floriano de Azevedo Marques, do PP, substituído em novembro], que não mudou a lógica habitacional da cidade", diz. O substituto, o arquiteto João Sette Whitaker Ferreira, é mais afinado com os movimentos.

O prefeito terá mais o que mostrar na saúde, com a possibilidade de entregar dois hospitais na zona sul -há sete anos nenhum é inaugurado na cidade. Dois outros, previstos, não devem ser concluídos a tempo. A construção da maioria das UBS (Unidades Básicas de Saúde) também está atrasada.


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