"Reorganização escolar em SP, em princípio, é correta", diz ex-ministro de Dilma



Em entrevista à DW, ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro alerta, porém, que mudanças na rede estadual de ensino, que preveem o fechamento de 94 escolas, precisam ser feitas com cuidado. Na semana passada o atual ministro da Educação, Aloysio Mercadante, também defendeu a medida.

O ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro afirmou, em entrevista à DW Brasil , que a reorganização do ensino em São Paulo, em princípio, é correta. A medida, da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), prevê o fechamento de 94 escolas no estado.

"O Brasil, desde os anos 1960, foi aumentando a quantidade de estudantes, mas fez isso com cada vez mais alunos por sala, o que não é bom. Por isso, se houve uma redução na demanda, devemos discutir se não seria o caso de diminuir o tamanho das classes. Parece que o secretário estadual é aberto a essa discussão. Mas a medida não está errada, em princípio", afirmou.

Janine alertou, entretanto, que a medida precisa ser feita com cuidado, porque a transferência "mexe com a identidade dos alunos". Sobre a separação das escolas por ciclos, ele diz não ter uma opinião formada, mas ressalta que pode representar um ganho na gestão.

Renato Janine Ribeiro: "Uma escola muito grande e com muitas séries é mais difícil de administrar"

"Não há a menor dúvida de que fica mais fácil a gestão. É simples: se você tem alunos de 6 a 17 anos na escola, você tem problemas muito diferentes. Uma escola muito grande e com muitas séries é mais difícil de administrar", argumenta.

O plano da prefeitura é segmentar as escolas em três grupos (anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio), conforme o ciclo escolar, como forma de melhorar o rendimento dos estudantes.

O governo pretende também reorganizar de forma geral a rede de ensino, cujo número de alunos diminuiu. Entre 1998 e 2014, as matrículas passaram de 6 milhões para 3,8 milhões.

"Um legado do lulopetismo", editorial do Estadão


O Estado de S.Paulo


Não deveria espantar a projeção, publicada pelo Estado, de que 3,3 milhões de famílias que haviam chegado à classe C entre 2006 e 2012 farão o caminho de volta para a base da pirâmide até 2017. Também não deveria causar surpresa a previsão segundo a qual o PIB per capita brasileiro terá em 2020 o mesmo nível de 2010, afetando drasticamente o padrão de vida da festejada “classe média emergente”. Trata-se da confirmação das advertências que há tempos vêm sendo feitas a respeito da fragilidade dessa ascensão social, tratada na última década pelo governo petista como a prova do acerto de sua política econômica.

Em meio a uma recessão que promete ser longa e dolorosa, ficaram claros os erros grosseiros dessa política, em especial aqueles que arrebentaram as contas públicas em nome do assistencialismo travestido de redistribuição de renda e que construíram a tal “nova classe média” com base exclusivamente no aumento do poder de consumo, garantido pelo crédito farto que só existia em razão da conjuntura externa favorável. Na época de ouro do lulopetismo, no entanto, quem quer que ousasse apontar a vulnerabilidade dessa nova classe média era logo classificado de “pessimista” – ou, pior, inimigo do povo.

No décimo aniversário do Bolsa Família, em outubro de 2013, quando a tempestade que se aproximava ainda era confundida com chuva de verão, o ex-presidente Lula caprichou na retórica divisiva, atribuindo as críticas à política petista a uma certa “elite” incomodada pela “ascensão do pobre”. “O cidadão vai para o aeroporto, chega lá e vê a empregada dele com a família no avião, pegando o lugar dele. Eu sei que é duro”, discursou Lula. No mesmo embalo, durante a campanha de 2014, a presidente Dilma Rousseff disse que “33 milhões viajaram de avião em 2002, hoje são 113 milhões e, em 2020, serão 200 milhões” – algo que, segundo ela, “incomoda muita gente”.

Ao final de 2015, o sonho da classe C que viaja de avião se transformou no pesadelo dos pobres que mal conseguem pagar a passagem de ônibus para ir atrás de um emprego. “Estamos vivendo, infelizmente, o advento da ex-nova classe C”, resumiu o economista Adriano Pitoli, responsável pelo estudo da Tendências Consultoria Integrada que mediu o impacto da crise nessa faixa socioeconômica.

A pesquisa levou em conta uma projeção segundo a qual a economia deverá recuar 0,7% ao ano entre 2015 e 2017 e a massa real de rendimentos cairá 1,2% ao ano, ao mesmo tempo que o desemprego deverá chegar a quase 10%. Nesse cenário de dificuldades, emergem os problemas estruturais que tornam difícil para os que chegaram à classe C lá permanecer: baixa escolaridade, que limita a possibilidade de obter empregos de melhor remuneração; acesso a trabalho apenas no mercado informal, com escassa proteção social; e nenhuma poupança, já que, graças ao estímulo oficial ao consumo, a pouca renda acabou sendo comprometida integralmente na aquisição de bens, geralmente por meio de forte endividamento.

A situação calamitosa da economia afeta especialmente a base da pirâmide, mas será sentida em quase todas as outras faixas de renda. “É uma década perdida em termos de padrão de vida”, disse ao jornal Valor o pesquisador Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV).

E a perspectiva é sombria para os próximos anos: segundo o economista Antonio Corrêa de Lacerda, também ouvido na reportagem, o PIB per capita em dólares deve cair de US$ 11.566 em 2014 para US$ 8.490 neste ano e para US$ 7.900 em 2018. Isso significa que a renda dos brasileiros estará cada vez mais distante do padrão de países desenvolvidos – mesmo aqueles que enfrentam brutais dificuldades, como a Grécia, cujo PIB per capita é de US$ 21.682.

Esse é, pois, em resumo, um dos grandes legados do lulopetismo, que será sentido por gerações, e que só poderá ser superado por meio de uma grande mobilização nacional em torno de um projeto de país radicalmente distinto das fantasias irresponsáveis criadas por Lula e companhia bela.

"Duplo desgaste", editorial da Folha


Folha de S.Paulo


Não surpreendem os baixos índices de popularidade do prefeito Fernando Haddad (PT), registrados na última pesquisa do Datafolha. Praticamente a metade (49%) dos paulistanos considera ruim ou péssimo o seu desempenho.

A avaliação negativa, que recuara para 28% em setembro de 2014, alcançou 44% em fevereiro deste ano, subindo cinco pontos desde então. O movimento reflete os humores gerais que se seguiram à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), cobrada pelas promessas descumpridas e encurralada por crises na política e na economia.

Como consequência de sua rejeição, Haddad patina em levantamento sobre intenções de voto para o pleito municipal, no ano que vem. Se a disputa fosse hoje, o alcaide teria 12% das preferências, mesmo patamar de Marta Suplicy (PMDB) e José Luiz Datena (PP) –e muito atrás do apresentador e deputado federal Celso Russomanno (PRB), que lidera com 34%.

Ademais do claro estigma que hoje representa sua associação com o PT, e com o ex-presidente Lula em particular, Haddad experimenta os efeitos de suas iniciativas na administração municipal.

Tendem a ser, contudo, mais polêmicas do que propriamente impopulares. A implantação de ciclovias, por exemplo, ainda conta com 56% de paulistanos a seu favor.

O apoio, que chegara a 80% em setembro de 2014, terá caído devido aos exageros de Haddad, afinal com poucas bandeiras a exibir?

Pode-se conduzir o raciocínio em outra direção. Talvez parte dos entrevistados tenha preferido rejeitar em bloco o prefeito petista, mesmo se concordando com o acerto em linhas gerais das ciclovias.

Outro tema que poderia despertar grande inconformismo é a redução da velocidade máxima dos carros nas principais ruas e avenidas.

A população se mostra dividida com relação a essa iniciativa (47% a favor, 47% contra) –mas, num paradoxo, chega a 74% a proporção dos que a consideram eficiente, em maior ou menor medida, na redução de acidentes na cidade.

A rejeição de Haddad se mostra maior, portanto, do que a capacidade para apoiar as decisões mais controversas que ele tomou.

É que, na verdade, o prefeito pouco fez de tudo o que prometeu na campanha eleitoral, e sobretudo os moradores da periferia sentem cada vez mais o peso desse abandono. A adoção de medidas polêmicas na área do urbanismo não resolve carências bem mais prementes na educação e na saúde.

Soa pouco mais que uma desculpa, assim, a vinculação das parcas realizações às dificuldades orçamentárias da cidade –que o governo federal não pôde resolver.

O prefeito sofre de dois lados, portanto, com o PT: conhece o desgaste do lulismo, sem as vantagens que este poderia ter-lhe oferecido. Mas não se trata de vítima; à sombra de Lula, e petista desde sempre, Fernando Haddad colhe sua parte no repúdio que se volta contra um apodrecido sistema de poder.