SP vai ganhar mais 39 escolas de Tempo Integral em 2016


Novas unidades beneficiarão pelo menos 142 mil alunos dos Anos Iniciais, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio


Em 2016, o Estado de São Paulo vai contar com mais 39 escolas de Tempo Integral. As novas unidades vão beneficiar cerca de 142 mil alunos dos Anos Iniciais, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Com a expansão, 532 escolas estarão funcionando em tempo integral em todo o Estado. Com as novas unidades, a Educação abriu 700 vagas para os educadores da rede estadual de ensino interessados em atuar nessas unidades, já a partir do primeiro semestre do ano que vem.


Os interessados poderão se inscrever até o dia 3 de novembro. Para isso, o professor deverá acessar o site da Secretaria Escolar Digital. A classificação final dos educadores deverá ser divulgada em dezembro. Após a divulgação, serão definidas as escolas onde os docentes selecionados irão atuar.


Do Portal do Governo do Estado

'PSDB não deve ser como PT foi', diz FHC


Lançamento de livro com gravações do primeiro biênio no Planalto leva ex-presidente a defender gestão e criticar oposição sem estratégia


PEDRO VENCESLAU, IURI PITTA - O ESTADO DE S.PAULO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se prepara para o lançamento de seu livro

Quando decidiu gravar em fitas cassete seu dia a dia no poder, o presidente Fernando Henrique Cardoso, então com 63 anos, planejava que as "confissões" só fossem divulgadas depois de sua morte. Ao mudar de ideia e publicar em vida os registros da passagem pelo Palácio do Planalto, o tucano revela desabafos, queixas e satisfações, assim como se expõe a reações e desmentidos de quem foi citado. Não renega o que foi dito, e acaba por usar as comparações com o Brasil de hoje para apontar erros não só no governo petista, mas na oposição tucana. "Não acho que o PSDB deva fazer o que o PT fez comigo", diz o ex-presidente.

Na apresentação do primeiro volume de Diários da Presidência, a ser lançado na quinta-feira, FHC aponta alguns dos motivos que o levaram a "publicar ainda em vida informações que foram ditadas para depois da morte": desfrutar o prazer e os incômodos de ver as reações; traçar paralelos entre a dificuldade de governar o Brasil em 1995 e em 2015; mostrar o "infundado de muitas apreciações sobre meu governo, sobretudo quanto a acusações que se repetem". Em entrevista ao Estado, acrescentou: "No momento que o Brasil vive, precisamos abrir o jogo e deixar mais claro como as coisas são. Eu não tenho nada a esconder".

Não há uma forma única de se ler as mais de 900 páginas do primeiro volume, que traz a transcrição de 44 fitas e quase 90 horas de gravações entre o Natal de 1994 e o fim de 1996. Pode-se ler o livro cronologicamente, ou buscar as citações a nomes ou temas. De um jeito ou outro, tem-se um presidente da República registrando como gostaria que seus feitos e intenções fossem lembrados. De certa forma, soa como antídoto ao que Shakespeare dizia ocorrer: "O mal que os homens fazem lhes sobrevive, ao passo que o bem é, na maioria das vezes, sepultado com os seus ossos".

Sem culpa. Ao ouvir as gravações para a edição do livro, com o distanciamento de quase duas décadas, FHC reconhece erros em suas avaliações de momento, assim como as dúvidas e dilemas antes da tomada de decisões. "Posso ter errado, e certamente errei na apreciação de pessoas, fui injusto e tudo o mais. Mas é aquilo", afirmou o tucano. "(Nas gravações) Eu mudo de opinião, fico na dúvida. O ser humano é complexo."

Parte dos desabafos e relatos já renderam queixas dos citados, como o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo nome FHC diz ter recebido do então deputado Francisco Dornelles (hoje no PP-RJ) como indicação para uma diretoria na Petrobrás.

"Naquela altura eu mal sabia quem era Cunha. Eu só tinha registro do que tinha acontecido no governo Itamar (Franco), que ele perdeu o lugar dele lá (a presidência da Telerj, antiga estatal de telecomunicações)", explica o ex-presidente. "Não sei se foi o Dornelles quem pediu. Foi um grupo de deputados, encabeçado pelo Dornelles. Pode ser que ele tenha razão, mas eu não ia inventar isso hoje. As pessoas têm que encarar isso como fatos da vida. Não é culpa."

Assim também podem ser vistas as queixas do então presidente às intrigas entre os auxiliares mais próximos e à defesa de seu governo pelo PSDB. FHC reconhece o papel de deputados e líderes da época, como José Aníbal, Arnaldo Madeira e Aécio Neves, mas aponta como problema a não ser repetido pelo partido a "falta de convicção" dos tucanos nas votações.

"O que eu reclamava era o seguinte: eu sei que nós vamos ganhar. Vai estar lá, no painel (do plenário) que o governo ganhou. Mas eu dizia: vocês vão perder a eleição porque ninguém está lutando ideologicamente. O PT vai lá e diz que isso é traição nacional. Todo mundo fica paralisado", recorda, na entrevista sobre o livro. "Na época era assim: o que o PT falou, está falado. Eu dizia que eles não estavam lutando para fazer uma coisa com convicção. Estão dando um voto sem convicção. Eu quero voto com convicção. Tem que brigar."

É o que se vê no PSDB de hoje, como oposição aguerrida à presidente Dilma Rousseff? Não exatamente, diz o tucano. "Em certas matérias a oposição precisa pensar no País. Não pode votar contra o fator previdenciário. Acho um erro do PSDB no Congresso", avalia Fernando Henrique. "A situação fiscal é dramática e alguma coisa precisa ser feita. Eles (PT e PSDB) estão em uma competição, no calor da batalha. Mas não pode errar estrategicamente."

Se Dilma fosse capaz de pôr limite à crise, já teria feito, diz FHC


Daniela Lima - Folha.com 

Bruno Santos/Folhapress 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na sede se seu instituto, em São Paulo


Às vésperas do lançamento do primeiro volume do livro "Diários da Presidência", em que narra seu cotidiano no poder, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que a obra ajudará o país a entender "como o jogo político se dá". "Qualquer sistema implica em distribuição de poderes. A questão é: para quê?", afirma.

Num paralelo com o cenário atual, diz que o país está "ladeira abaixo" e que se a presidente Dilma Rousseff fosse "capaz de botar o limite" à crise, "já devia ter posto". Ele ressalta que "não trabalha para isso", mas que vê o hoje vice-presidente Michel Temer (PMDB) com mais condições de reunir apoio do que a petista. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

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Folha - Muita gente se pergunta por que o sr. decidiu publicar esses diários agora...
Fernando Henrique Cardoso - Não é agora, esses dias, essa semana. É em vida. Acho que está na hora do Brasil entender mais diretamente o jogo político, como ele se dá, quais são as dificuldades, o que significa governar. Está tudo tão desarticulado que não custa dar um testemunho sincero, em que não estou escondendo nada, nem a mim mesmo. Não é uma coisa para se tomar como a verdade. É a minha reação sob aquelas circunstâncias.

O vice-presidente Michel Temer procurou o sr. para negar que tivesse atuado para nomear gente no seu governo?
Não foi ele quem me pediu. Eu digo isso [no livro]. O Luís Carlos disse que ele queria... Até faço referências elogiosas a ele: que tem boa construção jurídica, que é discreto. Ele não nomeou ninguém.

O sr. diz também no livro que há 'similitude' entre o cenário de 20 anos atrás e o de hoje.
Nossos costumes evoluíram muito pouco. A herança cultural brasileira é corporativista. E isso evoluiu pouco. Aliás, regrediu recentemente. Eu tinha uma agenda. O tempo todo tentei fazer reformas. Havia uma coalizão para isso. Evidentemente, isso tinha um certo preço.

Qual o preço?
Qualquer sistema implica em distribuição de poderes. A questão é: para quê? Quando se tem uma agenda, você se justifica. É uma justificativa pessoal. 'Por que eu estou cedendo nisso? Porque eu preciso daquilo e aquilo é mais importante. Quando o Executivo está forte, o sistema funciona. Quando está fraco, como hoje, fica paralisado.

A queda da presidente Dilma seria suficiente para resolver a crise?
Vou responder de outra maneira: se o Aécio tivesse ganho a eleição, a situação seria a mais ou menos a mesma, mas haveria um horizonte de esperança. Agora estamos indo ladeira abaixo e alguém vai ter que pôr um limite. Se fosse capaz de botar o limite, já devia ter posto.

Acha que num eventual impeachment o PSDB deveria dar sustentação a Temer?
Não estou dizendo que vai acontecer ou que estou trabalhando para isso, mas acredito que o Michel teria a sensibilidade para ter um apoio mais amplo.

O sr. conta no livro que barrou a nomeação de Eduardo Cunha para um cargo.
Eu não o conhecia. Tinha o registro do tempo do Itamar [Franco]. Sabia que ele não tinha sido reconduzido... Enfim, boatos, que não se comprovam, mas existiam.

E como vê a aproximação do seu partido com ele hoje?
Um lado precisa interagir com o presidente da Câmara. Outra questão é o que ele está sendo acusado, aparentemente com muitas provas. Tem que responder.

A posição do PSDB com relação a ele é satisfatória?
O PSDB fez o que tinha que fazer: pediu o afastamento.

O sr. reclama muito da imprensa no livro, à exemplo do que fazem aliados do governo hoje. É uma prerrogativa de quem está no poder?
Mesmo fora do poder! Vou reclamar já. Outro dia, vi um relato do livro dizer que alguém veio até mim falar que a Petrobras era um 'verdadeiro escândalo'. O escândalo ali se referia à gestão, não era roubalheira. Depois eu resolvi. Como colocaram, parece que eu estava falando de corrupção. Essas coisas, quando se está no governo, isso tudo te deixa bastante chateado.

O sr. não temeu esse tipo de questionamento?
Não. Os diários são um documento histórico. Os chamados escândalos estão lá no livro, Sivam, Pasta Rosa... Nunca fui transigente com essas questões.

O sr. diz que os amigos dão mais trabalho que os inimigos no governo.
Isso é do poder. Ali, entre os ministros, havia cinco ou seis de alta qualidade e muito amigos. São pessoas fora de série e, como é normal, pessoas fora de série são difíceis umas com as outras. Eu arbitrava, com jeito.

O sr. chega a dizer que o 'mal' está no grupo mais próximo...
Eu pedia comedimento, 'não falem tanto'. Mas, no balanço, é uma injustiça que fiz com meus amigos. Uma reação subjetiva, que registrei.

Dilma Rousseff é vaiada na abertura dos Jogos Mundiais indígenas


Juliana Coissi - Folha.com

Eduardo Knapp/Folhapress 
Dilma Rousseff assiste a dança de índios na abertura dos Jogos Mundiais indígenas, em Palmas

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada na abertura da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, na noite desta sexta-feira (23), em Palmas (TO).

As vaias surgiram com a chegada da presidente à arena da abertura com cerca de uma hora de atraso. Em seguida, outro grupo puxou um coro de apoio a Dilma "Olê olê olê olá, Dilma, Dilma", mas foi seguido de nova onda de vaias.

Antes mesmo da presença da presidente, houve vaias do público em resposta a um grito "Dilma! Dilma", iniciado por parte da plateia.

Um dos líderes indígenas, Marcos Terena, ao lado de Dilma, pediu o fim das vaias. "Aqui não é comício, índio não tem costume de vaiar. Nós respeitamos as autoridades".

Além de etnias do Brasil, povos de outros 23 países foram convidados para o evento, que reúne competições entre os grupos indígenas, apresentações culturais e debates.

Na arquibancada, havia faixas pedindo a demarcação de terras indígenas e manifestos contrários à PEC 215, que transfere para o Congresso a atribuição de oficializar a demarcação das terras indígenas.

Além do chefe dos terenas, outra liderança dos xavantes, ao microfone, pediu à presidente que não seja aprovada a PEC 215 e que o governo federal olhe com atenção para os guarani caiovás, do Mato Grosso do Sul, "que estão sendo dizimados".

Apesar da visita oficial para abertura dos jogos, Dilma ocupou a maior parte da tarde reunida com empresários do Estado.

Durante a cerimônia, uma liderança indígena dos Estados Unidos leu um comunicado em nome do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em que ele ressaltou o evento como "um incrível exemplo de como os jogos podem unir povos e promover a paz".

Dilma deixou a arena pouco depois das 22h sem discursar, após a apresentação das delegações.

"Meia-entrada sem meias palavras", artigo de Luis Sobral


Folha de S.Paulo


Em 2001, ainda como representante estudantil, me incomodei com o monopólio da produção descontrolada de carteiras de estudantes pela UNE e contestei seu monopólio com um pequeno grupo. Fomos atendidos pela medida provisória 2.208/2001.

O texto da MP, sobre comprovação da qualidade de estudante como condição de acesso à meia-entrada, foi aprovado e derrubou a reserva de mercado, consolidando a democratização do acesso à cultura para quem mais precisava.

Há dois anos, porém, o Estatuto da Juventude retomou esse debate e, por infelicidade, encerrou aquela conquista universal que não exigia a filiação associativa a uma entidade que pouco representa a classe.

Agora, com a maior crise econômica brasileira já vivida pelas presentes gerações, a presidente da República, em busca de sustentação política e de sobrevivência, decretou a regulamentação do direito à meia-entrada –com dois anos de atraso, diga-se–, obrigando os jovens a adquirir a CIE (Carteira de Identidade Estudantil), mais um documento da série que o brasileiro é obrigado a ter em pleno século 21.

Não bastasse retornar ao século passado, quando a emissão dos documentos de identificação estudantil era centralizada pela UNE, a nova legislação limita a meia-entrada a uma cota de 40% dos ingressos disponíveis para cada evento.

Há mais uma flexibilização esperta: o limite deverá ser respeitado até 48 horas antes do evento, o que significa que a partir dali os ingressos serão vendidos pelo preço inteiro.

Muitas coisas estão fora do lugar. A primeira delas é o fato de tratarmos equivocadamente o direito de acesso à cultura.

Agora, um jovem aos 18 anos em plena formação intelectual, mas que, por falta de oportunidade, tenha interrompido os estudos, teve seu direito de acesso à cultura extinto pela presidente Dilma por meio do decreto federal nº 8.537/2015. Isso não aconteceria se fosse estabelecido o critério de idade como garantia de acesso.

Em segundo lugar, a descabida proliferação de beneficiários elevou os preços, resultando na máxima "tudo pela metade do dobro". Ocorreu, portanto, a maximização de preços ao longo dos anos, uma vez que 3 a cada 4 ingressos são adquiridos pela meia-entrada, por meio de algum tipo de benefício.

Nesse contexto, a demanda de grandes grupos promotores e proprietários de equipamentos culturais pela redução de beneficiários foi atendida, mas atingiu quem mais deveria ter o direito: o jovem de até 29 anos, faixa etária abrangida pelo Estatuto da Juventude.

Em terceiro lugar, o momento da decisão não poderia ser pior. A crise econômica, a inevitável diminuição de recursos para a área cultural e a evidente diminuição de público farão com que todos percam.

Nem os preços se ajustarão para baixo, dados a desconfiança econômica, a inflação e o silêncio do mercado, e tampouco aqueles que perderão o benefício, pela lógica da trava de 40%, pagarão valores inteiros.

Arrisco dizer que assistiremos à mais acentuada queda de público em eventos culturais dos últimos tempos. Subtraída a ansiedade da geração jovem e tecnológica que tem necessidade de viver o minuto como se fosse uma década, não há o que substitua o tempo perdido às oportunidades de formação cultural.

Haverá quem diga que isso será passageiro, que tudo se corrigirá e voltará ao normal. Aqueles que vociferarem essa tolice provavelmente tiveram seus direitos de acesso à cultura cassados na sua juventude.

*LUIS SOBRAL, 37, é diretor-executivo da Apaa - Associação Paulista dos Amigos da Arte e foi secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (2011 e 2012)