Vaccari guardava propina em caixas de presentes coloridas, relata delator


O lobista Milton Pascowitch disse à Polícia Federal, em 10 de setembro, que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto recebeu RS 10 milhões, em dinheiro vivo, na sede nacional do PT, em São Paulo, entre 2009 e 2011

RICARDO BRANDT, FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO E MATEUS COUTINHO - ESTADÃO


O lobista Milton Pascowitch afirmou à Polícia Federal que, entre o final de 2009 e início de 2011, repassou R$ 10 milhões em dinheiro vivo ao então tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto – preso na Operação Lava Jato. Segundo Pascowitch, os valores foram entregues ‘na sala de Vaccari no diretório do PT na praça da Sé’. A sede nacional do partido fica na Rua Silveira Martins, Sé, centro de São Paulo.

“João Vaccari solicitava o auxílio do declarante (Pascowitch) para separar os recursos em pacotes de R$ 25 mil e depois os guardava em caixas de presentes coloridas que ficavam em um armário atrás da mesa de reuniões”.

“Recorda-se de que na sala de Vaccari havia uma mesa de reuniões redonda, onde o mesmo trabalhava, bem como o referido armário.”

Ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi criminalmente acusado de levar propinas ao partido

O relato do lobista, um dos delatores da Operação Lava Jato, foi dado à PF no dia 10 de setembro e agora foi juntado a um dos processos da Lava Jato. O delegado Eduardo Mauat da Silva tomou o depoimento de Pascowitch, que chegou a ser preso – para reconquistar a liberdade, ele fechou termo de delação premiada.

Pascowitch é dono da Jamp Engenheiros Associados, empresa usada para dar fluxo ao repasse de propinas de empreiteiras contratadas pela Petrobrás destinadas a políticos e diretores da própria estatal. É o segundo delator que revela a entrega de dinheiro em espécie dentro do PT. Antes, o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato, já havia declarado à força-tarefa do Ministério Público Federal que R$ 400 mil foram entregues a Vaccari na sede do partido.


Na semana passada, a pedido do Ministério Público Federal, o juiz Sérgio Moro decretou a quebra do sigilo telefônico do PT, alcançando a linha-tronco. O PT não comentou.

Pascowitch foi decisivo para a Operação Pixuleco, desencadeada em 3 de agosto, que levou à prisão o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula). O lobista relatou esquema de propinas para o ex-ministro por meio da empresa de consultoria de Dirceu – este, por meio de sua defesa, nega recebimento de valores ilícitos.

No depoimento de 10 de setembro, Pascowitch revelou que foi apresentado a Vaccari pelo então diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, em 2009. “O motivo dessa conversa foi esclarecer que o declarante deveria tratar com João Vaccari acerca das contribuições a serem destinadas pela empresa Engevix e coligadas ao Partido dos Trabalhadores”, declarou o lobista.

Segundo ele, ‘o primeiro montante significativo’ repassado ao PT foi decorrente de contrato de construção de cascos de navios. Após a Engevix ter sido declarada vencedora de licitação para entrega de oito cascos à Petrobrás ele afirma ter sido procurado por Vaccari. Eles se encontraram na sede do PT, diz Pascowitch.

“Nessa negociação foi sugerido que a Engevix fizesse uma contribuição na ordem de 0,5% sobre o valor do contrato, o que corresponderia a R$ 14 milhões no ano de 2010.

O pedido inicial era de cerca de R$ 18 milhões, tendo sido reduzido após a negociação, oportunidade em que o declarante destacou que o contrato seria executado ao longo de sete anos. Por solicitação de João Vaccari parte desse valor de R$ 14 milhões deveria ser paga em ‘recursos livres’ ou seja, em espécie.”

Segundo o lobista, para ‘fazer frente à essa obrigação’ utilizou valores que seriam pagos mensalmente em espécie a título de propinas pelas empresas Hope Recursos Humanos e Personal Service. Pascowitch afirma que o dinheiro era destinado inicialmente a Renato Duque, José Dirceu e ao empresário

Fernando Moura, braço do PT dentro da Petrobrás, e ao próprio lobista. “Esse repasse mensal propiciado pelas empresas Hope e Personal perdurou de 2009 a 2012, sendo o montante médio mensal de cerca de R$ 500 mil.”

“A fim de obter o ressarcimento desses recursos pagos para quitar as comissões ‘devidas’ por parte da Engevix ao Partido dos Trabalhadores foram celebrados contratos de consultoria junto a essa empresa por parte da Jamp Engenheiros Associados. No período entre o final de 2009 e início de 2011 o repasse em espécie feito a João Vaccari alcançou a cifra de dez milhões de reais.”

Lobista diz que Gabrielli sabia sobre 'acertos políticos' na Petrobras


Folha.com

Lula e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli

Em depoimento de delação premiada na operação Lava Jato, o lobista ligado ao PMDB Fernando Soares, conhecido como Baiano, disse que dois ex-diretores da Petrobras afirmaram a ele que o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli sabia sobre "acertos políticos" relacionados a propinas em contratos da refinaria de Pasadena, localizada nos Estados Unidos.

O delator apontou também que ex-dirigentes da estatal disseram a ele que tais acertos levariam ao pagamento de "um valor considerável de propina" ao PT (Partido dos Trabalhadores) e ao PP (Partido Progressista).

O testemunho de Soares confirma o depoimento feito aos investigadores da Lava Jato pelo engenheiro Agosthilde Mônaco de Carvalho, ex-funcionário da Petrobras. Segundo Carvalho, a compra de Pasadena, aprovada pela Petrobras em 2006, foi feita para "honrar compromissos políticos" de Gabrielli, à época presidente da estatal.

No depoimento prestado à força tarefa da Lava Jato em setembro passado, Soares disse que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró comentaram que Gabrielli "tinha conhecimento" sobre os "acertos políticos" ligados aos contratos de Pasadena.

Quando ao repasse de propina ao PT e ao PP, Soares disse que essa informação foi transmitida a ele por Cerveró e pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Soares afirmou que ouviu dizer que o suborno seria pago pelas empreiteiras Odebrecht e UTC, executoras de obras em Pasadena.

O trecho da delação de Soares quanto a Pasadena e o depoimento de Agosthilde Mônaco de Carvalho foram usados para a deflagração da 20ª fase da Lava Jato, intitulada "Operação Corrosão", na manhã desta segunda-feira (16).

Em seu testemunho, Carvalho disse que a negociação de Pasadena foi realizada "na bacia das almas", já que a refinaria dos EUA tinha uma série de problemas operacionais.

Mônaco era assistente do então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, preso desde janeiro e réu em dois processos da Lava Jato. Em seu depoimento, ele afirmou que Cerveró foi afastado da diretoria da Petrobras porque foi pressionado a pagar R$ 400 mil mensais à bancada do PMDB de Minas Gerais. Como não pagou, acabou saindo do cargo.

Foi ele quem contou que Pasadena foi apelidada, internamente, de "ruivinha", por causa da quantidade de equipamentos enferrujados –daí o nome da 20ª fase da Lava Jato, Operação Corrosão.

Polícia investiga sítio usado por Lula


Flávio Ferreira e Graciliano Rocha - Folha.com


A Polícia Federal investiga se a empreiteira OAS beneficiou a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagar por obras feitas em um sítio no interior de São Paulo que é frequentado pelo petista e seus parentes.

A apuração faz parte de um pedido de perícia contábil para saber se a OAS fez repasses de propinas para políticos, agentes públicos e partidos políticos em operações de lavagem de dinheiro.

Com 150 mil m², o sítio fica na cidade de Atibaia (SP) e está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar –ambos sócios de Fábio Luís da Silva, filho do e­­x-presidente.


Além do requerimento para elaboração de laudo sobre o sítio, a Polícia Federal também encaminhou na última quinta-feira (12) um ofício ao CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo) pedindo a documentação referente a obras feitas no imóvel, tecnicamente denominada ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

Em abril, a revista "Veja" publicou a informação de que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, então preso na Operação Lava Jato, realizou uma reforma no sítio de Atibaia a pedido de Lula, seu amigo.

Posteriormente Pinheiro foi solto por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para se defender em liberdade e em seguida foi condenado a 16 anos de prisão pelo juiz federal Sergio Moro.

De acordo com a revista, o ex-presidente costuma pescar na propriedade rural.

Atribuindo as informações a anotações feitas por Pinheiro no Complexo Médico Penal, em Curitiba, a revista afirma que as obras foram realizadas no primeiro semestre de 2011 e incluíram a reforma completa de duas casas, a construção de um pavilhão e de área para churrasqueira, a ampliação de uma piscina e a instalação de um campo de futebol, além da transformação de um antigo lago em tanques de peixe.

A publicação afirmou, na ocasião, que os operários trabalharam em turnos de dia e noite, incluindo finais de semana, para acelerar a conclusão das obras e receberiam seus pagamentos em dinheiro vivo. Os trabalhos teriam sido coordenados pelo arquiteto Igenes Irigaray Neto, que, ainda segundo "Veja", teria sido indicado pelo empresário José Carlos Bumlai, outro amigo de Lula.

De acordo com a "Veja", as anotações do empreiteiro à época seriam o esboço de um possível acordo de delação premiada, o que não foi formalizado até hoje.

PERÍCIA

Na perícia que envolverá o sítio a PF também vai analisar contratos da OAS com a Petrobras de 2004 a 2014 e as transações financeiras entre a empreiteira e agentes públicos e partidos políticos nesse período, com base em quebra de sigilo fiscal e bancário. O objetivo é descobrir eventuais operações de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.