Ibope: Governo Dilma tem aprovação de 9% e reprovação de 70%


Pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 4 e 7, em 143 municípios.
Divulgação trimestral ocorre em meio a processo de impeachment da petista.



Filipe Matoso - G1


Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (15) mostra os seguintes percentuais de avaliação dos eleitores ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT):

- Ótimo/bom: 9%
- Regular: 20%
- Ruim/péssimo: 70%
- Não sabe: 1%


A divulgação dos percentuais ocorre em meio ao processo de impeachment da presidente da República, aberto há cerca de duas semanas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado entre os dias 4 e 7 deste mês e ouviu 2.002 pessoas, em 143 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

A última pesquisa do Ibope encomendada pela CNI, divulgada em setembro, apontava que 10% dos eleitores aprovavam o governo (consideravam "ótimo" ou "bom"); 69% dos entrevistados avaliavam a administração Dilma como "ruim" ou "péssima"; e 21% consideravam a gestão "regular".

O nível de confiança da pesquisa, segundo a CNI, é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

'Maneira de governar'

A pesquisa divulgada nesta terça também avaliou a opinião dos entrevistados sobre “a maneira de governar” da presidente: 14% aprovam; 82% desaprovam; e 4% não souberam ou não responderam.

Além disso, 18% disseram confiar na presidente, enquanto 78% afirmaram não confiar, e 3% não souberam ou não responderam.

Na comparação com o primeiro governo Dilma, 2% dos entrevistados consideram o segundo mandato dela “melhor”. Para 81%, a atual gestão é “pior” e 15% dizem ser “igual”.

Segundo mandato

Ainda de acordo com a pesquisa Ibope, 9% dos entrevistados avaliam como “ótimo/bom” as perspectivas em relação ao restante do mandato de Dilma à frente do Planalto, enquanto 65% dizem acreditar que o governo será “ruim/péssimo”. Para 20%, será “regular”.

O levantamento do Ibope listou as notícias sobre o governo mais lembradas pelos entrevistados. Leia as cinco mais citadas:

- Impeachment da presidente Dilma Rousseff: 50%
- Operação Lava Jato/Corrupção na Petrobras: 13%
- Corrupção no governo: 7%
- Manifestações contra a corrupção: 5%
- Presidente da Câmara Eduardo Cunha aceita pedido de impeachment: 4%

Conforme o levantamento divulgado nesta terça, 9% apontam que as notícias têm sido"mais favoráveis" ao governo; 11% as consideram "nem favoráveis nem desfavoráveis"; 75%, "mais desfavoráveis"; e 6% não souberam ou não responderam.

Segundo a CNI, a soma dos percentuais não iguala 100% em decorrência do arredondamento.

A pesquisa também ouviu os eleitores sobre a opinião deles por área de atuação do governo. Veja os resultados:

Combate à fome e à pobreza
Aprovam: 27%
Desaprovam: 71%
Não souberam/Não responderam: 2%

Educação
Aprovam: 22%
Desaprovam: 76%
Não souberam/Não responderam: 2%

Meio Ambiente
Aprovam: 21%
Desaprovam: 74%
Não souberam/Não responderam: 5%

Saúde
Aprovam: 14%
Desaprovam: 85%
Não souberam/Não responderam: 1%

Segurança Pública
Aprovam: 13%
Desaprovam: 85%
Não souberam/Não responderam: 2%

Combate à inflação
Aprovam: 12%
Desaprovam: 85%
Não souberam/Não responderam: 3%

Combate ao desemprego
Aprovam: 12%
Desaprovam: 87%
Não souberam/Não responderam: 1%

Taxa de juros
Aprovam: 7%
Desaprovam: 91%
Não souberam/Não responderam: 2%

Impostos
Aprovam: 7%
Desaprovam: 91%
Não souberam/Não responderam: 2%

Conselho de Ética aceita processo contra Cunha


Ranier Bragon - Folha.com


Depois de mais de dois meses do protocolo da representação e após sete adiamentos, o Conselho de Ética conseguiu nesta terça-feira (15) aprovar parecer preliminar que dá sequência ao processo de cassação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A superação dessa fase inicial –onde se diz apenas se há indícios mínimos para o prosseguimento do processo– se deu por 11 votos a 9.

Mas a decisão tem chance de ser anulada. Aliados do peemedebista vão recorrer da decisão do Conselho que impediu um novo pedido de vista que provocaria o oitavo adiamento e jogaria a votação para 2016.

Esse recurso será enviado para a Comissão de Constituição e Justiça, presidida por um dos principais aliados de Cunha, o deputado Arthur Lira (PP-AL). Na semana passada, Cunha já havia patrocinado a destituição do relator do seu caso, Fausto Pinato (PRB-SP), atendendo a recurso de seus aliados.

O novo relator, Marcos Rogério (PDT-RO), seguiu Pinato e apresentou parecer pela continuidade do processo.

A tramitação agora estabelece a notificação pessoal de Cunha, momento a partir do qual começa a contar o prazo de dez dias úteis para que ele apresente sua defesa consolidada. Essa fase só terminará em 2016, após a encerramento do recesso parlamentar. O final do processo pode ocorrer só depois de abril.

ARMAS DA PF

A ação da busca e apreensão feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público na casa de Cunha e nas dependências da Câmara foi um tema central dos debates.

Aliado de Cunha, Carlos Marun (PMDB-MS) faz paralelo com a época da ditadura militar, dizendo que deputados estão sendo intimidados a votar "sob as armas da Polícia Federal". O advogado de defesa, Marcelo Nobre, disse que a ação reforça a defesa já que explicitaria que os investigadores não tem provas contra seu cliente.

Outro dos votos favoráveis a Cunha, o deputado Sérgio Morais (PTB-RS), que se notabilizou por dizer há alguns a nos que se lixava para a opinião pública, afirmou que são os adversários do peemedebista que o estão auxiliando: "Quem mais está ajudando são os ditos adversários de Cunha. O senhor [se dirigindo ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo] tomou uma decisão que será anulada sem dúvida nenhuma. Quem está ajudando Eduardo Cunha a protelar esse processo é o batalhão anti-Cunha que aqui está."

Adversário do presidente da Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG), rebateu, em tom inflamado, fazendo menção à ação da PF: "Ele [Cunha] já se expôs, expôs a sua família e e agora expõe o Parlamento. A instituição tem que estar acima dele."

Após o resultado da votação, o advogado de Cunha disse que respeita a decisão do Conselho e que seguirá na sua estratégia de defesa.

Votaram pelo prosseguimento do processo os seguintes deputados:

- Paulo Azi (DEM-BA)
- Leo de Brito (PT-AC)
- Valmir Prascidelli (PT-SP)
- Zé Geraldo (PT-PA)
- Júlio Delgado (PSB-MG)
- Nelson Marchezan (PSDB-RS)
- Sandro Alex (PPS-PR)
- Marcos Rogério (PPS-RO)
- Rossoni (PSDB-PR)
- Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
- Fausto Pinato (PRB-SP)

Votaram pelo arquivamento imediato do processo contra Cunha os deputados:

- Cacá Leão (PP-BA)
- Erivelton Santana (PSC-BA)
- Paulo Pereira da Silva (SD-SP)
- Ricardo Barros (PP-PR)
- Washington Reis (PMDB-RJ)
- Manoel Júnior (PMDB-PB)
- Bacelar (PR-BA)
- Vinícius Gurgel (PR-AP)
- Wellington Roberto (PR-PB)

PF faz busca em endereços de Cunha e de ministros em nova fase da Lava Jato


Pedro Ladeira/Folhapress 
Agentes da PF fazem busca e apreensão na casa de Eduardo Cunha em Brasília em fase da Lava Jato

NATUZA NERY
MÔNICA BERGAMO
GABRIEL MASCARENHAS
MÁRCIO FALCÃO
RUBENS VALENTE
AGUIRRE TALENTO
FOLHA.COM


Em mais uma fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (15) mandados de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e dos ministros Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), ambos do PMDB.

Fábio Cleto, aliado de Cunha que ocupava uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal até a semana passada, também foi alvo de busca, em São Paulo. Ele é um dos principais operadores do presidente da Câmara.

Um celular de Cunha foi apreendido. Houve buscas também na na diretoria-geral da Câmara, órgão responsável por fechar contratos e ordenar despesas.

A ação da PF ainda atinge o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), apontado como interlocutor do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nos desvios da Petrobras, do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA), que é investigado no Supremo Tribunal Federal pela Lava Jato, de Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro.

A sede da empresa Estre em São Paulo, que tem como sócios o BTG Pactual, de André Esteves, e o fundador do grupo, Wilson Quintella Filho, também foi alvo de busca e apreensão na manhã desta terça.

Com Cunha, ministros e parlamentares na mira, a operação da PF atingiu em cheio o PMDB. Embora não seja alvo direto de um mandado de busca, o presidente do Senado também é objeto desta operação. Um dos inquéritos investigados nesta fase é o dele.

A operação atinge pessoas com foro privilegiado ou ligadas a eles.

Em julho, depois de a Polícia Federal ter realizado ações de busca e apreensão na residência de três senadores investigados na Lava Jato, Cunha fez uma provocação ao dizer que a corporação pode ir à sua casa "a hora que quiser".

Na ocasião, questionado sobre o que pensava da ação da PF e se temia que sua casa fosse alvo de uma das operações, Cunha respondeu: "Eu não sei o que eles querem comigo, mas a porta da minha casa está aberta. Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar".


PROTEÇÃO DE PROVAS

Segundo a PF, as buscas ocorrem em endereços funcionais de investigados, sedes de empresas, escritórios de advocacia e órgãos públicos com o objetivo de "evitar que provas importantes sejam destruídas pelos investigados".

Ainda segundo a PF, também foi autorizada apreensão de bens "que possivelmente foram adquiridos pela prática criminosa".

Além de Brasília, mandados de busca e apreensão contra Cunha, que é alvo em dois inquéritos por suspeita de ligação com o esquema de corrupção da Petrobras, são cumpridos em todos os endereços dele no Rio de Janeiro.

Celso Pansera é alvo de busca em Duque de Caxias (RJ), e Henrique Eduardo Alves, no Rio Grande do Norte.

CASAS CERCADAS

A residência de Cunha –ele mora na Península dos Ministros, onde fica a residência oficial da presidência da Câmara– amanheceu cercada por diversas viaturas policiais.

O movimento está sendo acompanhado pelo advogado Alexandre de Souza, filho do ex-procurador-geral da República. A ação foi pedida pela Procuradoria-Geral da República e teve aval do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki.

As casas dos congressistas em Brasília também estão cercadas.

Não há, ao menos por ora, prisões na etapa atual da operação, chamada Catilinárias.

O nome da operação é referência a uma série de discursos proferidos pelo cônsul romano Cícero por volta de 63 a.C. contra o senador Catilina, acusado de tentar derrubar a República.

CUNHA


O presidente da Câmara é acusado de ser beneficiado de desvios da Petrobras. Segundo dois delatores, ele teria recebido US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sondas e também de um negócio fechado pela Petrobras na África que teriam abastecido contas no exterior mantidas pelo peemedebista e familiares na Suíça.

Cunha foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal pelo suposto recebimento de propina ligada a desvios na Petrobras há cerca de quatro meses, mas o STF ainda não decidiu se acolhe ou não as denúncias.

Sem o acolhimento, Cunha não é réu, somente investigado.

Há algumas explicações para a demora no STF. A primeira e mais determinante é que no Supremo há uma tradição, prevista no Regimento Interno do tribunal, de que o ministro relator do inquérito abra prazo de 15 dias para manifestação do político antes de decidir sobre a denúncia.

Ao prazo concedido à resposta prévia somam-se iniciativas tomadas pela defesa do parlamentar no STF. Seus advogados solicitaram, por exemplo, que o tribunal concedesse um prazo em dobro para a manifestação prévia, de 15 para 30 dias.

Como Teori recusou a ampliação, teve que submeter o pedido ao plenário do STF, gerando mais demora. Em setembro, a maioria dos ministros contrariou o relator e decidiu pelo dobro do prazo.

A terceira explicação para a demora se deve à própria Procuradoria. Mais de dois meses após a denúncia, o órgão fez um aditamento, dizendo que Cunha também se beneficiara indevidamente de voos de táxi aéreo como pagamento de propina. Assim, a defesa conseguiu mais prazo para a defesa prévia, com prazo novamente dobrado.

A Procuradoria já manifestou preocupação sobre o andamento do inquérito. A respeito de um pedido da defesa de Cunha para ter acesso à íntegra de documentos usados como prova, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, pediu a Teori que indefira pedidos "de natureza manifestamente protelatória".

Ex-tesoureiro do PT pediu propina para executivo meses depois da Lava Jato



Walmir Pinheiro Santana, financeiro da UTC Engenharia, afirmou à Procuradoria-Geral da República que em setembro de 2014, João Vaccari Neto queria que dinheiro fosse 'encaminhado como doação oficial ao partido' 

ESTADÃO



O ex-diretor da UTC Walmir Pinheiro disse em delação premiada que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pediu uma porcentagem de valores faturados pela empresa com o contrato para obras na usina de Angra 3. O pedido, segundo Pinheiro, foi feito após a assinatura do contrato com o consórcio vencedor do projeto, que aconteceu em setembro de 2014, portanto cerca de seis meses depois do início das investigações da Operação Lava Jato.

O valor não foi pago, segundo Pinheiro, em razão da prisão do dono da UTC, Ricardo Pessoa – em novembro, decorrência das investigações da Lava Jato. Vaccari foi preso em abril nas investigações da Lava Jato. O ex-tesoureiro do PT queria que o dinheiro fosse encaminhado como doação oficial ao PT, segundo Pinheiro.

“Que João Vaccari queria este valor como doação oficial para o PT; Que esta reunião foi posterior à assinatura do contrato de Angra 3, ou seja, após setembro de 2014; Que acredita que taI reunião tenha sido por volta de outubro de 2014; Que, porém, Ricardo Pessoa alegou para Vaccari que era impossível o pagamento do valor, pois havia outras empresas no consórcio e não havia margem no contrato para tal tipo de pagamento; Que, portanto, este valor não foi pago para Vaccari, até mesmo porque logo depois houve a prisão de Ricardo Pessoa e do próprio depoente”, consta na delação de Pinheiro.

O ministro Teori Zavascki, do STF, retirou o sigilo da delação premiada de Pinheiro na última semana após pedido da procuradoria-geral da República (PGR).

A defesa de Vaccari não atendeu as ligações da reportagem até esta publicação. (Beatriz Bulla, Julia Affonso, Adriano Ceolin e Gustavo Aguiar)

Amigo de Lula confessa que repassou R$ 12 milhões para o PT



José Carlos Bumlai, em depoimento de mais de 6 horas à PF, relata que empréstimo junto ao Banco Schahin, em 2004, cobriu dívidas de campanha do partido; pecuarista citou nome de dois ex-tesoureiros petistas, Delúbio Soares e João Vaccari Neto, em operação fraudulenta 


RICARDO BRANDT, FAUSTO MACEDO E JULIA AFFONSO - ESTADÃO

Foto apreendida pela Lava Jato nos endereços de José Carlos Bumlai / Reprodução


Em seis horas e meia de depoimento nesta segunda-feira, 14, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, admitiu à Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato, que os R$ 12 milhões que tomou de empréstimo junto ao Banco Schahin, em 2004, foram destinados ao PT. Preso desde o dia 24 e denunciado criminalmente nesta segunda, ele apontou os nomes de dois ex-tesoureiros do partido, Delúbio Soares e João Vaccari Neto, como envolvidos no negócio.

Segundo Bumlai, quem sugeriu a ele que fizesse o negócio foi o próprio presidente do banco, Sandro Tordin – que fez acordo de delação premiada com a Lava Jato junto com a família Schahin. Ele disse que Tordin lhe indicou que tomasse o empréstimo ‘para passar ao PT, via Bertin’.

A força-tarefa da Lava Jato, por meio da quebra dos siligos fiscal e bancário dos investigados, havia identificado que logo após os R$ 12 milhões do Banco Schahin entrarem na conta de Bumlai, o montante foi repassado para contas do Grupo Bertin – que foi sócio dos negócios do amigo de Lula.

Documento 


Bumlai declarou à PF que “ficou de pensar no assunto”, mas que logo no dia seguinte foram à sua residência em Campo Grande (MS) o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, “e mais gente do partido” que afirmou não se lembrar do nome porque “nem abriram a boca na reunião”. Também foi à reunião o então presidente do banco, Sandro Tordin, com o contrato na mão, segundo Bumlai.

A PF quis saber de Bumlai o motivo de ele ter realizado o empréstimo. Ele citou o primeiro grande escândalo da era Lula no Palácio do Planalto que levou à prisão alguns dos principais quadros do PT, entre eles o ex-chefe da Casa civil José Dirceu. “Não tinha havido Mensalão ainda, o partido estava com grande popularidade. Não iria custar nada a mim, eu quis fazer um favor, uma gentileza para quem estava no poder.”

Bumlai disse que “fez um gesto de simpatia, que se transformou em uma grande bobagem”.

Em sua delação premiada, Salim Schahin, um dos donos do grupo, Bumlai e Delúbio disseram que Lula estava a par de empréstimo de R$ 12 milhões tomado pelo pecuarista. No depoimento desta segunda, Bumlai não envolveu o ex-presidente na operação.

Versões. Na tentativa de obter o fim de sua prisão preventiva, Bumlai solicitou, via defesa, ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, em Curitiba, que ele fosse ouvido em audiência de custódia. Inquerido no dia 30, ele havia dito que o dinheiro emprestado do Banco Schahin era para dar de sinal na compra de uma fazenda do Grupo Bertin.

“O recurso obtido com empréstimo não se destinava ao Partido dos Trabalhadores”, afirmou Bumlai, no dia 30. “Nunca passou recursos ao Partido dos Trabalhadores.” Ouvido pelo delegado Filipe Hille Pace, na tarde desta segunda-feira, Bumlai mudou a versão. Confirmou o destino do dinheiro e que fraudou a transferência de embriões de gado para quitar dívida com a Schahin.

Oficialmente, o valor emprestado pelo Banco Schahin nunca foi pago formalmente, confessou Salim Schahin em depoimento prestado ao procurador Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato, em sua delação premiada. Ele foi dado como “quitado” sem qualquer juro um dia antes da celebração do contrato de operação do navio-sonda Vitoria 10.000, entre a Petrobrás e a Schahin, em 2009. O contrato foi uma compensação pelo valor repassado em 2004.

A quitação desse empréstimo é considerada fraudulenta e envolveu ainda uma operação simulada de “dação em pagamento de embriões de gado inexistentes de fato” de Bumlai para o grupo.

O pecuarista, que antes havia mantido a versão de que deu R$ 12 milhões em embriões, confessou que não transferiu embriões de gado nobre para o Grupo Schahin para quitar a dívida feita para repassar ao PT.

O amigo de Lula afirmou que “não sabia’ do negócio do Grupo Schahin relativo ao navio sonda Vitória 10000, contratado pela Petrobrás ao preço de US$ 1,6 bilhão, em 2006 – um dia antes do negócio da Schahin com a Petrobrás, o empréstimo do banco com Bumlai foi quitado.

28 escolas ocupadas foram vandalizadas ou furtadas em SP


Folha.com

Cena da depredação da E.E. Coronel Antônio Paiva de Sampaio que foi atacada na noite de segunda (30)

Vinte e oito escolas estaduais de São Paulo registraram algum tipo de depredação ou furto após estudantes desocuparem os prédios, segundo a gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

O governo do Estado afirma que alunos estão deixando os colégios sem avisar a direção, deixando-os vazios.

Dez escolas avaliaram o prejuízo em R$ 472,4 mil, no total. Outras 18 ainda estão contabilizando as perdas.

O movimento de ocupação de escolas paulistas vem perdendo força gradualmente desde o dia 4, quando Alckmin recuou e suspendeu a reorganização da rede, prevista para 2016.

Naquele dia, auge do movimento, eram 196 unidades tomadas por estudantes, que protestavam contra o projeto. Nesta segunda-feira (14), o número caiu para 84.

Segundo a secretaria da Educação, houve depredações como pichação, quebra de janelas, portas, cadeiras e carteiras. Também foram registrados furtos em alguns colégios: sumiram micro-ondas, televisores, computadores, geladeiras e até merenda estocada.

A escola Pedro Fonseca, na Vila Sônia (zona sul da capital paulista), foi desocupada na quinta (10). Depois, a direção constatou a falta de um computador, uma TV e um projetor. A secretaria da Educação diz que o prejuízo chegou a R$ 10 mil.

No colégio Francisca Lisboa Peralta, em Osasco (Grande SP), uma impressora e um computador desapareceram. Vidros, lâmpadas e um portão foram vandalizados.

tablets sumiram

Na Miss Browne, em Perdizes (zona oeste), desocupada na semana passada, a direção afirma que alguns tablets sumiram da escola.

"Não foram os alunos. Nós nem sabíamos que esses tablets existiam no colégio. O diretor está analisando imagens das câmeras de segurança", diz o estudante Guilherme Ramos, 16, que ocupou a escola por 22 dias.

Nesses e outros casos, ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelas ações. Segundo a secretaria da Educação, alunos estão desocupando os colégios sem avisar e sem entregar as chaves diretamente para a direção. Com isso, de acordo com a pasta, as escolas estão ficando vazias por algumas horas até os funcionários chegarem.

A polícia agora investiga se alunos participaram dos atos ou se ladrões se aproveitaram desse hiato com as escolas livres para praticar furtos.


O colégio estadual Salvador Allende, em Itaquera (zona leste), foi furtado duas vezes no fim de semana. Em uma delas, na madrugada de sábado (12), os secundaristas que ocupavam o local há um mês foram expulsos pelos criminosos.

"Alguns homens chegaram de carro e mandaram todo mundo sair. Roubaram quase tudo", afirmou uma estudante que participava da ocupação. Ela preferiu não revelar seu nome à reportagem.

Horas depois, já durante a tarde, outro grupo invadiu a escola. Houve depredação do prédio. A caseira chamou a polícia e a PM deteve cinco suspeitos -quatro deles eram menores e já foram liberados.