'Não há razão nenhuma para ter escola hoje invadida', diz Geraldo Alckmin


Após revogar decreto que previsa reorganização da rede estadual de ensino, governador criticou estudantes que mantêm ocupações


FABIANA CAMBRICOLI - O ESTADO DE S.PAULO


Após revogar o decreto que previa a reorganização da rede estadual de ensino no sábado, 5, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu nesta segunda-feira, 7, que os alunos desocupem as mais de 190 escolas tomadas em protesto contra a medida. “Não há razão nenhuma para ter escola hoje invadida. Se a causa era essa (reorganização), agora é retomarmos as aulas para poder o mais rápido possível concluir o ano letivo. Esse é o objetivo”, disse ele após coletiva de imprensa que anunciou medidas de combate à dengue, zika e chikungunya.

Alckmin voltou a defender a reorganização do ensino em escolas de ciclo único. “Procuramos explicar, explicar, explicar, explicar. Acho que tanto foi razoavelmente entendido que, nas matrículas feitas para o novo modelo, os alunos podiam pedir transferência e 96% não pediu. Mostra que já estava meio bem encaminhado. Como surgiu a questão de que é melhor discutir mais, dialogar mais, não tem problema, nós vamos adiar, vamos fazer esse diálogo, especialmente com alunos e pais dos alunos”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de fechamento de escolas em 2017, o governador afirmou apenas que o projeto de reorganização será retomado após debate, sem detalhar quais medidas do plano atual serão mantidas. “Vamos fazê-lo (plano de reestruturação), mas vamos discutir melhor, vamos dialogar”, disse ele.

A Secretaria da Educação de São Paulo apresentou, em setembro, a reorganização de sua rede. A ação pretende reduzir o número de segmentos das escolas estaduais para que tenham ciclo único, ou seja, atendam os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º), anos finais (6º ao 9º) e ensino médio separadamente. Veja alguns motivos que levam a pasta a ter dificuldades para convencer a população sobre os possíveis benefícios da medida. 

Alckmin defendeu a ação da Polícia Militar na dispersão dos alunos em protestos na semana passada e não informou se possíveis excessos dos policiais serão investigados. “Fomos absolutamente cautelosos. A maioria das escolas invadidas, nenhuma foi reintegrada com a polícia. Aí invadiram diretoria de ensino, também não reintegramos nenhuma, não usamos polícia. Daí ocupa a Avenida Doutor Arnaldo, que tem mil pessoas por dia que precisam tratar câncer no Icesp, tem o Hospital das Clínicas, tem o Hospital Emílio Ribas, daí você pede: ‘pessoal, vamos dar mais meia hora para que vocês se manifestem’. Dá o tempo, também não saem, você pede de novo... Ora, não é possível também prejudicar o conjunto da população”, disse ele.

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