Estado de São Paulo obtém nova nota 10 em avaliação federal de transparência


São Paulo é o único Estado que conquistou, de forma consecutiva, a nota 10 pela Controladoria-Geral da União (CGU)


Próximo do Dia Internacional contra a Corrupção, celebrado em 9 de dezembro, São Paulo é novamente considerado Estado nota 10 em transparência pública. A informação foi divulgada na última sexta-feira, 20, pela Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pela segunda edição da Escala Brasil Transparente (EBT). O índice mede o grau de transparência pública em Estados e municípios brasileiros quanto ao cumprimento das normas da Lei de Acesso à Informação (LAI). A primeira avaliação foi divulgada em maio deste ano, quando São Paulo e Ceará conquistaram a nota máxima. Como este ano Ceará caiu de posição, São Paulo é o único Estado que conquistou, de forma consecutiva, a nota dez.

Para o ouvidor geral do Estado de São Paulo, Gustavo Ungaro, "o resultado revela que a transparência está prevalecendo sobre a ultrapassada cultura burocrática dos segredos de Estado para tudo, em que o privilegiado detentor da informação guardada a sete chaves buscava poder para si próprio. Hoje o acesso à informação está garantido no maior Estado brasileiro, e as resistências pontuais ou incompreensões sobre o alcance da legislação em vigor são superadas pelo procedimento recursal que envolve a Ouvidoria Geral e a Comissão Estadual de Acesso a Informação, zelando para que as exceções sigilosas não sejam indevidamente aplicadas, pois a regra geral é a publicidade dos dados estatais".

Os pedidos de informação em São Paulo são normalmente realizados por meio dos Serviços de Informações ao Cidadão (SIC) e das Ouvidorias, existentes em todos os órgãos estaduais e acessíveis também pela internet (www.ouvidoria.sp.gov.br).

A pesquisa analisou a situação de 1.613 entes federativos. Entre eles, estão todos os Estados e suas respectivas capitais, os entes já avaliados na primeira edição da Escala, além de novos municípios selecionados por meio de amostra definida por sorteio eletrônico.

Os dados da segunda rodada da EBT revelam que os Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal são os mais transparentes do país. No ranking estadual, quando comparada à primeira pesquisa, Ceará, Pernambuco, Santa Catarina e Sergipe caíram de posição.

Como foi feita a avaliação

Para executar a EBT, foram realizados quatro pedidos de acesso à informação, sendo três voltados para assuntos das principais áreas sociais: saúde, educação e assistência social. A quarta solicitação de informação foi baseada na regulamentação do acesso à informação pelo ente federativo avaliado. O objetivo foi verificar o desempenho e o cumprimento às normas legais e efetividade dos pedidos de acesso (transparência passiva). Os entes avaliados receberam nota de 0 a 10 pontos, calculada pela soma de dois critérios: a regulamentação da Lei de Acesso (25%) e a efetiva existência de transparência passiva (75%).

Oposição quer manutenção da prisão de Delcídio e defende votação aberta no Senado


Após determinação de prisão pelo Superior Tribunal Federal (STF), cabe ao Senado decidir sobre a manutenção ou revogação da prisão do líder do governo na Casa

ISABELA BONFIM, ADRIANA FERNANDES E JULIANA BRAGA - O ESTADO DE S.PAULO


Senadores de oposição defendem manutenção da prisão de Delcídio Amaral (PT-MS) e querem que a votação no Senado seja aberta. Após determinação de prisão pelo Superior Tribunal Federal (STF), cabe ao Senado decidir sobre a manutenção ou revogação da prisão de Delcídio. 

"Posso antecipar que, para nós do PSDB, o caminho natural é obviamente acompanhar a decisão do STF, que já teve a oportunidade de analisar a matéria", afirmou o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG). Ele também defendeu que a decisão sobre a prisão seja tomada ainda nesta quarta-feira, em razão das "graves acusações". Para Aécio, postergar a votação sobre a prisão "transfere uma questão extremamente grave, que circunda um senador da República, para todo o Senado Federal". 

A Constituição Federal determina que o Supremo Tribunal Federal (STF) comunique o Senado em 24 horas em caso de prisão de um senador, mas não dá um prazo para que o Senado avalie a decisão. Mais cedo, Renan Calheiros afirmou que os senadores vão se reunir em um prazo "razoável", mas não determinou qual seria.

O líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO), também defende que o Senado mantenha a prisão determinada pelo STF. "A posição do Democratas será de votar favoravelmente a decisão do ministro Teori, ou seja, da manutenção da prisão", afirmou. O senador argumenta que o Senado não pode desautorizar a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal e o STF. "Todos eles foram unânimes em autorizar (a prisão), é sinal de que existem provas contundentes e graves que não permitem que o Senado Federal desautorize todas essas instituições que tem como obrigação levantar os dados e denúncias existentes."

O senador também pede que a votação aconteça no plenário do Senado e seja aberta. "No momento em que o processo chegar aqui, caberá ao plenário do Senado numa votação nominal aberta se pronunciar sobre a decisão do STF."

Caiado também cobrou que a presidente Dilma se pronuncie e dê explicações sobre a prisão de Delcídio, o primeiro senador a ser preso durante o mandato. "Ele não é apenas um senador, ele é líder do governo, é do PT. É uma matéria que a presidente da República deveria se pronunciar. Não é uma gripe que tiraria a presidente de um momento tão grave", afirmou. 

Para Aécio, tudo relacionado a Lava Jato está "umbilicalmente ligado ao Planalto". "Não se montaria um esquema desse vigor se não houvesse beneplácito do governo, porque ele foi, em última instância, o grande beneficiário desse esquema", afirmou.

'Não vai resistir, não tem mais jeito', diz FHC sobre Cunha


Paula Reverbel - Folha.com

Alex Falcão/Futura Press/Folhapress 
O ex-presidente FHC durante debate ao lado de Eduardo Jorge (esq.), Drauzio Varella e Jean Willys (dir.)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça-feira (24) que a queda do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara é iminente.

"O Cunha não vai resistir, esse cara não tem mais jeito, não tem base para ficar lá", afirmou durante debate sobre temas que são tabu no Brasil, como religião, feminismo, Estado laico, e guerra às drogas.

O ex-presidente defendeu também que o STF (Supremo Tribunal Federal) aceite logo a denúncia contra Cunha apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

"O Supremo primeiro deve fazer o que já deveria ter feito: considerá-lo réu", defendeu. "Porque enquanto ele não for considerado réu, ele formalmente vai se defender. Tem cerca de 70 deputados que também são acusados. É verdade. Então precisa que o Supremo realmente decida", acrescentou enquanto era ovacionado pela platéia.

Antes da fala do tucano, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que também participou do debate, criticou a permanência de Cunha na presidência da Câmara.

" A democracia brasileira se encontra gravemente ameaçada quando alguém que está formalmente acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas preside a Câmara dos Deputados", disse.

"Acho importante que se explique como se construiu um monstro desses", acrescentou Eduardo Jorge (PV), que foi candidato à Presidência da República em 2014.

A frase arrancou gargalhadas da plateia, mas foi levada a sério por Fernando Henrique Cardoso, que respondeu: " Com apoio grande. Tem o empresariado paulista que se encantou por ele."

Corrupção na gestão Celso Daniel era estruturada e se alastrou para a esfera federal, diz juíza


Ao condenar Sombra a 15 anos e meio de prisão, magistrada afirma que quadros importantes do PT 'cederam à corrupção'

FAUSTO MACEDO E RICARDO GALHARDO - ESTADÃO


Em sentença de 117 páginas, na qual condenou a 15 anos e seis meses de prisão o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, a juíza Maria Lucinda da Costa, da 1.ª Vara Criminal de Santo André, assinalou que ‘o esquema de corrupção era tão estruturado que se ramificou’ e atingiu a administração federal. “Encontrou no pensamento coletivo corrompido terreno fértil e se alastrou inclusive para a esfera federal”, escreveu a juíza.

Documento

Sombra é um emblemático personagem do caso Santo André. Ele era muito próximo de Celso Daniel, ex-prefeito do PT executado a tiros em janeiro de 2002. Para o Ministério Público Estadual, o esquema de propinas abastecia caixa 2 do partido. Os promotores afirmam que Celso Daniel foi eliminado porque resolveu dar um fim na arrecadação ilícita em sua gestão ao descobrir que o dinheiro estaria sendo canalizado para o enriquecimento pessoal de Sombra e de outros personagens do caso.

A condenação de Sombra é a primeira imposta pela Justiça no episódio que se transformou em um pesadelo para o PT. Além de Sombra, a juíza condenou o empresário do setor de transportes e de comunicação em Santo André Ronan Maria PInto ( 10 anos e 4 meses de pena) e o ex-secretário municipal Klinger Luiz de Oliveira Souza (15 anos e seis meses). Todos poderão recorrer em liberdade.

A Promotoria atribuiu a Sombra, Ronan e Klinger a liderança de um esquema de arrecadação de propinas no setor de transporte público da cidade do Grande ABC.

A suspeita sobre o suposto caixa 2 do PT surgiu com o depoimento do médico oftalmologista João Francisco Daniel, irmão mais velho de Celso Daniel. Ele revelou que a propina ia para o partido, na ocasião presidido por José Dirceu, mais tarde ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula.

“Os réus, especialmente Klinger e Sérgio (Sombra), ligados que são ao Partido dos Trabalhadores, ocuparam posição de destaque no partido, em uma cidade que congregava a liderança partidária”, assinalou a juíza Maria Lucinda da Costa. “Da administração de Celso Daniel saíram pessoas que ocuparam cargos no primeiro escalão do governo federal petista, como Miriam Belchior e Gilberto Carvalho. Portanto, tinham eles condições de, em fazendo uma administração limpa, fazer frutificar frutos bons. Mas, não, optaram por ceder à corrupção, o que possibilitou a proliferação do esquema maléfico, como depois se tornou público e notório.”

A juíza cita na sentença uma ‘testemunha sigilosa’. “Ouvida no procedimento preparatório, (a testemunha) relatou que soube pela ex-mulher de Celso Daniel que as empresas contratadas pela Municipalidade desviavam recursos dos cofres públicos para o Partido dos Trabalhadores, para utilização em campanhas eleitorais e que os valores eram entregues em mãos do presidente do Partido, José Dirceu.”

A juíza destaca que ‘no caso específico dos autos, não se pode ignorar, ainda, que a estrutura criminosa se instalou em torno de serviço público essencial, utilizado pela camada mais sofrida da população que, não obstante seja a menos favorecida economicamente, foi a que mais sofreu com o aumento dos custos dos serviços impostos para suportar o pagamento da verba ilícita’.

“Como se não bastasse, são atos da espécie que prejudicam a evolução social, o crescimento da economia, a estruturação do Estado Democrático de Direito e, na medida em que causam o descrédito do administrador público, comprometem a imagem de todas as autoridades públicas e toda a estruturação dos entes federativos”, alerta a magistrada.

A juíza cita João Francisco Daniel, irmão de Celso Daniel. “Relatou que após o falecimento do prefeito Celso Daniel, soube por Miram Belchior, ex-esposa do alcaide, que havia um ‘caixa 2′, cuja receita era destinada ao Partido dos Trabalhadores. Ocorre que pouco antes do falecimento de Celso, cogitou-se que parte deste dinheiro estava sendo desviada em proveito próprio de Klinger, Ronan e Sérgio, tanto que Celso confidenciou ao irmão que estava fazendo um dossiê contra os réus. Posteriormente, Miriam teria relatado à testemunha que “…Klinger direcionava as licitações, o denunciado Ronan seria o beneficiário dessas licitações….e por fim o denunciado Sérgio era o responsável para manter o contato com os empresários de Santo André….Sérgio era um homem violento e responsável pela arrecadação junto aos empresários…”, inclusive, exibindo-lhes arma de fogo durante as reuniões. Finalmente, o dinheiro seria encaminhado ao PT, na pessoa de José Dirceu, por Gilberto Carvalho.”

Perante a CPI que se instalou na Câmara municipal de Santo André, João Francisco disse que ‘o esquema lhe teria sido relatado também por Gilberto Carvalho’.

Tais informações foram desmentidas por Miriam Belchior e por Gilberto Carvalho, segundo a própria sentença da juíza de Santo André. “Também não se ignora que, ouvida pela CPI, Miriam desmentiu o ex-cunhado, assim como Gilberto Carvalho o fez. Entretanto, ainda que não se tenha provado o conhecimento de Miriam e de Gilberto acerca do esquema criminoso, certo é que os depósitos, documentalmente comprovados, são mais que suficientes para provar a existência do grupo criminoso. As demais testemunhas, embora não contribuam para confirmar a acusação, também não bastam para afastar as robustas provas produzidas.”

A juíza cita, ainda, Ivone de Santanta, viúva de Celso Daniel. “Descreveu que no primeiro mandato de Celso, Sérgio trabalhou no gabinete do Prefeito e Klinger era funcionário da Prefeitura. No segundo e terceiro mandatos, Sérgio, por não residir em São Paulo, não ocupou cargo na Prefeitura Municipal e Klinger passou a Secretário. Asseverou que o relacionamento do falecido Prefeito com o irmão João Francisco não era próximo, porque Celso não gostava de ser procurado para atender interesses pessoais do irmão, cujo filho era patrocinado no basquete pela família Gabrilli (proprietária de uma empresa de transportes). Enfatizou que João Francisco pressionava o prefeito para interceder na Administração em favor de Gabrilli. Por outro lado, Ivone negou que Celso estivesse fazendo um dossiê contra Klinger, Ronan e Sérgio. Ao contrário, sustentou que a relação de amizade entre Celso e Klinger nunca foi abalada.”

Justiça condena Sombra, do caso Celso Daniel, a 15 anos de prisão por corrupção


Sérgio Gomes da Silva, ligado a ex-prefeito do PT de Santo André assassinado em 2002, é acusado de liderar esquema de cobrança de propinas de empresas de transporte

FAUSTO MACEDO E RICARDO GALHARDO - ESTADÃO


Sérgio Gomes da Silva, o Sombra e Celso Daniel


Sentença da 1.ª Vara Criminal de Santo André (Grande São Paulo) condenou os empresários Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Ronan Maria Pinto, além do ex-secretário de Serviços Municipais da cidade, Klinger Luiz de Oliveira Sousa, acusados de liderar esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela Prefeitura na gestão do prefeito do PT Celso Daniel – executado a tiros em janeiro de 2002.


Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, os empresários que não entregassem quantias em dinheiro eram ameaçados de terem os contratos com a Prefeitura suspensos.

Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes. Sérgio Gomes da Silva e Klinger Luiz de Oliveira Souza a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes.

O caso Celso Daniel é um capítulo emblemático do PT. O então prefeito foi sequestrado e assassinado a tiros em uma estrada de terra de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. O Ministério Público Estadual afirma que ele foi vítima de crime político porque tentou interromper o ciclo da corrupção em sua gestão quando descobriu que a propina era destinada ao enriquecimento pessoal de Sombra e outros personagens.

Por sua vez, a polícia concluiu que o petista foi morto por ‘criminosos comuns’.

Em sua decisão, a juíza Maria Lucinda da Costa esclareceu que ficou comprovado que todos os responsáveis pelas empresas de transportes que atuavam em Santo André contribuíam, na proporção do número de ônibus que possuíam, para organização criminosa instituída. “É inafastável a condenação de Klinger, Ronan e Sérgio, ‘pois fartas são as provas de recebimento de valores de modo ilícito, bem como a destinação pessoal do proveito da corrupção’.

“Não há tese defensiva que leve à absolvição”, concluiu a juíza Maria Lucinda da Costa. Outros réus (empresários e diretores de empresas e associações) foram absolvidos.

As defesas de Ronan Maria Pinto e Klinger sempre negaram qualquer tipo de envolvimento deles em corrupção na administração Celso Daniel. Todos poderão recorrer da sentença de condenação.


Líder do Governo no Senado, Delcídio ofereceu rota de fuga para Cerveró


Oferta, que também beneficiaria André Esteves, aparece em áudio interceptado pela Polícia Federal

Andreza Matais, Beatriz Bulla, Ricardo Rito e Julia Affonso - Estadão

Nestor Cerveró e Delcídio do Amaral

A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, e do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, foi motivada pela tentativa de evitar que o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional) mencionasse ambos em sua delação premiada. Uma conversa do petista foi interceptada pela Polícia Federal. Delcídio do Amaral e André Esteves foram presos nesta quarta-feira, 25.

André Esteves e Delcídio do Amaral. Fotos: Estadão

No áudio, ele faria propostas para pessoa do entorno de Cerveró com o objetivo de que seu nome e o de Esteves não aparecessem na delação premiada do ex-diretor. No áudio, Delcídio oferece rotas de fuga para Cerveró. O ex-diretor está preso em Curitiba, base da Lava Jato, desde janeiro deste ano.

Delcídio do Amaral foi levado para a Superintêndencia da PF, no Distrito Federal. Ele chegou às 8h15 em um carro da PF.

Cerveró já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Senador Delcídio Amaral, líder de Dilma no Senado é preso suspeito de atrapalhar Lava Jato


Andreza Matais, Beatriz Bulla, Ricardo Rito e Julia Affonso - Estadão

Esta é a primeira vez que um senador é preso no exercício do mandato


O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a deflagrar uma operação nesta quarta-feira, 25, que levou a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, investigado pela Operação Lava Jato. O parlamentar teria sido flagrado na tentativa de prejudicar as investigações contra ele, em uma tentativa de destruir provas contra ele.

Também foram presos o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, e Diogo Ferreira, chefe de gabinete do Delcidio do Amaral, e o advogado Edson Siqueira Ribeiro Filho, que defende o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró.

Esta é a primeira vez que um senador com mandato em exercício é preso. A PF também fez busca e apreensão no gabinete do petista, no Senado, em Brasília, e nos estados do Rio, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.

A prisão de Delcídio é resultado de uma operação deflagrada hoje pela Polícia Federal, que também tem como alvo empresários. As ações foram autorizadas pelo Supremo. Não se trata de uma fase da Lava Jato tocada em Curitiba, na 1ª instância.

O senador foi preso no hotel Golden Tulip, onde mora em Brasília, mesmo local onde na terça-feira, 24, a PF prende o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Delcídio do Amaral foi citado na delação do lobista Fernando Baiano, apontado pela Lava Jato como operador de propinas no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Fernando Baiano disse que Delcídio do Amaral teria recebido US$ 1,5 milhão em espécie na operação de compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O Estado apurou que pela amanhã que o ministro Teori Zavascki convocou uma reunião extraordinária da Turma dedicada à Lava Jato. A reunião da Corte será reservada, que é algo raro.

De acordo com fonte no tribunal, a sessão foi marcada pelo presidente da Turma, ministro Dias Toffoli, a pedido do ministro Teori Zavascki, relator dos casos relativos ao esquema de corrupção na Petrobrás.

Zavascki informou nesta terça, 24, o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, de que seria realizada sessão na quarta, 25, para debater uma decisão importante. O informe a Lewandowski foi feito pessoalmente pelo relator dos processos da Lava Jato na Corte e não pelo presidente da Turma, ministro Dias Toffoli, a quem cabe usualmente fazer os comunicados institucionais.

O advogado Mauricio Silva Leite, que defende o senador petista, disse que vai primeiro tomar ciência dos motivos da prisão de Delcídio, para depois se manifestar.