Governador Geraldo Alckmin vai solicitar à Anvisa liberação de uso da fosfoetanolamina


Hospitais, institutos de pesquisa e laboratório também ficarão à disposição para concluir etapas para aprovação final da substância


O governador Geraldo Alckmin recebeu ontem (23/11) o professor Gilberto Chierice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, para tratarem do uso da fosfoetanolamina por pacientes com câncer. A audiência no Palácio dos Bandeirantes também teve a participação de parlamentares.

Alckmin se comprometeu a solicitar à Anvisa que autorize o regime compassivo, que abre exceção para que a substância possa ser utilizada até que tenha aprovação final do Governo Federal.

O Governo do Estado de São Paulo também colocou à disposição do pesquisador toda a estrutura do Estado, como hospitais, institutos de pesquisa e o laboratório FURP, para ajudar na conclusão das etapas para aprovação final da substância.

"O que está por trás da ocupação das escolas em SP", artigo de José Fucs


Estimulada pela Apeoesp e pelo MTST, a invasão está longe de ser uma iniciativa que brotou da insatisfação genuína dos alunos com a reestruturação da rede escolar

Época

Cartazes colados no centro de São Paulo em meados de novembro. Será que foram produzidos por estudantes secundaristas? (Foto: José Fucs)

Dê uma lida nos cartazes acima, que eu mesmo fotografei no centro de São Paulo na quarta-feira da semana passada, ao passar de carro pela região a caminho de uma entrevista.

Eles fazem uma convocação de professores, alunos, pais, funcionários e da comunidade “contra o fechamento de escolas e a bagunça na rede estadual de ensino”. 

Se perguntar não ofende, como diz o velho dito popular, então responda à seguinte pergunta: você acredita que esses cartazes, que estão espalhados por toda a cidade, foram realmente produzidos, distribuídos e colados por aí pelos estudantes secundaristas? Ou será que você, como eu, pensa que esse movimento de protesto contra a reestruturação da rede escolar paulista, que já resultou na ocupação ilegal de quase 100 escolas no Estado, tem pouco ou nada a ver com os alunos?

Não sou um especialista na área de educação, nem advogado do governador Geraldo Alckmin, mas não precisa ser muito inteligente para perceber que há algo estranho, muito estranho, por trás das ocupações em série de escolas em São Paulo nas últimas semanas.

É difícil acreditar que uma medida administrativa -- destinada a separar os alunos por escolas de acordo com o ciclo, como acontece em vários países desenvolvidos, e a adaptar a rede escolar, que perdeu dois milhões de alunos desde 1998, à demanda atual -- tenha motivado uma reação desse calibre.

Com base nas informações divulgadas até agora pela mídia, não tenho dúvida de que as ocupações são uma ação articulada por grupos ligados ao PT e pelas chamadas "organizações sociais” que lhe dão apoio, inclusive as entidades que reúnem os secundaristas, aparelhadas pelo partido.

Não por acaso, logo nas primeiras ocupações de escolas, pipocaram “alunos” do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), os maiores ocupantes ilegais de propriedades públicas e privadas do país, tradicionalmente adulados por Dilma, Lula e pelo PT.

Desde os primeiros protestos contra a decisão, também era possível detectar o protagonismo assumido por professores ligados à Apeoesp (a entidade que reúne os professores do ensino oficial de São Paulo), sob o pretexto de apoiar as "reivindicações" dos secundaristas.

Derrotada no primeiro semestre deste ano na mais longa greve de professores da história de São Paulo, com duração de 92 dias, a Apeosp esperava apenas um pretexto para poder “dar o troco” em Alckmin – e ele veio agora com a reestruturação da rede escolar.

Além de criar um fato político, em meio ao petrolão e à recessão recorde gerada pelo governo federal, a Apeoesp, uma das mais truculentas entidades sindicais do país, está usando a reestruturação das escolas para manter seus privilégios corporativistas. Ela quer evitar a adoção da meritocracia no ensino, a avaliação dos professores e a elaboração de um diagnóstico claro para melhorar a qualidade das escolas de São Paulo, que deveria ser o principal objetivo de qualquer professor digno do nome. 

Com o apoio digital dos autodenominados “blogueiros independentes”, que de independentes não têm nada, a ocupação das escolas em São Paulo passou a ser glorificada nas redes sociais, sem que ninguém tenha sequer se preocupado em discutir seriamente o assunto do ponto de vista pedagógico. Agora, até a legítima reintegração de posse dos prédios está sendo considerada pelas milícias digitais do PT como uma ação “antidemocrática” do governo paulista. 

Infelizmente, neste caso, o que menos importa para os ocupantes das escolas é a melhoria da educação no Estado e de sua eficiência. Por isso, o que deveria ser uma questão técnica tornou-se um conflito ideológico. É o que o PT e seus satélites costumam fazer com tudo que é implementado por quem não tem ligação com eles.

Amigo de Lula é preso pela Polícia Federal



PF deflagra Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato, e prende amigo de Lula 

Andreza Matais, Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt - Estadão



A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 24, a Operação Passe Livre, 21ª fase da Operação Lava Jato. As investigações desta etapa, segundo a PF, partem de apuração das circunstâncias de contratação de navio sonda pela Petrobrás com ‘concretos indícios de fraude no procedimento licitatório’. O empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, foi preso em Brasília.

O pecuarista prestaria depoimento à CPI do BNDES hoje.

Segundo a PF, 140 policiais federais e 23 auditores fiscais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e 6 mandados de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor – nas cidades de São Paulo, Lins (SP), Piracicaba (SP), Rio de Janeiro, Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Brasília.

“Segundo apurações, complexas medidas de engenharia financeira foram utilizadas pelos investigados com o objetivo de ocultar a real destinação dos valores indevidos pagos a agentes públicos e diretores da estatal”, informou a PF em nota.

'Tese do impeachment não se enfraqueceu, apenas mudou de data', diz Geraldo Alckmin



Governador de São Paulo afirma que análise de pedidos de afastamento de Dilma foi adiada para 2016 devido à crise envolvendo Eduardo Cunha, entre outros motivos 

RICARDO CHAPOLA E ANA FERNANDES - O ESTADO DE S.PAULO 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin 

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesse domingo, 30, que pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff não perderam força no Congresso, mas que sua análise pelos parlamentares "mudou de data". "Eu acho que o impeachment não enfraqueceu. Mudou de data. O que poderia ser feito neste ano vai ser feito depois da Páscoa", disse o governador, em entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes.

Alckmin atribuiu a mudança de data, entre outros motivos, à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no mês passado, que suspendeu o rito do processo do impeachment definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após a decisão, o peemedebista revogou o entendimento questionado pela Corte.

"Mudou em razão do rito que foi estabelecido pelo STF e em razão também da crise na Câmara, do presidente da Câmara", afirmou Alckmin. Cunha é alvo de investigações no âmbito da Operação Lava Jato devido a suspeitas de que ele recebeu propina com dinheiro desviado da Petrobrás por meio de contas na Suíça. Ele também é alvo de pedido de cassação feito ao Conselho de Ética pelo PSOL.

O governador afirmou que a proposta do impeachment, se for votada, tem chance de avançar. "Acho que o dia em que colocar em votação não vai ser uma questão descartada", disse ele, ao citar como exemplo o processo contra então presidente Fernando Collor de Melo, em 1992. "Na época do presidente Collor, ninguém acreditava que pudesse (ter impeachment). Em 30 dias, tudo mudou."

Durante a entrevista, o governador também disse que Dilma é uma pessoa "séria", mas ponderou que, em crime de responsabilidade, "não precisa que a pessoa ponha dinheiro no bolso". "Eu tenho a impressão pessoal, de seriedade da presidente. Quando se fala em crime de responsabilidade, não é que a pessoa pôs dinheiro no bolso", afirmou.

Paralisia. Alckmin defendeu que se investigue e que se julgue os indícios contra a presidente e afirmou que o mais importante é que haja decisões rápidas, seja no processo das contas do governo de 2014 no Tribunal de Contas da União (TCU), em relação às chamadas "pedaladas fiscais", seja da campanha por suspeita de abuso de poder político e econômico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou do impeachment no Congresso. "O País não aguenta ficar mais um ano parado, a economia não resiste a isso", disse.

O governador de São Paulo afirmou ainda que, na eventualidade de Dilma ser afastada e haver uma gestão do vice-presidente Michel Temer, o PSDB não precisaria participar do governo para dar sua contribuição ao País. O tucano evitou uma resposta direta, mas deu a entender ter uma postura diferente de outros líderes do seu partido. "Primeiro tem que saber se vai ter impeachment. Na hipótese de um governo de Michel Temer ver se ele vai convidar o PSDB ou não", ponderou.

O governador paulista disse que, a seu ver, o PSDB tem que ter responsabilidade e deve ajudar o governo - seja qual for de Dilma ou de Temer - nas questões nacionais. Ele defendeu a separação das questões partidárias daquilo que é interesse do Estado brasileiro e que essa contribuição o partido poderia dar sem integrar um eventual governo Temer. "Não precisa participar de governo pra isso", afirmou.

Candidatura. Alckmin desconversou também sobre a possibilidade de ser candidato à Presidência em 2018, dizendo que a data "está muito longe". "Três anos nessa circunstância (de crise política) são três séculos", disse. Sobre ter sido praticamente lançado candidato presidencial por aliados, na convenção estadual do PSDB paulista em junho, minimizou. "Foi generosidade, tudo tem seu tempo." 

"A aula do professor Lula ", editorial do Estadão



O Estado de S.Paulo


No 30.º Congresso Nacional da Juventude do PT, o ex-presidente Lula revelou qual é seu sonho: “O ideal de um partido é que ele pudesse ganhar a Presidência da República, 27 governadores, 81 senadores e 513 deputados sem se aliar a ninguém”.

Eis aí, sem meias-palavras, aquele que diz ter sido o “mais republicano” de todos os presidentes e que reiteradas vezes declara que “ninguém fez mais pela democracia do que nós (os petistas) na história deste país”. Não se tratou de um ato falho. A esta altura, já está claro para todos, a começar pelos próprios aliados do PT no governo, que o desejo de Lula foi, é e sempre será governar sozinho, sem ter de dar satisfação a quem quer que seja, numa negação do próprio espírito da democracia.

Foi essa a aula de autoritarismo que o professor Lula ministrou para a turma jovem do PT. Mestre em descaramento, o ex-presidente admitiu que, como existem outros partidos políticos que também ganham votos, então é o caso de “aceitar o resultado e construir a governabilidade”. Assim, Lula tentou justificar a aliança com o PMDB, repudiada pelos militantes petistas no encontro.

Por “construir a governabilidade”, como comprovam os escândalos envolvendo o PT e seus aliados, entenda-se dividir o butim estatal para financiar a perpetuação no poder e, de quebra, enriquecer a tigrada. “Entre a política e o sonho, entre o meu desejo ideológico partidário e o mundo real da política, tem uma distancia enorme. Precisamos aceitar e fazer alianças, em nome da governabilidade”, pontificou Lula, sugerindo que o PT não teve alternativa senão juntar-se à escumalha do Congresso para governar, já que não ganhou a eleição sozinho.

O Lula que articulou esse presidencialismo de cooptação, corrupto por definição, é o mesmo Lula que exortou os jovens militantes petistas a acreditarem na política. Ele se disse preocupado com a “tentativa de setores dos meios de comunicação e da sociedade de induzir a sociedade brasileira a não gostar de política”. Para o chefão petista, a imprensa “trabalha para mostrar que a política está apodrecida”.

Mais uma vez, Lula atribui a terceiros – os tais “setores dos meios de comunicação e da sociedade” – a responsabilidade pelo colapso moral que se abateu sobre a política nacional, para a qual o mensalão, o petrolão e outros tantos escândalos contribuíram de forma decisiva. Lula quer fazer o País acreditar que a corrupção que carcome a política – resultado direto do jogo sujo lulopetista – só existe porque a imprensa a noticia e porque parte da sociedade contra ela se revolta.

Além disso, Lula também quer fazer acreditar que a desastrosa situação política e econômica do País é resultado não da incompetência da presidente Dilma Rousseff, mas de sabotagem de oposicionistas, que “perderam e não souberam perder”. Sem corar, ele exortou os correligionários a “ajudar a Dilma a sair da encalacrada em que a oposição nos colocou”.

É com lições desse tipo que Lula pretende formar uma nova geração de petistas, à sua imagem e semelhança – isto é, gente que aceita a ruína da política como um fato da vida, que se aproveita disso da melhor maneira possível para conquistar e preservar o poder e que, se flagrada dilapidando o erário por corrupção ou inépcia, culpa a imprensa que, ora vejam, insiste em investigar os malfeitos e torná-los públicos.

Os ensinamentos do mestre Lula já começam a dar frutos. No tal congresso da juventude petista, havia um cartaz em que José Dirceu, José Genoino, João Vaccari Neto, Delúbio Soares e João Paulo Cunha, todos condenados por corrupção, foram retratados como “guerreiros do povo brasileiro”, injustamente condenados graças à pressão da mídia.


“São presos políticos”, disse Maria Beatriz da Silva Sato Rosa, de 20 anos, neta de Lula, mostrando que quem sai aos seus não degenera e que os novos petistas aprenderam direitinho a principal lição do líder: fingir-se de vítima de um sistema feito para criminalizar o PT. E tudo porque, segundo a jovem herdeira de Lula, “eles têm medo de que ele volte”.

"Conclamação do PSDB", artigo de Alberto Goldman


Folha de S.Paulo

Se sobrasse a Dilma Rousseff e a Eduardo Cunha um mínimo de patriotismo e respeito pelo povo brasileiro, eles renunciariam. Mas, se não pudermos contar com eles, voluntariamente, devemos mobilizar o povo nas ruas para que suas renúncias se imponham ou os processos de perda de seus mandatos se efetivem por ação do Congresso Nacional, nos termos da Constituição.

Dilma perdeu a capacidade de exercer o mandato de presidente da República. Não comanda nem seu próprio ministério. Lula tem de fato o comando do governo.

A Cunha falta a autoridade moral indispensável para presidir a Câmara dos Deputados. Isso fica mais claro a cada dia.

Na Câmara, o resultado será um novo presidente. Na Presidência da República, a assunção de Michel Temer, substituto legal, a não ser que a investigação sobre recursos eleitorais supostamente advindos de corrupção leve o TSE a cassar os mandatos de ambos.

O PSDB não pode mais adiar sua posição. Já perdemos muito tempo de forma, no mínimo, ingênua. Ela deve ser clara, incisiva e mobilizadora, propositiva de algumas reformas, um mínimo consenso para enfrentar a crise e abrir a perspectiva de retomada do desenvolvimento.

O ajuste fiscal é premente. Significa limitação dos gastos públicos, de maneira a não afetar os que mais dependem do Estado, com o objetivo de combate à inflação e retomada de investimentos.

O Estado brasileiro precisa de reformas que lhe dê condições de articular e regular as diversas forças da sociedade, sem que o exagerado ativismo governamental coíba a ação dos mercados e sem que esses predominem sobre o interesse público.

Dentre as reformas, garantir o futuro da Previdência é crucial. Não há como sustentar aposentadorias precoces quando a taxa de natalidade cai e a expectativa de vida sobe.

A reforma trabalhista é imperiosa. As relações de trabalho, subordinadas aos princípios de equidade e razoabilidade, devem ter flexibilidade para que patrões e trabalhadores possam se ajustar, sem a imposição de regras rígidas, para garantir empregos e salários.

A questão federativa é essencial para que o Estado –nos níveis nacional, estadual e municipal– possa funcionar adequadamente e atender às necessidades da população.

A questão energética é urgente. Deve ser focada em fontes não poluidoras, que não devastem florestas, não agridam o meio ambiente e não expulsem milhares de pessoas de suas regiões.

A segurança pública não pode ser mais vista como um problema dos Estados, mas uma questão nacional.

É preciso mudanças nas instituições políticas, a começar pela limitação da existência de partidos e o fim das coligações nas eleições legislativas, fonte de negociatas.

Finalmente, como questão estratégica mais importante, a educação. Precisamos buscar uma escola pública de qualidade, da pré-escola até o ensino médio, uma preparação técnica para o exercício de uma profissão e um ensino superior formando quadros capazes de guiar nosso desenvolvimento.

Essa é a agenda que o PSDB, com a responsabilidade que tem para com o país, deve assumir.


*ALBERTO GOLDMAN, 78, ex-governador de São Paulo (2010-2011), é vice-presidente nacional do PSDB