Inspirado no Paraná, SP vai criar programa Família Paulista


Geraldo Alckmin, Dona Lu, Fernanda e Beto Richa

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) vai criar, nos moldes do Família Paranaense, o programa Família Paulista. No Paraná, o programa foi criado em 2012 pelo governador Beto Richa (PSDB) e atende 196,7 mil famílias. “As ações alcançam as famílias do campo e da cidade nas áreas da saúde, educação, agricultura, construções de moradias, capacitação e qualificação profissional, abertura de novos postos de trabalho, com uma rede de proteção social espalhada por todo o Estado”, disse Richa que já destinou R$ 67,5 milhões ao programa desde a sua criação.

A secretária Fernanda Richa (Trabalho e Desenvolvimento Social) reforça que o trabalho em rede promovido pelo programa Família Paranaense permite a integração das diversas políticas públicas voltadas ao combate à pobreza. Em 2016, o programa terá um reforço de R$ 400 milhões com a criação do Fundo de Combate a Pobreza. “Precisamos avançar mais. Nenhum governo se justifica se não promover ações para melhorar a vida das pessoas, e é o que estamos fazendo no Paraná hoje”, ressaltou.

Fonte: Fabio Campana

Das 250 cidades mais violentas do Brasil, nenhuma é de São Paulo


Valéria Bretas, de EXAME.com



Dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, a cidade de Simões Filho, na Bahia, é a que lidera o ranking de mais violenta do país. Entre 2010 e 2012, o município somou 126 mortes por armas de fogo para cada 100 mil habitantes.

Vale ressaltar que na Bahia, concentra-se a maior quantidade de cidades entre as 250 aqui listadas. São quase 16% localizadas só no estado - o que corresponde a mais de 10,4 mil homicídios.

Em números absolutos, porém, Salvador (BA) é o que tem o maior número de casos registrados. Em três anos, 4,3 mil pessoas morreram – 53,2 mortes a cada grupo de 100 mil. 

As informações do Mapa da Violência 2015 apontam que neste período, mais de 112 mil pessoas foram mortas dessa forma no Brasil.

Veja, no link abaixo, as 250 cidades com as maiores taxas de homicídio por arma de fogo entre 2010 e 2012.

PSDB diz que cartilha do PT é 'vergonhosa'


Publicação afirma que esquema de corrupção revelado na Lava Jato teve origem no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso

VALMAR HUPSEL FILHO - O ESTADO DE S. PAULO

A Executiva Nacional do PSDB afirmou ser “vergonhosa” a iniciativa do PT de, a pretexto de “defender o indefensável”, atacar instituições e a oposição na cartilha distribuída a partir desta quarta-feira à militância. “Chega a ser vergonhosa mais essa iniciativa do PT que, a pretexto de se defender do indefensável, acusa e afronta a própria democracia brasileira ao atacar nossas instituições, seus representantes, e a oposição”, afirmou o PSDB em nota divulgada na noite desta quarta-feira, 11.

No documento elaborado para fundamentar militantes petistas com argumentos de defesa às denúncias de coprrupção contra integrantes do partido, o PT acusa a força-tarefa da Operação Lava Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e setores da imprensa de agirem deliberadamente, com base em mentiras, para “eliminar o partido da vida política brasileira”.

Com 34 páginas, a cartilha afirma que o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato teve origem no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. E acusa o ex-presidente de “engavetar” as denúncias.

O PT incluiu na publicação tabelas mostrando valores de doações de empresas investigadas pela Lavga Jato ao PSDB. Segundo o PT, as 17 empreiteiras investigadas doaram R$ 619 milhões ao PT e às campanha de Dilma Rousseff e R$ 601 milhões ao PSDB e à campanha de Aécio Neves em 2014. “Se a origem das doações é a mesma, por que criminalizar apenas as contribuições ao PT?”, questiona o documento.

“As 17 empresas investigadas na Operação Lava Jato não têm contratos apenas com o governo federal, mas com governos estaduais e prefeituras controladas pelo PSDB e outros partidos. Por que investigar e criminalizar somente e relações dessas empresas com o PT?”. A cartilha cita ainda que outros partidos “incluindo os moralistas mais hipóicritas: PPS, DEM e Solidariedade” também receberam recursos destas empresas.

O texto cita como contraponto o caso de São Paulo. “Governado há 22 anos pelos tucanos, São Paulo é o paraíso das doações empresariais. Diferentemente do que ocorre em nível nacional, em que as contribuições são equilibradas entre PT e PSDB, em São Paulo os tucanos receberam 2 vezes mais dinheiro do que os candidatos do PT nas eleições de 2010 e 2014”.

Na nota divulgada nesta quarta, assinada pela Executiva Nacional, o PSDB afirma que melhor faria o PT se concentrasse suas energias em explicar à sociedade brasileira o conjunto de delitos e responsabilidades que lhe são imputados. “O PSDB se posiciona em defesa do aprofundamento das investigações da operação Lava Jato que, inclusive, já levou à condenação do tesoureiro do PT, conclui a nota.

"Bengalada no bom senso", artigo de José Serra


O ESTADO DE S.PAULO

Há seis meses apresentei no Senado um projeto de lei complementar sobre servidores públicos. Qualifiquei-o de projeto ganha-ganha, pois, se fosse aprovado, seriam beneficiados os servidores, o governo e o País no seu conjunto. Caso interessante para os estudiosos da teoria dos jogos.

Meu objetivo foi ampliar os efeitos da chamada “PEC da Bengala”, iniciativa do senador Pedro Simon que foi aprovada pelo Senado em 2006 e finalmente ratificada pela Câmara dos Deputados em maio de 2015. Em essência, essa emenda aumentou de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria compulsória dos servidores públicos. Ela previu que a medida se aplicaria de imediato aos ministros do STF, dos tribunais superiores e do TCU. Para os demais servidores, sua aplicação se daria na forma de lei complementar, cuja aprovação exige maioria absoluta das duas Casas do Congresso.

A ideia de Simon foi correta. Por que obrigar um ministro do STF, altamente qualificado e experiente, a aposentar-se aos 70 anos? Se ele prefere continuar no tribunal, apesar da possibilidade de ganhar como aposentado o mesmo que no serviço ativo, que continue.

No mesmo dia da promulgação da emenda Simon, apresentei o projeto de lei complementar (PLS 274/2015-Complementar) acima referido prevendo o aumento da idade para aposentadoria compulsória para todos os servidores públicos, nos três níveis de governo (União, Estados e municípios) e nas três esferas de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário). O relator, senador Lindbergh Farias (PT), defendeu o projeto nas comissões e no plenário, mantendo o texto intacto. A aprovação foi tranquila e o PLS seguiu para a Câmara, onde foi ratificado por 9/10 dos votos. Os deputados acrescentaram dois dispositivos aceitáveis, o Senado recebeu o projeto de volta, acolheu os acréscimos e o remeteu, então, à sanção da presidente da República.

Na exposição de motivos do projeto e nos debates que se seguiram, mostrei que o PLS 274 favoreceria os servidores públicos de duas formas. Primeiro, permitindo àqueles que, ao chegar aos 70 anos, não tivessem ainda completado os anos de serviço necessários à aposentadoria integral, pudessem avançar nessa direção. Segundo, permitindo que os servidores escolhessem entre se aposentar aos 70 anos ou continuar no exercício de suas funções até os 75. O desejo de continuar é frequente entre professores, pesquisadores, juízes, procuradores e várias outras categorias de profissionais do serviço público.

É evidente que o projeto beneficiaria, também duplamente, a administração governamental, pois reteria por cinco anos adicionais muitos servidores experientes, altamente qualificados, e permitiria economizar nas despesas com novos funcionários: segundo estimativas nossas, a economia seria de R$ 800 milhões a R$ 1,4 bilhão por ano ao longo dos próximos 55 anos. Isso somente no caso da União.

Só faltava, portanto, converter essa boa ideia em lei e correr para o abraço. Mas a presidente Dilma estragou a comemoração: segurou por um mês a sanção e, em vez de promovê-la, recorreu, na última hora, ao veto.

O veto presidencial alegou uma suposta apropriação pelo Legislativo de prerrogativas do Executivo, o único que poderia tomar iniciativa de leis sobre seu próprio quadro de funcionários. Um argumento beócio, pois 1) a partir da “PEC da Bengala” a aposentadoria aos 75 anos passou a fazer parte do sistema da Constituição; 2) o projeto de lei complementar, previsto pela PEC, em nada inovou, pois meramente estendeu aos demais servidores o que a Constituição já havia fixado; 3) o STF já havia reconhecido, em sessão administrativa de 7/10, que o PLS 274 não tinha vício formal, ou seja, de iniciativa; 4) finalmente, acredite se quiser: em 2014, a presidente Dilma sancionou sem vetos a Lei Complementar 144, iniciada no Congresso, que trata da aposentadoria do servidor policial.

É evidente que, dada a má qualidade do veto, ele deve ter tido outro motivo, não explicitado. Talvez fosse o argumento, também beócio, atribuído ao Ministério do Planejamento, de que o PLS 274 aumentaria as despesas do governo com a folha de salários. Temeram que durasse mais cinco anos o abono hoje oferecido a funcionários que já podem aposentar-se por tempo de serviço a fim de incentivar sua permanência.

Como consta do “pacote” fiscal apresentado em outubro, o governo pretende extinguir esse abono. Ora, ainda poderia fazê-lo mesmo que o PLS 274 tivesse sido sancionado, e não vetado. Ou, se fosse o caso, poderia ter solicitado a seus líderes no Congresso que fizessem emendas ao projeto durante sua tramitação. Nada mais comum: quando ocupei cargos no Executivo sempre acompanhei os projetos de interesse da minha área, procurando esclarecer e negociar soluções para eventuais divergências. Quase sempre deu certo.

Pode parecer surpreendente que a tramitação do PLS 274 tenha durado 142 dias e em nenhum momento o governo tenha criado qualquer óbice, sugerido qualquer ideia, por intermédio dos seus líderes no Congresso, como condição para a aprovação do projeto ou para que não exercesse o direito ao veto. Ao contrário, esses líderes, incluindo os petistas de carteirinha e de coração, apoiaram o PL274-Complementar em todas as suas etapas.

Convém esclarecer: só é “surpreendente” para quem não leva em conta uma das solenes e importantes antileis que norteiam o governo Dilma: “as facilidades devem ser transformadas em dificuldades; as soluções, em problemas; jamais perder a chance de dar um tiro no próprio pé”. A propósito, minha previsão é de que o veto será derrubado pelo Congresso até dezembro ou, no pior dos casos, no início do próximo ano.

Por fim, vai aqui uma hipótese psicológica simples para explicar o veto: a tentativa da presidente Dilma de mostrar que seu governo ainda existe ou que faz algo mais do que esforços frenéticos para evitar o impeachment. Além, é claro, da valentia épica (!) de derrubar, mesmo temporariamente, um projeto vindo da oposição que só faria bem a todos.


* JOSÉ SERRA É SENADOR (PSDB-SP)