Governo de SP pede aval da Anvisa e liberação da fórmula para testar 'pílula anticâncer'


Felipe Souza - Folha.com

O secretário de Estado da Saúde, David Uip e o govovernador Geralso Alckmin

O governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (17) que está se preparando para testar a "pílula anticâncer, como ficou conhecida a substância fosfoetanolamina. Para isso ocorrer, porém, é necessária a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a liberação da fórmula de pesquisadores da USP São Carlos.

Um protocolo para solicitar o início dos testes, elaborado pelo Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), já foi encaminhado para a Anvisa. O documento também foi entregue aos pesquisadores que desenvolveram a substância para que eles passem a fórmula para o governo produzir o medicamento para testes.

A intenção do governo é fabricar a pílula no laboratório da Furp (Fundação para o Remédio Popular), do Estado, em quantidade suficiente apenas para suprir a necessidade dos pacientes que participarão dos testes. Os criadores da fórmula também foram chamados pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para participar de todos da pesquisa e acompanhar o desenvolvimento e reações dos pacientes ao longo do tratamento.

O secretário de Estado da Saúde, David Uip, afirmou que está preparado para começar os testes imediatamente. "Inicialmente, serão 210 pacientes de dez grupos diferentes de câncer. Se a medicação se mostrar ativa e os pacientes se beneficiarem, dobramos esse número", afirmou.

Os dez grupos de tumores selecionados para iniciar os testes são: pescoço, pulmão, mama, cólon, intestino, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. Eles serão feitos nos hospitais estaduais AC Camargo (capital), Barretos, Jaú e no Icesp.

As pessoas escolhidas para participar dos testes serão aqueles em estado avançado da doença e devem obedecer critérios técnicos, como não ter sido diagnosticado como paciente em estágio terminal. O médico responsável pelo estudo, Paulo Hoff, explicou que isso ocorre para que a eficácia evolutiva do tratamento possa ser avaliada ao longo do tratamento.

O governo não informou quantas doses cada paciente vai tomar durante o tratamento, mas disse que será a mesma já recomendada pelos pesquisadores da USP e já usada por milhares de pessoas.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 17/12 - Francisco Morato/SP


AGENDA DO GOVERNADOR

O governador Geraldo Alckmin participa nesta quinta-feira, 17, da entrega de 300 apartamentos do Residencial Recanto Feliz. O empreendimento foi construído por meio dos programas Minha Casa, Minha Vida e Casa Paulista.

Evento: Entrega de 300 apartamentos do Residencial Recanto Feliz
Data: Quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Horário: 15h
Local: Rua José Ortiz Sanches, 30 - Francisco Morato/SP

Áudio de líder das ocupações de escolas ordena uso de menores contra Oficiais de Justiça



Gravação de áudio revela suposta orientação de liderança a estudantes


Marcelo Andrade - Jornal Cruzeiro do Sul


Esta coluna teve acesso com exclusividade a uma gravação de áudio que teria sido encaminhada por líderes das ocupações das escolas estaduais aos estudantes que fazem parte do movimento. Nela, uma das supostas líderes, que seria ligada aos professores que aderem à ocupação, passa diversas orientações aos alunos sobre como devem proceder durante visitas de oficiais de Justiça para notificação judicial da desocupação das escolas. A suposta liderança orienta que os professores saiam das escolas e deixem só os alunos nas unidades, com a ressalva de que somente alunos menores de 18 anos devem recepcionar os oficiais de justiça. E orienta para que esses alunos adolescentes não assinem nenhum papel nem forneçam qualquer identificação pessoal, seja de idade, documento, nomes dos pais ou local onde mora. 

Ouça o áudio no site do Jornal Cruzeiro do Sul:
Gravação de áudio revela suposta orientação de liderança a estudantes

Não parem! - No áudio, a voz misteriosa -- que, até ontem, não havia sido identificada formalmente -- pede para que os alunos não ofereçam resistência durante abordagens. E pede, em tom de estímulo, que os estudantes não paralisem o movimento. "Vamos caçar essa liminar, em São Paulo", promete, referindo-se à ordem para desocupação das escolas.

Ganhando tempo - A suposta líder do movimento afirma aos estudantes, por fim, que o comando do movimento teve reuniões com a PM, OAB e Defensoria Pública. Esta última, informa ela, garantirá apoio caso haja algum problema com algum estudante. Isso tudo para, segundo ela, ganhar tempo até derrubar a liminar. 

PF investiga fraude de R$ 180 mi no fundo de pensão dos Correios


Folha.com


A Polícia Federal faz operação nesta quinta-feira (17) para investigar fraudes na gestão de recursos do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, que podem chegar a R$ 180 milhões.

São cumpridos sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, em Belém (PA) e em João Pessoa (PB), além de um mandado de prisão.

De acordo com a PF, o mandado de prisão é contra Fabrizio Neves, ex-gestor dos fundos de investimento de recursos do Postalis que estaria vivendo nos Estados Unidos. Ainda segundo a PF, ele requereu passaporte italiano em Miami e há dois meses viajou para a Espanha.

Como o investigado não foi localizado, seu nome foi incluído na lista vermelha de procurados internacionais da Interpol. As polícias americana e italiana, além da Interpol, trabalham em cooperação com a PF para prendê-lo.

Na operação, foram bloqueados imóveis dos investigados, visando futuro ressarcimento dos prejuízos causados aos fundos.

"O inquérito policial foi instaurado em 2012 e identificou que dois fundos de investimentos do Postalis, contendo mais de R$ 370 milhões em recursos aplicados, foram geridos de forma fraudulenta. As transações eram ordenadas por uma administradora de valores com sede em São Paulo, porém, executadas na cidade de Miami, nos Estados Unidos", informou a PF.

A PF afirma que uma corretora americana comprava títulos do mercado de capitais, que os revendia por um valor maior para empresas com sede em paraísos fiscais ligadas aos investigados. Depois, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis, com aumento ainda maior no valor do título.

"Assim, em um período de poucos dias e, sem justificativa, a aquisição era feita por um preço mais de 60% maior do que o real valor de mercado", diz a PF.

Os mandados de busca visam localizar novas provas e identificar o destino dos recursos desviados. Os investigados poderão responder por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, apropriação de recursos de fundos e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão.

A operação chama-se Positus 1. Positus é o nome dado aos postos de correio situados ao longo dos caminhos para dar descanso a mensageiros

Cerveró diz que pagou US$ 6 milhões em propinas para Renan e Jader


Em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, ex-diretor de Internacional da Petrobrás afirma que dinheiro foi repassado em 2006 e que senador Delcídio Amaral (PT/MS) recebeu US$ 800 mil

ANDREZA MATAIS, JULIA AFFONSO E FERNANDA YONEYA - ESTADÃO

Jader Barbalho (à esq.) e Renan Calheiros. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional) – preso desde janeiro na Operação Lava Jato – afirmou em delação premiada na Procuradoria-Geral da República que pagou propina de US$ 6 milhões aos senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), ambos do PMDB, em 2006. Na ocasião, o senador Delcídio Amaral (PT/MS) recebeu cerca de US$ 800 mil. Cerveró disse que pagou propina em troca de apoio político para permanecer no cargo.

Segundo Cerveró, quem intermediou o pagamento desses valores foram os lobistas Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, e Jorge Luz, apontados como operadores de propinas do PMDB. “Que o declarante havia se comprometido com o PMDB, nas pessoas de Jader Barbalho e Renan Calheiros, a efetuar o repasse de US$ 6 milhões para a campanha de 2006″, registrou a Procuradoria-Geral da República.

Cerveró fechou acordo de delação dia 18 de novembro. Ele é o pivô da prisão de Delcídio, ocorrida no dia 25 de novembro. Com medo das revelações do ex-diretor da Petrobrás, o petista, ex-líder do governo no Senado, teria tramado barrar a Lava Jato. Seu plano consistia em financiar com o banqueiro André Esteves – que também foi preso – a fuga de Cerveró para a Espanha.

O ex-diretor da Petrobrás foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro. Acuado, com remotas chances de obter habeas corpus, Cerveró decidiu fazer delação.

Ele afirmou que os US$ 6 milhões destinados a Renan e Jader, além da parte de Delcídio, foram retirados de duas fontes: 1) o saldo da propina referente à contratação da sonda Petrobrás 10.000, “resultado da diferença entre o valor ilícito total cobrado e o montante efetivamente reservado a funcionários da Petrobrás e a Fernando Baiano”; 2) um adiantamento de propina referente à contratação da sonda Vitória 10.000, feito pelo lobista Julio Camargo, no valor de US$ 2 milhões.

“A parte mais substancial dessas propinas foi repassada ao PMDB nas pessoas de Jader Barbalho e Renan Calheiros”, declarou Cerveró.

O ex-diretor disse que Delcídio recebeu sua parte do adiantamento de uma propina repassada por Julio Camargo no valor de US$ 2 milhões. “Foi repassada uma quantia menor, de aproximadamente US$ 800 mil para Delcídio Amaral, em pagamento dos US$ 2,5 milhões prometidos em 2005 e 2006 no início da campanha a governador do Estado de Mato Grosso do Sul.

Os US$ 6 milhões para Jader e Renan, segundo Cerveró, foram obtidos logo depois de concluída a negociação referente à sonda Petrobrás 10.000.

Segundo ele, a multinacional Samsung “demonstrou a possibilidade de construção de uma nova sonda” e, por intermédio do lobista Julio Camargo, verificou com a Petrobrás se haveria interesse na contratação dessa nova sonda. “A Petrobrás tinha interesse nisso, e o declarante sinalizou esse interesse a Julio Camargo, mas condicionou a contratação ao pagamento de uma propina de US$ 20 milhões, já que ficou claro que a Samsung tinha grande interesse nessa nova negociação; que, então, Julio Camargo aceitou essa condição, tendo sido feita a contratação da segunda sonda, denominada Vitória 10.000 pela Petrobrás.”

Cerveró afirmou que a distribuição da propina da segunda sonda “seria análoga à distribuição da propina da Petrobrás 10.000″.

O PMDB detinha o controle da Diretoria Internacional da Petrobrás. Cerveró relatou sobre uma reunião na residência de Jader, na qual estiveram Renan, Jorge Luz e o então diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa – também réu da Lava Jato e primeiro delator do esquema de corrupção.

Segundo o ex-diretor, Jader e Renan marcaram um jantar para que ele e Paulo Roberto Costa dessem explicações sobre quanto poderiam repassar em propinas.

No jantar, afirma Cerveró, o lobista Jorge Luz lembrou que a contratação de navios-sonda envolve grandes somas e sugeriu propinas entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões. Mas Cerveró e Paulo Roberto Costa disseram que o valor era muito alto e combinaram o repasse em US$ 6 milhões.

Cerveró contou que, passadas as eleições de 2006, ele e o então diretor de Abastecimento voltaram à casa de Jader Barbalho. “O senador me agradeceu e disse que ia manter-me no cargo.”

Em 2007, porém, Cerveró soube que o deputado Fernando Diniz (PMDB/MG) – morto em 2009 – estava dando “força política” a João Augusto Henriques para assumir a Diretoria de Internacional.

Com medo de perder o cargo, Cerveró “buscou proteção”. Primeiro, procurou Jader que, segundo ele, “alegou que a bancada do PMDB estava preocupada com a questão da CPMF na Câmara”. Cerveró recorreu, então, ao senador Renan Calheiros. Segundo o ex-diretor, no entanto, o peemedebista lhe disse que estava envolvido com um problema relativo à filha.

Cerveró relata que pediu apoio ao ex-ministro Silas Rondeau, de Minas e Energia – este, porém, lhe teria dito que estava preocupado com denúncias de corrupção na pasta.

Voltou a bater à porta de Jader, que teria argumentado que “não podia fazer nada por ele”.

Cerveró declarou à Procuradoria-Geral da República que, sentindo-se isolado, procurou o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula. Segundo ele, Bumlai intermediou uma reunião com o vice-presidente Michel Temer, “enquanto presidente nacional do PMDB”.

A reunião com Temer, segundo Cerveró, ocorreu provavelmente em 2007 no escritório de advocacia do vice-presidente, em São Paulo. O ex-diretor, agora delator da Lava Jato, disse que Temer o elogiou muito, mas teria alegado que “não tinha como se indispor com a bancada do PMDB”.

Os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho têm negado reiteradamente envolvimento na trama de corrupção na Petrobrás. Eles dizem que estão à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos. O ex-ministro Silas Rondeau também nega ligação com o esquema.

Michel Temer, por sua assessoria, já admitiu ter recebido Cerveró, em 2007, quando estava sendo discutida a substituição do executivo na diretoria Internacional da Petrobrás.

Segundo o peemedebista, o encontro foi intermediado pelo pecuarista José Carlos Bumlai, que telefonou para Temer e comentou do pedido do ex-diretor. Na ocasião, Temer era deputado federal e Cerveró queria ser mantido no cargo.

Cunha pediu R$ 52 mi em propina para liberar verba de fundo para empresas


Segundo delatores, deputado recebeu repasses no exterior em troca da liberação de verbas do FI-FGTS para empresas

MURILO RODRIGUES ALVES - O ESTADO DE S.PAULO


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria pedido R$ 52 milhões em propinas para liberar verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) para empresas e recebido valores em contas até agora desconhecidas na Suíça e em Israel. A suspeita, baseada no depoimento de dois delatores, consta de documentos da Procuradoria-Geral da República revelados pela revista 'Época'.

Segundo a reportagem, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, da empreiteira Carioca Engenharia, que fizeram acordo de delação premiada, disseram ter transferido valores para o deputado. A Procuradoria-Geral da República diz, de acordo com a revista, que juntou provas de pagamentos de R$ 52 milhões em propina.

A reportagem afirma que os delatores relataram até os centavos de propina que teria sido paga para receber R$ 3,5 bilhões do FI-FGTS para uma obra no Rio. A empresa participava do consórcio do projeto de revitalização do Porto Maravilha e esperava a verba para tocar a obra. Os delatores disseram que a propina foi pedida diretamente por Cunha, sem intermediários.

Ainda segundo a revista, o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, trocou mensagens diretamente com o presidente da Câmara sobre a liberação de valores do fundo. As informações foram enviadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. “Eduardo Cunha se valia de sua influência sobre Fábio Cleto para aprovar a liberação dos investimentos do FI-FGTS e cobrava valores dos empresários interessados”, diz a Procuradoria, conforme a reportagem. Cleto foi indicado por Cunha para administrar as loterias e o FGTS numa diretoria da Caixa e foi exonerado semana passada. A revista procurou o advogado de Cunha, Alexandre Garcia de Souza, que disse não ter tido acesso ao material e que não se manifestaria.