Folha ERROU em texto sobre números da Polícia Militar de SP



A reportagem "Manobra da gestão Alckmin diminui homicídios em SP", publicada na segunda (9), está incorreta. O jornal afirmou que o governo paulista, em abril deste ano, passou a expurgar da contabilidade oficial de homicídios dolosos as mortes praticadas por PMs em folga sem indício de ilicitude, como as em legítima defesa.

Ao descontar essas ocorrências, segundo a reportagem, a gestão tucana teria melhorado artificialmente os resultados de homicídios divulgados ao público. Após contestação do governo e com base nos dados disponíveis, a Folha não encontrou provas de que a prática de excluir essas mortes perpetradas por policiais teria sido alterada.

Uma checagem completa somente será possível por meio de uma auditoria em todos os boletins de ocorrência do Estado, o que será solicitado pelo jornal via Lei de Acesso à Informação.

O governo diz que o método de contabilidade permanece o mesmo desde governos anteriores e que sempre computou fora dos homicídios as ocorrências em que um PM de folga mata alguém agindo dentro de suas prerrogativas funcionais.

A reportagem foi produzida com base em informações do "Diário Oficial" e de resoluções internas do próprio governo paulista. O levantamento da Folha foi refeito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, especializado em estatísticas criminais, que chegou às mesmas conclusões.

No dia da publicação da reportagem, porém, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) divulgou duas versões sobre a metodologia que passara a utilizar. Primeiro, ao negar a manobra, disse que nenhuma morte fora retirada da conta dos homicídios e que essa estatística estava preservada.

Essas mortes por PMs de folga em legítima defesa, a partir de abril, deixaram de ser classificadas como "homicídio doloso (reações)" e passaram a ser chamadas de "pessoas mortas por policiais militares de folga".

A secretaria dizia que a mudança era metodológica. O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, usou esse argumento ao negar à Folha acesso a parte dos dados.

Então, ele dizia que "letalidade policial é policial atuando em serviço". Depois, mudou: letalidade envolve tanto policiais "em serviço" como "fora de serviço".

Mas, na noite de segunda, o governo apresentou outra versão: as mortes cometidas por PMs em folga nunca, em nenhum governo, fizeram parte dos dados de homicídio.

A afirmação contraria, por exemplo, prática iniciada no governo Mário Covas (1995-2001). "No meu tempo, mortes provocadas por policiais em folga sempre eram incluídas nas estatísticas de homicídio", afirmou o ex-secretário José Afonso da Silva, responsável por implementar essas estatísticas.

Para Cristina Neme, coordenadora de estatísticas do governo de 2013 a julho de 2015, só uma auditoria nos dados poderá comprovar ou não se essas mortes foram registradas como homicídio doloso. "Não tenho como afirmar isso [se tudo entrou como homicídio]. Porque, na verdade, não havia critério claro para contabilização desses dados."

PSDB lançará documento com diretrizes econômicas


Texto será uma revisão da plataforma de campanha presidencial de Aécio em 2014, com propostas como pacto federativo e reforma tributária, além de enfoque social

ISABELA BONFIM - O ESTADO DE S.PAULO


Criticado pela aliança das últimas semanas com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e por ser pouco atuante na retomada da economia, o PSDB resolveu agir nesta semana e mostrar mais atitude no Congresso Nacional. Rompeu com o peemedebista, negociou a aprovação de pautas econômicas com o governo e já começa a anunciar a divulgação de documento com propostas para o ano que vem. O PSDB busca maior empatia com o eleitorado nas eleições municipais de 2016, além de sinalização para o mercado financeiro.

“Vamos apresentar ao país um diagnóstico da gravidade da crise e do que nos espera para o ano que vem, mas principalmente propostas na área social, em razão da gravidade da crise pela qual passam hoje milhões de famílias brasileiras”, afirmou Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido.

O documento será uma revisão da plataforma de campanha presidencial de Aécio em 2014, com propostas como pacto federativo e reforma tributária, além de enfoque social. A Executiva do partido se reúne em duas semanas para fechar detalhes, e a apresentação da carta deve ser feita no início de dezembro em pronunciamento do próprio senador, que prometeu uma “fala forte”.

A estratégia integra uma tentativa de recuperar o protagonismo do debate econômico, perdido desde a derrota nas eleições presidenciais de 2014. Em um ano de crise econômica, tucanos chegaram a apoiar algumas das chamadas “pautas bomba” no Congresso, aquelas com grande prejuízo ao erário. Algumas delas em contradição com a defesa histórica feita pela sigla, como o fim do fator previdenciário. A medida havia sido aprovada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Integrantes do partido, muitas vezes, se apoiaram no argumento de serem “minoria parlamentar” para não dar encaminhamento a projetos no Congresso. Há duas semanas, os tucanos assistiram ao PMDB lançar um documento com propostas para a economia que destoavam das defendidas pelo PT.

É dentro dessa estratégia que se explica a sinalização com o governo na negociação direta pela aprovação de pautas do ajuste fiscal. A oposição anunciou acordo para aprovar a Desvinculação de Receitas da União (DRU) com alíquota de 25% na terça-feira. O pacto foi celebrado com um aperto de mãos entre os líderes José Guimarães (PT-CE) e Bruno Araújo (PSDB-PE). Mais uma negociação acontece em torno da repatriação de recursos brasileiros no exterior, apoio que tem sido discutido diretamente entre Aécio Neves e os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Jaques Wagner (Casa Civil). O texto recebeu voto contrário dos 48 deputados tucanos na Câmara, mas deve contar com o apoio dos senadores, caso o governo consiga desfazer as mudanças do relator Manoel Júnior (PMDB-PB), que concederam anistia para crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O PSDB deseja que a proposta se restrinja à evasão de divisas.

De acordo com Aécio, o apoio às pautas econômicas são uma demonstração do compromisso do PSDB com as questões que vão além do governo Dilma e são cruciais para o país. “Não vamos fazer como o PT que, quando era oposição, encontrava vício de origem em tudo que vinha do Palácio, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Plano Real.”

No front político, o primeiro passo para a mudança de atuação foi o rompimento com o presidente da Câmara, anunciado oficialmente pelo líder Carlos Sampaio (PSDB-SP). Até então, os tucanos trocavam apoio a Cunha pela promessa de encaminhamento do processo de impeachment da presidente. Desacreditados, eles resolveram limpar a imagem do partido e tornar o peemedebista um problema exclusivo do PT.

Governador Geraldo Alckmin fecha acordo com indústrias cervejeiras para manter empregos e investimentos



O Governo de São Paulo entrou em acordo com as indústrias produtoras de cerveja para o aumento da ilíquota do ICMS. Com o acordo, o imposto será reajustado em quatro pontos percentuais, coma agarantia das indústrias da manutenção de empregos e investimentos no Estado. Esta medida possibiliará o Governo do Estado zerar o ICMS do arroz e feijão, a redução, de 18% para 12%, do ICMS dos medicamentos genéricos, a redução da carga tributária sobre areia (produto essencial para a construção civil), e a criação do Fundo Estadual de Combate à Pobreza.


Veja a nota oficial do Governo do Estado de São Paulo:


NOTA À IMPRENSA

Após ter obtido das indústrias produtoras de cerveja um compromisso de manutenção de empregos, da capacidade instalada e do volume de investimentos no Estado de São Paulo, o Governo fixou em quatro pontos percentuais o aumento total proposto para a alíquota do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre o produto. A indústria buscará ainda absorver o aumento do tributo com ganhos de produtividade e de eficiência, diante das boas condições de competitividade do Estado de São Paulo, em especial de uma tributação estadual mais baixa sobre insumos, como combustível e eletricidade. Os compromissos assumidos pela indústria e o aumento das atividades deles decorrente permitem projetar uma produção suficiente para reduzir, de sete para quatro pontos percentuais, a proposta original de aumento da alíquota do setor.

A proposta compõe uma série de medidas anunciadas pelo Governo do Estado de São Paulo para, ao mesmo tempo, garantir o equilíbrio fiscal e fortalecer a rede de proteção social neste momento de dificuldades que o país enfrenta. Entre as medidas estão a redução, de 18% para 12%, do ICMS dos medicamentos genéricos, a redução da carga tributária sobre areia (produto essencial para a construção civil), o decreto que zera o imposto do arroz e do feijão e a criação do Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Tais medidas, somadas aos compromissos assumidos pela indústria da cerveja, preservam empregos e dialogam com os anseios da população. A indústria de medicamentos genéricos já projeta uma redução de até 9% nos preços ao consumidor. A fixação de uma nova alíquota de ICMS para o setor de cervejas e outras medidas citadas ainda dependem de aprovação pela Assembleia Legislativa.


Assessoria de Imprensa

Governo do Estado de São Paulo