Em evento do PSDB, Alckmin e Aécio afinam discurso contra o governo


Daniela Lima e Bela Megale - Folha.com



Após uma conversa reservada de mais de duas horas, os dois principais nomes do PSDB para as próximas eleições presidenciais afinaram o discurso contra o governo.

Em evento na capital paulista na noite de quarta-feira (10), o presidente nacional do partido, Aécio Neves (PSDB-MG ), disse que o PT "dentro do pouco tempo estará alijado do poder". Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu o impeachment como um instrumento constitucional.

Em cima do palanque, numa festa de filiação de novos prefeitos, os dois trocaram elogios e afagos. Aécio, que disputa com Alckmin a preferência interna da sigla para ser candidato à Presidência, chegou a afirmar que Alckmin é a figura mais respeitada da sigla no país. Em uma fala na direção de mostrar a união da sigla, o tucano afirmou que quem apostar na desunião do partido irá "errar" e "perder".

As críticas, no discurso do mineiro, foram todas voltadas ao PT e à presidente Dilma Rousseff. Em tom de quem prevê o fim precoce do mandato da petista, Aécio disse que está na hora de o Brasil se "reencontrar com a verdade" e que não se sente derrotado, mesmo tendo perdido a eleição de 2014.

"Quem diz a verdade, sem se envergonhar em nenhum momento do que fez, não é um derrotado", afirmou. Ele concluiu afirmando que o PSDB é "a única alternativa segura para o Brasil".

Alckmin não abordou a crise que abala a presidente Dilma em sua fala, mas em entrevistas antes e após o evento responsabilizou a petista pela situação atual do país

"Essa crise é made in PT", criticou. "Eles é quem devem apontar os caminhos. Nós sempre defendemos um ajuste que comece pelo corte de gastos e onere o mínimo possível a população", completou.

Antes, ele havia dito que o PT mostra que 'o fundo do poço é móvel'

"Eu disse que o PT havia chegado ao fundo do poço, mas parece que para eles o poço é móvel, sempre pode piorar", afirmou.

Para ele, a perda do grau de investimento do Brasil mostrou que a situação que já era ruim, se deteriorou ainda mais.

Ele defendeu a atitude da bancada do PSDB na Câmara, que lançou um movimento para colher assinaturas pró-impeachment. "Os deputados representam o sentimento da sociedade. Defendemos a investigação e, depois, que se cumpra a lei", afirmou. "O impeachment é constitucional", disse.

Questionado sobre a postura do PSDB no Congresso no que diz respeito a medidas que afetam o ajuste fiscal, o governador disse que o partido errou, por exemplo, ao se posicionar pela derrubada do fator previdenciário, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. "Errou. Foi uma coisa contraditória. O partido precisa sempre agir com responsabilidade".

LOTADO

Programado para acontecer num clube da capital paulista, o local extrapolou a lotação máxima, que é de mil pessoas.

Antes do evento, Aécio voltou a dizer que a situação do país é grave e ressaltou que a perda do grau de investimento do Brasil já resultou no rebaixamento da nota de outras empresas públicas, como a Petrobras.

No palanque, outros nomes do partido falaram sobre a crise que abala o governo Dilma.

"É possível que a Justiça, o Tribunal de Contas e o Congresso, antes de 2018, deem o justo castigo que a presidente merece", afirmou o senador Aloysio Nunes (SP).

"Se no Congresso se cristalizar uma coligação de forças a favor do impeachment, não tenho dúvidas de que o PSDB estará pronto para assumir a responsabilidade que lhe cabe", concluiu.

Na fala mais amena da noite, o senador José Serra disse estar "otimista" com o futuro, mesmo com um presente de dúvidas. "Vamos ter condição de colocar esse país para frente. Não vai demorar muito para colocarmos o Brasil em outro caminho", encerrou.

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