Governador Geraldo Alckmin avalia que atos pró-impeachment foram 'fortes', apesar de perto do Natal


Para governador de São Paulo, manifestação foi 'espontânea, pacífica e fortalece a democracia'; tucano também defendeu suspensão do recesso para análise de processo de afastamento de Dilma


RICARDO CHAPOLA - O ESTADO DE S.PAULO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o Secretário de Segurança Pùblica de São Paulo, Alexandre de Moraes

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira, 14, que os protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff foram "fortes", apesar de terem sido marcados para perto do Natal. 

"A manifestação foi forte, espontânea, pacífica. Só fortalece a democracia. Agora, fazer manifestação a uma semana do Natal é querer demais", afirmou Alckmin depois de ter sido entrevistado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, em um programa de TV da Casa.

"Não dá para comparar alhos com bugalhos. Comparar (os protestos de) agosto com os de agora, a uma semana do Natal".

Os atos desse domingo pelo impeachment de Dilma foram marcados por uma adesão menor do que os realizados nos meses anteriores. Em São Paulo, o protesto que ocorreu na Avenida Paulista reuniu 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. No ato de março, a polícia contabilizou 1 milhão de manifestantes.

Recesso. Alckmin também defendeu que o Congresso não entre em recesso parlamentar para agilizar a análise do processo de impeachment de Dilma. A posição do governador contraria a do PSDB, que apoia o recesso para ter mais tempo para conseguir dar mais corpo à ala pró-impeachment no Congresso.

"O ideal era não ter recesso. Se há uma situação dessa gravidade é bom resolver logo, seja de um lado, seja de outro", afirmou. "Isso paralisa a economia, porque gera dificuldade".

Questionado sobre sua posição ser diferente da do PSDB, o tucano respondeu: "O que tem que fazer é fazer o correto. É decidir rapidamente. A pior coisa é arrastar esse processo com suas consequências políticas e econômicas".

Mais uma escola ocupada por manifestantes é alvo de vandalismo


Secretaria da Educação de SP diz que ocupação causou prejuízos em escola

Folha.com

Foto enviada pela Secretaria da Educação mostrando escola Salvador Allende após ocupação 


A Secretaria da Educação de São Paulo divulgou fotos do que seriam o resultado de atos de vandalismo causados pelos ocupantes da escola Escola Estadual Presidente Salvador Allende Gossens, em Itaquera (zona leste), onde a Polícia Militar esteve ontem e prendeu cinco suspeitos de roubar computadores.

Além disso, a Secretaria também enviou uma nota de repúdio afirmando que houve depredação ao patrimônio público e atos de vandalismo na escola.

Antes da suspensão da medida que previa a reorganização escolar, o número de escolas ocupadas chegou a 196; hoje, há menos de 100. Os estudantes ainda pedem o cancelamento definitivo do projeto e a punição de policiais que agrediram adolescentes em manifestações.


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Veja a nota na íntegra:


"A Secretaria da Educação repudia os atos de vandalismo ocorridos na Escola Estadual Presidente Salvador Allende Gossens, na capital de São Paulo. A unidade, que estava ocupada por manifestantes havia um mês, foi liberada no final da tarde do último sábado, dia 12. A polícia foi acionada. Foram vandalizados o laboratório de informática, salas da direção e coordenação, cozinha, banheiros, cantina. Portões e portas também foram danificados, carteiras e cadeiras foram quebradas e espalhadas pela unidade. Livros e alimentos foram jogados no chão. A despensa foi destruída e os armários foram arrombados. A escola foi encontrada com muito lixo e com roupas deixadas pelos manifestantes. Os prejuízos ainda não foram calculados. Ao longo dos próximos dias, equipes da Secretaria da Educação trabalharão no local para o restabelecimento da rotina escolar.

A Pasta lamenta que o direito à manifestação termine com a depredação de um patrimônio público e educacional, prejudicando centenas de alunos e comprometendo o término do ano letivo.

Imagem de bancada sem computadores 


Para tucanos, participação em eventual governo Temer tem que ser programática


Folha de S.Paulo

Senador Aloysio Nunes e o secretário Floriano Pesaro tiram selfie com manifestante

Após discursar pela primeira vez em um ato pró-impeachment, líderes do PSDB de São Paulo admitiram neste domingo (13) participação num eventual governo de Michel Temer.

O senador José Serra (SP) –que discursou ao pé do trio elétrico do movimento Vem Pra Rua– disse que "se houver um novo governo, vai ter entendimento com base no programa, com base no que se pretende fazer no Brasil".

O senador Aloysio Nunes Ferreira foi na mesma linha. Segundo ele, existe "uma predisposição" do PSDB de participar do governo de Temer.

"Se apoiamos o impeachment, temos a predisposição de apoiar o governo", disse.

Aloysio Nunes ressaltou que tudo dependerá das condições ofertadas por Temer. "Ele vai romper com o método PT, vai ser esse presidencialismo de coalizão avacalhado? Ou vai romper com isso? Vai depender dessa resposta. Dependendo das condições e do programa, podemos participar".

Ontem foi a primeira vez que os dois discursaram na avenida Paulista em apoio ao impeachment. Até então, tucanos iam às ruas, mas se mantinham discretos.

Após discursar, o secretário estadual Floriano Pesaro relatou que o PSDB está conversando com Temer, inclusive sobre presença na equipe ministerial. "Ele precisa de uma coalizão para governar", disse Pesaro, contando que foi à Paulista com o consentimento de Alckmin.

Após aderir ao ato em Natal, o presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), afirmou que o partido apoiará Temer "sem condicionamento de participação".

Neste domingo, tucanos minimizaram o baixo quorum dos protestos em comparação aos anteriores, alegando que o ato fazia parte de um processo.

"As pessoas estão vindo para as ruas. Vão continuar. Não vale só um dia. Vale o processo. Basta olhar as pesquisas", disse Serra.

Com rosto pintado de verde e amarelo, Aloysio afirmou que "quando for marcada a votação do impeachment, o Brasil vai ser inundado por manifestações enormes".

A avaliação do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), é que a mobilização crescerá a partir de janeiro. "As manifestações deste domingo foram marcadas em cima da hora e num momento do ano que não é o ideal", justificou.

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), disse que a manifestação cumpriu um papel de "esquenta".

Para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), os atos tiveram um sentido de comemoração. "Saíram as ruas para comemorar o que era visto como impossível".

"Crise econômica e responsabilidade social", artigo de Floriano Pesaro


Folha de S.Paulo

O ano de 2015 será lembrado, por nós brasileiros, como um ano de profunda instabilidade política e desaceleração econômica.

Os sinais da crise são evidentes: decréscimo do PIB, aumento da inflação, redução de crédito, contração do consumo, queda na arrecadação de impostos e aumento da taxa de desemprego.

Em julho, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) lançou a 23° Edição do Boletim de Políticas Sociais. Nele, evidenciou-se o aumento da extrema pobreza no país.

O mesmo documento correlacionou esse fato à crise econômica e ao desemprego. O Estado de São Paulo não passou ileso por esse processo de empobrecimento.

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado registrou maior procura da população pelos serviços oferecidos pelos Cras (Centro de Referência de Assistência Social), que contam com 1.071 unidades presentes em 641 municípios do Estado. Além disso, também registrou aumento na ordem de 15% na busca por refeições nos 49 restaurantes populares Bom Prato em todo Estado.

De um lado, as demandas são sinais do recrudescimento da pobreza e aumento da exclusão social, com o crescente aumento da situação de vulnerabilidade; de outro, refletem a queda na receita das três esferas de governo.

Diante da situação atual, o governo do Estado de São Paulo tomou medidas arrojadas para reverter este quadro. O governador Geraldo Alckmin instituiu o Fundo Estadual de Combate à Pobreza, cujos recursos serão aplicados em programas de assistência social, nutrição, habitação, educação e saúde.

No conjunto das medidas, foi reduzido o ICMS dos medicamentos genéricos e zerado o imposto do arroz e do feijão. Além disso, houve diminuição da carga tributária da areia, produto essencial para a construção civil, a fim de manter o estímulo ao emprego.

Para abastecer o Fundo de Combate à Pobreza, as alíquotas de ICMS sobre cerveja e fumo serão elevadas de 18% para 20% e de 25% para 30%, respectivamente. O governo apenas equipara o ICMS da cerveja com outras regiões do país. Dois por cento deste ICMS abastecerá o fundo com R$ 1 bilhão por ano.

O governo pretende arrecadar R$ 3 bilhões, sendo que destinará R$ 1 bilhão para o fundo, R$ 1,5 bilhão para manter serviços e investimentos e R$ 500 milhões para municípios do Estado.

O projeto que acaba de ser aprovado pela Assembleia Legislativa começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2016.

A Secretaria de Desenvolvimento Social possui um orçamento anual de quase R$ 1 bilhão. O fundo aumentará consideravelmente os recursos disponíveis, quase duplicando o orçamento, para podermos responder às necessidades sociais do Estado neste momento de crise aguda.

Estamos no caminho certo! A aprovação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em julho de 2005 foi uma grande vitória! Com ele superamos o assistencialismo e o individualismo.

O Fundo Estadual de Combate à Pobreza vem para fortalecer as políticas públicas, numa filosofia que visa a dignidade do atendido e a possibilidade de rompimento com a miséria, mantendo também nossa responsabilidade fiscal.


*FLORIANO PESARO, 47, é deputado federal licenciado e secretário Estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo

"A vida não espera", artigo de Aécio Neves


Folha de S.Paulo

A juventude brasileira termina o ano assustada. Poucas vezes o país viveu uma derrocada tão brutal como a atual, atingindo em cheio os planos das novas gerações.

Enquanto as questões políticas mobilizam a opinião pública, os jovens que chegam ao mercado de trabalho estão encontrando as portas fechadas. Só nos últimos 12 meses, mais de 1 milhão de brasileiros perderam seus empregos. Grande parte dos novos desempregados tem até 24 anos de idade.

Com o PIB deste ano em queda livre, economistas já preveem recessão até 2017, o que significa para milhões de brasileiros o caos num futuro próximo.

Não bastasse isso, a tragédia ambiental que se abateu sobre Mariana e se estendeu pelo Rio Doce até o oceano deixou um rastro de destruição que contamina o presente e o futuro. Em seu lugar surgiu uma paisagem devastada. Quantas gerações serão necessárias para nos recuperarmos desse desastre ambiental?

Parte inestimável da nossa flora e fauna morreu, e, com ela, o território de trabalho e emprego que abastecia centenas de municípios. Os expulsos de suas terras certamente seguirão a sina de engrossar o contingente urbano saturado de infortúnios. E em especial os jovens.

Nas cidades, são também eles os principais alvos da violência. Entre os 55 mil assassinados por ano no Brasil, são os jovens as vítimas preferenciais. São vidas e dores invisíveis escondidas pela frieza das estatísticas.

Uma juventude anônima que se esgota antes da hora. Este é o Brasil da ausência do Estado, onde as prioridades do governo não dialogam com a realidade.

Este mesmo Brasil está hoje diante de uma outra tragédia que comove e revolta. Milhares de novas gestantes vivem sob o signo do medo, em função da epidemia do zika –o vírus causador de microcefalia nos bebês. O mosquito transmissor é responsável pela maior epidemia de dengue de nossa história. Já são mais de 1,5 milhão de casos notificados, 811 pessoas morreram neste ano.

Na falta de saneamento e na negligência com a saúde pública, prolifera não apenas o mosquito que mata, mas, igualmente, a nossa vergonha. Os meninos e meninas que já nascem com má-formação do cérebro serão para sempre o retrato cruel de nossa incompetência em lidar com prioridades e emergências.

E neste cipoal de notícias ruins, temos como pano de fundo uma grave crise de governabilidade, fruto dos erros e omissões de um modelo de gestão que vive seus estertores. Mais cedo ou mais tarde, dentro dos trâmites constitucionais e democráticos, esta crise será resolvida.

Até lá, há um país que não pode permanecer paralisado, esperando indefinidamente por soluções e perspectivas. Responsabilidade não se adia. A realidade não espera. A vida não espera.


*Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi candidato à Presidência em 2014 e governador de Minas entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG.