Agenda do governador Geraldo Alckmin 21/10 Caraguatatuba/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin realiza nesta quarta-feira, 21, vistoria técnica às obras da Nova Tamoios Contornos, no Litoral Norte.

Durante a vistoria, o governador sobrevoará o empreendimento e visitará o Lote 1 para conferir as intervenções em andamento para a escavação do Túnel 102, que terá 384 metros de extensão na pista esquerda e 407 metros na pista direita. Também será vistoriada a execução de um viaduto, a Obra de Arte Especial (OAE) 106/110 com 467 metros, já em fase de conclusão.

Evento: Vistoria técnica às obras da Nova Tamoios Contornos
Data: Quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Horário: 10h30
Local: Nova Tamoios Contornos, Lote 1 - Rua Irmã São Francisco, altura do nº 856 - Bairro Ponte Seca - Caraguatatuba/SP

Haddad tira dinheiro da habitação popular para pagar empresas de ônibus


RODRIGO RUSSO e FERNANDA ATHAS -FOLHA


Para saldar as dívidas acumuladas com as empresas de ônibus, hoje em R$ 92 milhões, a gestão Fernando Haddad (PT) reduziu investimentos previstos no Orçamento para nove áreas da administração municipal.

Dentre elas estão promessas importantes de seu governo, como a construção de habitação de interesse social, que sofreu corte de R$ 14,1 milhões, os investimentos em novos corredores, que terão R$ 21 milhões a menos, e a implantação e requalificação de terminais de ônibus, que perderam R$ 12 milhões.

Ao todo, R$ 144 milhões foram remanejados para arcar com os subsídios ao sistema de ônibus. A previsão inicial de gastos para o ano, R$ 1,4 bilhão, não foi suficiente para cobrir as despesas –e já neste mês a prefeitura não conseguia cumprir os prazos de pagamento às empresas de ônibus.

Segundo a prefeitura, esse valor seria suficiente para regularizar os pagamentos até o fim do ano, que custariam R$ 1,544 bilhão. Mas a Folha apurou que os custos devem ser ainda maiores. Em 2016, por exemplo, o município pretende gastar R$ 1,9 bilhão em subsídios ao transporte.

Entre as outras áreas que ficarão com orçamento reduzido em razão da regularização dos repasses às empresas de ônibus estão a urbanização de favelas (R$ 2,5 milhões), regularização fundiária (R$ 7 milhões), e intervenções de controle de cheias em bacias de córregos (R$ 26,7 milhões).

"Demagogia na Paulista", editorial do Estadão


O ESTADO DE S. PAULO


Se há uma coisa que não se pode negar ao prefeito Fernando Haddad é a aguda sensibilidade para as jogadas de marketing. Ela se revela, por exemplo, na implantação das faixas exclusivas para ônibus e das ciclovias – atabalhoada, sem estudos técnicos, de utilidade duvidosa, mas com competente estardalhaço, que impressiona os incautos. O fechamento da Avenida Paulista aos carros e ônibus – que passou a ser feito todos os domingos, das 9 às 17 horas, quando fica entregue aos pedestres e ciclistas – é uma espécie de cereja do bolo dessas hábeis jogadas.

Escolhida a dedo para ações destinadas a cortejar a população, por ser o símbolo da cidade, a Paulista deixa Haddad na crista da onda e do noticiário. E, espertamente, o prefeito tem conseguido tirar dela muito mais do que aquilo que enganadoramente diz dar aos paulistanos, como nesse caso do fechamento da avenida. Para atingir seus objetivos – e essa é outra característica do prefeito –, ele não hesita em atropelar quem ousa contrariá-lo.

É o que está acontecendo com o Ministério Público Estadual (MPE). Muitas das tentativas do MPE de intervir na administração pública, com base numa interpretação exageradamente ampla de suas atribuições, são discutíveis. Mas, em sua oposição ao fechamento da Paulista, não há como negar que ele tem a seu favor um dado concreto e objetivo. Alega o MPE que, de acordo com Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2007 com a Prefeitura, aquela avenida só pode ser bloqueada três vezes por ano: na Parada do Orgulho Gay, na Corrida de São Silvestre e na festa do réveillon.

Como a Parada já se realizou este ano e a Paulista foi fechada em 28 de junho para a inauguração da ciclovia em seu canteiro central e em 23 de agosto para a entrega do trecho final dessa via exclusiva, na Avenida Bernardino de Campos, o limite se esgotou e não pode mais haver outro bloqueio, menos ainda interdição sistemática da avenida todos os domingos. A Prefeitura não era obrigada a assinar o TAC, mas já que o fez é elementar que tem de cumprir o que ele estabelece. E o fato de isso ter sido feito por outro governo não altera em nada o compromisso.

Alega o prefeito que o TAC não se aplica a esse caso, “porque nós não estamos autorizando um evento, estamos adotando uma política pública prevista no Plano Nacional de Mobilidade de 2012”. Num evento, acrescenta, destina-se a ocupação da Paulista para determinada atividade, enquanto o que se decidiu fazer agora é abri-la para todo mundo. Isso está mais para um jogo de palavras, que se quiser o MPE poderá contestar com facilidade, do que para uma argumentação séria.

Também a Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio de seu presidente, Maurício Januzzi, critica o fechamento da Paulista aos domingos, com base em três argumentos: o acordo com o MPE, o fato de existir mais de uma dezena de hospitais na região e a avenida já contar com várias áreas de lazer, como parques e a ciclovia há pouco inaugurada, além de importantes instituições culturais. “Acredito que seja suficiente para o lazer”, afirma ele com razão.

No caso dos que precisam transitar de carro pela avenida, como os moradores e os pacientes dos hospitais, a Prefeitura afirma que seu acesso a esses locais está garantido e que eles contarão com escolta de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), podendo circular no máximo a 10 km por hora. Para ambulâncias transportando doentes em situação de emergência, essa ridícula velocidade nem merece comentários.

Em princípio, não há nada contra transformar uma avenida em área de lazer, em determinados dias e horários. Mas isso não vale para a Paulista, pelas características apontadas por Januzzi, e mais a sua grande importância para o sistema viário. Mas a triste realidade é que, depois de ser transformada em casa de ninguém para manifestações de todo tipo e a toda hora, agora ela também virou palco para a demagogia de Haddad.