Argumentos para impeachment de Dilma são fortes, diz Geraldo Alckmin


Venceslau Borlina Filho - Folha.com

 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira (8) que os argumentos que embasam o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff "são fortes" e que a Câmara e o Senado Federal saberão avaliá-los.

A declaração foi dada um dia após o vice-presidente Michel Temer (PMDB) encaminhar uma carta "pessoal e confidencial" à presidente, na qual afirma saber que ela não tem confiança nele nem no seu partido, o PMDB.

"Eu acho que deve, sim, ser analisado [o pedido de impeachment]. Os argumentos são fortes. Não sou professor de direito constitucional, mas entendo que a Câmara Federal e o Senado Federal saberão avaliar", disse Alckmin.

O tucano é alvo de uma disputa entre o PMDB e o PT, que querem, respectivamente, apoio e isenção dele no processo de impeachment. Porém, sobre a carta, ele preferiu não se manifestar. "Olha, esse é um assunto do PMDB e do PT, e não cabe comentar", afirmou.

Alckmin esteve durante a manhã em Campinas, no interior do Estado, para inaugurar um novo trecho do anel viário Magalhães Teixeira, que vai ligar as rodovias Dom Pedro 1º, Anhanguera e Bandeirantes.

À tarde, o governador segue para Brasília, onde se encontrará com Dilma Rousseff e outros governadores para discutir o surto de microcefalia e a relação com o vírus zika, transmitido pelo mosquito da dengue.

ENCONTRO

No último sábado (5), Alckmin se reuniu com Temer na capital paulista. O governador negou que tenha discutido um possível apoio ao vice-presidente, como tratado nos bastidores, mas afirmou que "tomou um café" com ele.

"Eu estive com o Michel Temer no sábado [5] numa reunião que estava marcada há mais 20 dias, nem existia impeachment. Era uma reunião social, estritamente social", disse. "Tomamos um café", respondeu, sobre o encontro.

Sobre a possibilidade de apoiar um possível governo do PMDB, o governador voltou a dizer que é preciso aguardar o desfecho do impeachment, que é uma "questão extremamente séria", para depois avaliar alianças e coalizões.

Ele também reafirmou que o processo de impeachment não é golpe, que está previsto na Constituição e que a Constituição não é golpista. "É importante destacar que impeachment não é golpe", disse o tucano.

DILMA

Alckmin negou ainda que discutirá com a presidente Dilma Rousseff estratégias sobre o pedido de impeachment durante o encontro nesta tarde em Brasília.

De acordo com a coluna Mônica Bergamo, a presidente quer conquistar uma posição neutra do tucano sobre o pedido de impeachment. O pedido consideraria a boa relação que ambos sempre demonstraram ter na política.

'Impeachment é constitucional', afirma Geraldo Alckmin


Reynaldo Turollo JR. - Folha.com


Em evento no Palácio dos Bandeirantes na noite desta segunda (7), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), evitou se posicionar sobre o processo de impeachment da presidente, mas afirmou que o dispositivo é constitucional e que cabe ao Congresso analisar os fundamentos do pedido.

"O impeachment é previsto na Constituição brasileira, e a Constituição não é golpista", disse.

"É preciso agir, e agir rápido, e o Congresso Nacional definir essa situação prevista na Constituição. Tenho certeza de que o Congresso haverá de interpretar o anseio da sociedade com todos os cuidados jurídicos constitucionais."

As declarações foram dadas após um evento do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que premiou empresários e autoridades de vários setores da economia.

Esperado para a cerimônia, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), cancelou sua participação mais cedo, devido a um encontro que teria com correligionários em Brasília. Temer gravou um vídeo, exibido à plateia, em que lamentou a ausência, justificada por "questões ligadas a Brasília", e disse que nenhum governo consegue governar sem os empresários.