Nota o ficial do PSDB: “uma organização criminosa apoderou-se de estruturas do Estado”


Nota da Executiva Nacional sobre a Lava Jato


Os novos desdobramentos da Operação Lava Jato reforçam nos brasileiros o sentimento de indignação em relação à forma como o país vem sendo governado.

Mais uma vez, depois do mensalão e, agora, no petrolão, reforça-se a convicção de que uma organização criminosa, tentacular, apoderou-se de estruturas do Estado, com o objetivo de manter-se no poder mediante desvio de dinheiro público.

O PT e seus aliados foram os executores dessa construção nefasta, que começa a desmoronar sob o impacto das investigações do Ministério Público, da Justiça e do Congresso Nacional, com entusiástico apoio do povo brasileiro.

É crucial não perder de vista a necessidade de aprofundamento das investigações, o esclarecimento rigoroso e a responsabilização de todos os que participaram do esquema criminoso que vem sendo desnudado no país – agora, com especial atenção à operação de compra da refinaria de Pasadena, cuja apuração permanece ainda hoje inconclusa.

É preciso perseverar nas investigações, aprofundar as apurações e radicalizar as punições para que os principais responsáveis por esta cadeia de delitos – que ocuparam e ocupam alguns dos principais cargos da República – também sejam alcançados.

É hora, ainda, de alertar a opinião pública para as manobras políticas e conveniências de posições que vêm assumindo o PT e o governo federal, de covarde tentativa de distanciamento dos fatos. De nada adianta tentar tapar o sol com a peneira: são sempre as mesmas pessoas, ligadas por laços de cumplicidade e compadrio, presentes em todos os episódios criminosos que se revelam a cada dia, parte da corrupção institucionalizada a serviço de seu projeto de poder.

Vigilantes, o PSDB e a nossa sociedade esperam que avance o trabalho de depuração da política brasileira, por meio do exame, por parte da Justiça Eleitoral, dos evidentes abusos cometidos nas últimas eleições e das flagrantes irregularidades já identificadas no processo de gestão das contas públicas federais.

O Brasil vive hoje uma situação limite. Dela, necessariamente, emergirá um novo país. Para isso, são fundamentais o fortalecimento e a continuidade da firme atuação das nossas instituições, que podem, desde sempre, contar com o PSDB.

Brasília, 26 de novembro de 2015
Comissão Executiva Nacional do PSDB

Aécio cobra posicionamento de Dilma sobre prisão de Delcídio


Folha.com


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou como um "acinte à inteligência dos brasileiros" o silêncio do Palácio do Planalto e da presidente Dilma Rousseff sobre a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MT).

O tucano falou sobre o assunto nesta quinta-feira (26) após reunião da executiva nacional de seu partido. "Num momento dessa gravidade, com denúncias dessa dimensão é incompreensível que a presidente não olhe nos olhos dos brasileiros para explicar sua responsabilidade nesses episódios", criticou.

Aécio chegou a dizer que "talvez os brasileiros já não a vejam como presidente da República" dada a fragilidade do governo e, por isso, não cobrem tanto. Dilma, disse, teria ganhado ares de uma governante "folclórica".

Delcídio foi preso nesta quarta-feira (25) acusado de atuar para obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O Planalto têm evitado o assunto e o presidente do PT disse que o partido não deve solidariedade ao senador encarcerado.

Aécio avaliou que a cúpula do PT adotou uma posição "covarde" ao ser "a primeira a virar as costas para o seu líder no Senado".

O tucano ainda afirmou que sua sigla vai aguardar que o presidente do Senado envie as acusações contra Delcídio ao Conselho de Ética e que esse trâmite caminha para um consenso na Casa.

PSDB que Renan acione Conselho de Ética do Senado contra Delcídio


Mariana Haubert - Folha.com


Líderes do PSDB pediram ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ele autorize a Mesa Diretora da Casa a enviar ao Conselho de Ética um ofício com a decisão tomada pela maioria dos parlamentares pela permanência da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS).

O pedido foi feito nesta quinta-feira (26). O documento seria o ponto de início para um processo de quebra de decoro parlamentar contra o petista, o que pode levar à cassação do seu mandato.

O Senado terá que enviar o ofício para o Supremo Tribunal Federal para comunicar à Corte sobre a decisão tomada. Isso porque, quando um senador é preso no exercício do mandato, cabe ao Senado decidir sobre a manutenção da prisão por causa do foro privilegiado.

A Constituição estabelece que, em casos de prisão em flagrante, "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão".

Delcídio foi preso nesta quarta (25) pela Operação Lava Jato acusado de obstruir as investigações. De acordo com as investigações, o petista teria oferecido uma mesada de R$ 50 mil para a família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, também preso por corrupção na Petrobras, em troca de não ser delatado por ele.

"É inevitável que o Conselho se manifeste. Se vai notificar o Supremo, como não vai notificar o órgão interno de ética?", questionou o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB).

De acordo com o senador, Renan ficou de dar uma resposta ao pedido. "Conversei por telefone com o presidente Renan e ele recebeu de forma simpática a proposta e ficou de retornar", disse.

Segundo Cássio, se Renan não aceitar o pedido e a Mesa não fizer o envio, os partidos de oposição se reunirão para apresentarem uma representação conjunta.

"Caso a Mesa não acate o pedido, seguramente partidos políticos ou até mesmo cidadãos farão o pedido. Não há como imaginar que esse processo não chegue em curto espaço de tempo no Conselho de Ética. Da mesma forma que o plenário agiu de forma rápida e eficaz, assim acontecerá também no Conselho de Ética", disse.

JURISPRUDÊNCIA

Nos bastidores, no entanto, os senadores afirmam que a estratégia de pedir para que a Mesa Diretora dê início ao processo no Conselho de Ética visa retirar qualquer autoria de um pedido. Os partidos prefeririam que o processo fosse iniciado de forma institucional.

Para o senador Cássio, porém, o pedido visa a criação de uma jurisprudência.

"Estamos diante de uma situação nova. É a primeira vez que um senador é preso. Criar um padrão de comportamento, um rito, é importante nesse instante. Da mesma forma que a Mesa Diretora comunica ao STF a decisão do plenário, eu acho que essa comunicação tem que ser feita também ao Conselho de Ética que vai se manifestar", afirmou.

Na avaliação do tucano, Delcídio deve ter o seu mandato cassado.

"As gravações são lícitas e são reveladoras, mas é preciso ouvir o senador. Não se pode, em um estado de direito, condenar ninguém sem dar o direito de defesa", disse.

Renan não compareceu ao Senado nesta quinta e, segundo Cássio, ainda não deu uma resposta sobre o encaminhamento da questão. De acordo com a Mesa Diretora da Casa, o ofício que deve ser enviado ao STF também não foi despachado ainda porque necessita da assinatura do presidente da Casa.

"Aviso aos navegantes ", por Cármen Lúcia




“Na história recente da nossa pátria houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão sobre os juízes. Não passarão sobre a Constituição do Brasil.” 

Cármen Lúcia, Ministra do STF

Em voto aberto, Senado decide manter Delcídio Amaral preso



Prisão de senador petista foi determinada pelo STF sob a alegação de que ele tentava atrapalhar as investigação da Operação Lava Jato 


RICARDO BRITO, ISABELA BONFIM E ADRIANA FERNANDES - O ESTADO DE S. PAULO 


Numa inédita votação, o plenário do Senado decidiu nesta quarta-feira, 25, manter preso o líder do governo na Casa, Delcídio Amaral (PT-MS). Por 59 votos a favor 13 contra e uma abstenção, os senadores entenderam numa votação aberta que o petista, ao tentar evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró implicasse-o numa delação premiada da Operação Lava Jato, cometeu um crime inafiançável, passível de permanecer detido por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). É a primeira vez que um parlamentar é preso no exercício do cargo desde a Constituição de 1988.

Um dos 13 senadores investigados na Lava Jato, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou articular desde a manhã para realizar a votação secreta sobre um eventual relaxamento da prisão de Delcídio. O receio de aliados de Renan era o de que a prisão de um senador durante o mandato poderia abrir um precedente perigoso que pudesse envolver outros senadores. E, nesse caso, a votação sem o registro nominal de votos poderia levar à libertação do petista sem expor os senadores perante o Supremo.

Após uma série de conversas com assessores e aliados, o peemedebista decidiu se ancorar no regimento interno do Senado segundo o qual, para análise de prisões como crime inafiançável, será feita sem o registro nominal de votos dos senadores. Mas, pressionado principalmente pela oposição, que recorreu ao Supremo para garantir a votação aberta, submeteu sua posição ao plenário do Senado.

Aliado de Renan, o senador Jader Barbalho (PMDB-MA) foi um dos poucos a defender abertamente o voto secreto ao argumentar que nenhum dos parlamentares ser “fiscalizado” por suas manifestações. “Deus poupe o Senado, poupe o Congresso de viver outros episódios. Se não formos poupados, teremos, amanhã, que examinar outros episódios”, disse. A favor do voto secreto, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) rebateu-o: “Diferentemente do sSenador Jader, quero ser fiscalizado, não quero ser peado, controlado. E não o sou por meus eleitores. Mas quero que eles saibam como eu voto.”

O presidente do Senado duramente derrotado na sua articulação. Ao todo, 52 senadores votaram a favor do voto aberto, 20 pelo secreto e ainda houve uma abstenção. Sete dos 13 investigados na Lava Jato manifestaram-se pelo voto secreto. Pouco antes do fim dessa votação, o ministro do Supremo Luís Edson Fachin havia determinado que a votação fosse aberta, o que teria influenciado no resultado.


Constrangimento – O clima durante todo o dia foi de tensão. A discussão sobre o relaxamento da prisão de Delcídio em plenário durou cerca de duas horas e 45 minutos teve vários momento de constrangimento. Nenhum senador da bancada do PT, que desde cedo se reuniram a portas fechadas, saiu em defesa dele. O Palácio do Planalto também lavou as mãos em relação a Delcídio e só anunciou, no meio da votação sobre o petista, que iria escolher o novo líder na próxima semana. No máximo, houve manifestações de apreço pessoal ao colega preso, como o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) disse ter votado com o “coração cortado”.

Minutos antes de o plenário manter a prisão de Delcídio, Renan fez o mais veemente discurso contra a decisão do Supremo. “O equilíbrio dos poderes não permite a invasão permanente de um Poder em outro Poder, porque isso causará, ao longo dos tempos, um dano muito grande à democracia e nos cabe, como Senadores da República, equiparar esses poderes”, disse. “Nós é que temos que dar resposta. O que não é democrático é nós permitirmos prender um congressista no exercício do mandato sem uma decisão formada Não posso concordar com essa decisão”, criticou.

Dos 13 investigados na operação, cinco votaram pela permanência da prisão de Delcídio: os peemedebistas Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO), Fernando Coelho (PSB-PE), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Benedito de Lira (PP-AL). Pelo relaxamento foram favoráveis o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), e os petistas Gleisi Hoffmann (PR), o Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE). Pela abstenção, votou o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Os senadores do PP Gladson Cameli (AC) e Ciro Nogueira (PI) não participaram, assim como Renan, que, pelo regimento, não se manifesta. Contrariando a orientação da bancada, dois petistas também votaram pela manutenção da prisão: Walter Pinheiro (BA) e Paulo Paim (RS). (Colaborou Daiene Cardoso, Daniel Carvalho e Juliana Braga, especial para o Estado).


Confira como votou cada senador:

Pela revigação da prisão: 

Ângela Portela (PT-RR)

Donizeti Nogueira (PT-TO)

Fernando Collor de Mello (PTB-AL)

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Humberto Costa (PT-PE)

João Alberto Souza (PMDB-MA)

Jorge Viana (PT-AC)

José Pimentel (PT-CE)

Lindbergh Farias (PT-RJ)

Paulo Rocha (PT-PA)

Regina Sousa (PT-PI)

Roberto Rocha (PSB-MA)

Telmário Mota (PDT-RR)


Pela manutenção da prisão:

Acir Gurgacz (PDT-RO)

Aécio Neves (PSDB-MG)

Aloysio Nnes (PSDB-SP)

Ana Amélia (PP-RS)

Antônio Carlos Valadres (PSB-SE)

Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

Benedito de Lira (PP-AL)

Blairo Maggi (PR-MS)

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Cristovam Buarque (PDT-DF)

Dalírio Beber (PSDB-SC)

Dário Berger (PMDB-SC)

Davia Alcolumbre (DEM-AP)

Douglas Cintra (PTB-PE)

Eduardo Amorim (PSC-SE)

Elmano Férrer (PTB-PI)

Eunício Oliveira (PMDB-CE)

Fernando Coelho (PSB-PE)

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

Garibaldi Alves (PMDB-RN)

Hélio José (PSD-DF)

Ivo Cassol (PP-RO)

Jader Barbalho (PMDB-PA)

João Capiberibe (PSB-AP)

José Agripino (DEM-RN)

José Maranhão (PMDB-PB)

José Medeiros (PPS-MT)

José Serra (PSDB-SP)

Lasier Martins (PDT-RS)

Lídice da Mata (PSB-BA)

Lúcia Vânia (PSB-GO)

Magno Malta (PR-ES)

Marcelo Crivella (PRB-RJ)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Omar Aziz (PSD-AM)

Otto Alencar (PSD-BA)

Paulo Bauer (PSDB-SC)

Paulo Paim (PT-RS)

Raimundo Lira (PMDB-PB)

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Reguffe (PDT-DF)

Ricardo Ferraço (PMDB-ES)

Ricardo Franco (DEM-SE)

Roberto Requião (PMDB-PR)

Romário (PSB-RJ)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Ronaldo Caiado (DEM-GO)

Rose de Freitas (PMDB-ES)

Sandra Braga (PMDB-AM)

Sérgio Petecão (PSD-AC)

Simone Tebet (PMDB-MS)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Vaudir Raupp (PMDB-RO)

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Vincentinho Alves (PR-TO)

Valdemir Moka (PMDB-MS)

Walter Pinheiro (PT-BA)

Wilder Morais (PP-GO)

Zeze Perrela (PDT-MG) 


Abstenção:

Edson Lobão (PMDB-MA)

"E la nave và... alla deriva ", artigo de José Serra



O Estado de S.Paulo

“Não há necessidade maior para as pessoas que vivem em comunidade que a de serem governadas, autogovernadas se possível, bem governadas se tiverem sorte, mas, em qualquer caso, governadas”

Walter Lippman

José Serra A economia brasileira passará o réveillon na UTI e nela permanecerá por bom tempo. Sabemos hoje que os vaticínios pessimistas sobre 2015 foram demasiado amenos. A realidade, como se vê neste final de ano, acabou sendo bem mais adversa. O principal indicador do nível da atividade econômica, o PIB, teve contração em torno de 3%. De ponta a ponta, ou seja, comparando este último trimestre com o mesmo período de 2014, a queda estimada é mais forte: 4,5%.

Como o setor agropecuário, ao longo do ano, teve desempenho razoável – cresceu em torno de 2% – e a área de serviços sempre varia em torno da média, os dados ruins do PIB escondem algo pior: a evolução catastrófica da indústria manufatureira, cujo produto caiu em torno de 11%. A marcha para a ruína do setor, iniciada pela política econômica do segundo governo Lula, prossegue implacável. Basta mencionar que o produto industrial nunca mais superou o nível de 2008. Eis a grande marca econômica da era petista: a desindustrialização do Brasil.

A pesquisa mensal do comércio aponta declínio superior a 11% nas vendas no varejo, batendo com o declínio da massa salarial, da ordem de 10,5% de outubro a outubro. Já os investimentos do conjunto da economia têm caído aproximadamente 12% – causa e efeito da queda da indústria. A contração dos investimentos governamentais atinge espantosos 40%!

Do lado do emprego, os números absolutos são impressionantes: no acumulado de 12 meses houve destruição líquida de 1,4 milhão de vagas (carteira assinada) – 557 mil na indústria de transformação e 442 mil na construção civil –, acertando em cheio setores de menores rendimentos. Igual pode ter ocorrido com a remuneração dos trabalhadores no setor informal. Em outubro os rendimentos reais dos brasileiros foram 7% inferiores aos de outubro de 2014.

Pelo menos 1 milhão de assalariados formais perderam seu plano de saúde juntamente com o emprego. Os gastos reais do SUS, incluindo Estados e municípios, caíram em torno de 5% nos dez primeiros meses de 2015 em comparação com 2014. O colapso das finanças municipais e estaduais é assombroso e compromete diretamente o atendimento nas áreas sociais. No caso dos Estados, entre janeiro e agosto, em relação ao mesmo período de 2014, as receitas reais caíram em média 5,4%.

E o futuro próximo? As previsões sobre o PIB apontam para a persistência da retração em 2016, cerca de 2%, que será mais intensa no primeiro semestre.

Do ponto de vista social, ou seja, da oferta de serviços básicos, dos rendimentos e do emprego, o quadro adverso de 2015 vai se acirrar nos próximos meses. Em parte isso se deve ao fato de que as consequências do desemprego sobre a renda e a demanda das famílias são proteladas no Brasil por causa dos benefícios recebidos por quem é demitido. Assim, o trabalhador com carteira assinada que perde o emprego recebe pelo menos o saldo do FGTS recolhido, mais multa de 40% sobre esse saldo, seguro-desemprego, aviso prévio de um mês, férias proporcionais (incluindo o abono de férias) e fração de 13.° salário. Somados, esses benefícios dão alívio temporário aos recém-desempregados. Por isso os efeitos da onda recente de desemprego tenderão a se manifestar com intensidade crescente nos primeiros meses de 2016.

Além dos naturais efeitos da contração industrial que se espraiam por toda a economia, tudo indica que o País se confrontará com a retração da oferta de crédito das instituições financeiras públicas e privadas, cada vez mais temerosas com a insolvência das empresas e alarmadas com o naufrágio de projetos que envolvem a Petrobrás, como é o caso da Sete Brasil.

Um indicador já “antigo” mostra o início desse processo: no terceiro trimestre de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado, as despesas com provisões para devedores duvidosos dos quatro maiores bancos cresceram acentuadamente: Bradesco, 15%; Itaú, 29%; Banco do Brasil, 88%; e Caixa Econômica Federal, 87%. Aliás, o balanço do terceiro trimestre do BB revela forte prejuízo operacional: o lucro líquido apurado só foi possível pela incorporação aos resultados de ativos fiscais diferidos.

Mais ainda, a piora das expectativas dos agentes econômicos funciona como profecia que se autorrealiza. Ou seja, a ideia de que a economia irá mal provoca queda adicional do produto e do emprego. Um vetor nesse sentido vem das agências de rating, cujos veredictos negativos funcionam de forma pró-cíclica, reduzindo investimentos, dificultando e encarecendo a rolagem de financiamentos e redundando em rodadas adicionais de contração da economia.

Convenhamos, de todo modo, que há bons pretextos para essa atitude das agências. De um lado, uma empresa do tamanho da Petrobrás perde capacidade de rolar suas dívidas. Do outro, o déficit público agregado e acumulado aumenta 115% em 12 meses, passando de R$ 250 bilhões em setembro de 2014 para R$ 536 bilhões um ano depois! Só de juros os gastos chegaram a R$ 510 bilhões no período – cerca de cinco vezes o Orçamento federal da educação e 18 vezes o Bolsa Família.

De fato, minha sensação, ou conclusão, é de que dias melhores não virão. A menos que...

A menos que haja uma mudança política de grande profundidade. Ou seja, a economia dependerá mais do que nunca da política. O atual governo, inepto, inseguro, sem rumo nem sustentação congressual, é um elo decisivo do círculo vicioso que empurra o Brasil para trás e para baixo.

Lembro, a esse respeito, a opinião externada em discurso na semana passada por um senador do PSB, Fernando Coelho. Ele propôs que a presidente Dilma Rousseff incite a Câmara de Deputados a apreciar ao menos um dos pedidos de impeachment que se acumulam na Casa. Se vencesse, retomaria alguma condição de governar. Se perdesse, abriria a chance de o Brasil se voltar para o futuro. Do jeito que vai, só lhe restará contemplar o barco que não dirige continuar à deriva no mar bravio.


* JOSÉ SERRA É SENADOR (PSDB-SP)