Falcão mostra que PT é principal força de desestabilização de Dilma, diz Serra


Daniela Lima - Folha.com


As declarações do presidente nacional do PT, Rui Falcão, repercutiram na oposição.

O senador José Serra (SP), um dos principais nomes do PSDB no cenário político nacional, disse que aentrevista do petista publicada pela Folha neste domingo (18) "confirma que a principal força de desestabilização do governo Dilma Rousseff é o seu próprio partido".

Falcão defendeu mudanças na política econômica, como o aumento do crédito, e afirmou que, se o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não concordar com uma troca de rumo na estratégia da pasta, deve sair do governo.

"No meio dessa tempestade perfeita na economia e do nó político que leva o governo a uma extrema fragilidade, o PT não deixa de dar sua contribuição para piorar a situação", afirmou Serra à Folha.

"É óbvio que tratar o ministro da Fazenda de maneira depreciativa só faz deteriorar ainda mais as expectativas sobre a economia a curto prazo, que já são ruins", concluiu o tucano.

Para Serra, os ataques do PT, partido da presidente Dilma, ao ministro da Fazenda adicionam ainda mais instabilidade ao cenário atual.

"A entrevista do Rui Falcão confirma a minha ideia de que é o PT a principal força de desestabilização do governo", avaliou o senador.

"Oposição dura ao governo, não ao país", artigo de Samuel Moreira


Folha.com


A falência política e moral do governo Dilma e a crise econômica trazem grandes desafios para a oposição. Nós, representantes da oposição, com frequência somos interpelados nas ruas para darmos um rumo ao país que permita superar a situação de queda do emprego e consumo, alta do custo de vida e deterioração dos serviços públicos.

Essa é uma missão do governo, que tem os instrumentos para tanto. À oposição cabe fiscalizar, cobrar e propor. Dada a gravidade do momento, cabe também evitar qualquer ação que possa piorar ainda mais a vida do brasileiro.

Adotei como princípio da minha atuação parlamentar votar, neste momento, contra qualquer medida que implique crescimento dos gastos públicos. Assim, votei pela manutenção do fator previdenciário, cujo esfacelamento custaria R$ 40,6 bilhões no prazo de dez anos a uma Previdência que já deverá ter deficit de R$ 124 bilhões em 2016.

Também votei contra a criação do seguro-desemprego para os trabalhadores rurais. E vou votar contra o aumento de até 78% para as carreiras do Judiciário e contra a correção de todas as aposentadorias pelo índice do salário mínimo.

Evitar que a situação fiscal do país piore ainda mais não significa, porém, apoio aos pacotes mal embrulhados que o governo propõe. A proposta de volta da CPMF, por exemplo, é inaceitável e recebe nossa oposição frontal, principalmente porque o governo não tem credibilidade e não é capaz de oferecer uma perspectiva de saída para o atoleiro em que afundou o país.

O governo não tem proposta para a Previdência ou para qualquer reforma que implique a solvência das contas. Os cortes de despesas anunciados depois do desastroso orçamento deficitário foram renegados em 48 horas, e o que permanece é a proposta de enfiar um novo imposto goela abaixo do brasileiro.

Da mesma forma, os crimes cometidos pelo governo do PT não podem ficar impunes. Defendo que o processo de impeachment seja instalado na Câmara Federal, que tem legitimidade para tal.

Dilma assinou a abertura de créditos sem fundamentos e sem autorização do Congresso, o que afrontou também a Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem falar da contaminação do resultado da eleição presidencial de 2014 por doações de campanha que tiveram como fonte recursos públicos da Petrobras.

Praticar uma oposição dura, na defesa do contribuinte e da aplicação da lei, não significa, no entanto, contribuir para aprofundar ainda mais a crise. Entendo que a oposição não pode faltar ao país quando (e se) houver uma proposta mínima que aponte para a retomada do equilíbrio fiscal.

O equilíbrio do Orçamento não é um fim em si mesmo. Dele depende o desenvolvimento econômico, o investimento em infraestrutura, a geração de empregos e a execução de programas sociais. A oposição deve ser dura contra um governo corrupto e incapaz de colocar o país no rumo do desenvolvimento, mas não deve contribuir para piorar ainda mais as finanças públicas.

Acima das disputas partidárias deve estar o Brasil, e a oposição tem a sua contribuição a dar para superar esse momento.

*SAMUEL MOREIRA, 52, é deputado federal (PSDB-SP) e membro da Comissão Mista do Orçamento. Foi presidente de Assembleia Legislativa de São Paulo (2013-2015)


"A marca do PT", artigo de Aécio Neves


Folha de S.Paulo


É inconcebível o que o PT tem feito ao Brasil. Sob qualquer ponto de vista –econômico, político, ético–, o que assistimos é a revelação estarrecedora da dimensão do fracasso petista. Que algo ia mal já se sabia havia muito tempo, mas é inacreditável a magnitude do precipício em que fomos jogados.

A combinação letal de sandice econômica, demagogia política e irresponsabilidade gerencial provocou uma derrocada gigantesca que nos custará anos de sacrifício para ser superada. Essa é a verdade, nua e crua.

Vejamos algumas notas tristes das últimas semanas: um milhão de empregos foram eliminados neste ano, a inadimplência atinge mais da metade das empresas brasileiras, 26 dos 27 Estados encontram-se em recessão, o país lidera a fuga de capital entre os países emergentes. A lista de números negativos é enorme.

O governo mentiu ao governar, mentiu para se reeleger, mente agora para se defender. Chega a ser patético o ir e vir de posições oficiais: num dia, o governo nega de pés juntos a existência das famosas pedaladas fiscais; no outro, ao ser condenado por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União, alega que elas foram cometidas para manter os benefícios sociais.

A verdade é que os programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida não somaram nem 4% da despesa primária do governo central. O maior volume de pedaladas foi a conta de R$ 50 bilhões de subsídios concedidos e ainda não pagos pelo Tesouro a grandes empresas pelo governo, via bancos públicos.

O PT sempre desprezou a Lei de Responsabilidade Fiscal. O ideário petista não prioriza o equilíbrio das contas públicas com o pretexto do discurso do atendimento aos mais pobres. Falácia. A máscara caiu. São os programas sociais que atendem aos mais vulneráveis, os que mais sentem as consequências dos desatinos cometidos ao longo dos últimos anos. Educação e saúde foram áreas que tiveram grandes cortes. A inflação cresce, e o Bolsa Família não tem reajuste há mais de um ano.

O PT errou grosseiramente nos fundamentos econômicos. E quem paga a conta são os mais pobres.

Infelizmente o governo não tem respostas críveis. A orquestrada verborragia de suas lideranças procura mais uma vez separar o Brasil entre "eles" e "nós". O discurso da vitimização, de tão usado, já não surte efeito. É impossível salvar o que foi destruído: reputação e confiança.

Não há esteio moral para quem herdou um país arrumado, respeitado, na boa trilha do crescimento, e o coloca agora nesse estado de desequilíbrio, sem credibilidade, à deriva. Com tantas barbeiragens, quem rebaixou o Brasil não foram as agências de risco A ou B. Foi o governo do PT.


*Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi candidato à Presidência em 2014 e governador de Minas entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG.