"Improvisação municipal", editorial da Folha


Folha de S.Paulo


O mínimo a esperar de uma administração municipal que se põe a diminuir a velocidade máxima permitida em diversas ruas e avenidas da cidade é que deixe a população a par das mudanças.

Planejamento e campanhas de longo prazo, naturalmente, mantêm relação direta com esse princípio, mas existe um item ainda mais elementar: a correta sinalização dos novos padrões de velocidade.

Como os paulistanos já se cansaram de perceber, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) tem sido incapaz de dar conta dessas etapas –o que inclui, em certos casos, a mais comezinha delas.

Na rua Sena Madureira (zona sul), por exemplo, desde o último sábado (8) o limite passou a ser de 50 km/h. Três dias depois da alteração, entretanto, algumas placas de trânsito ainda indicavam a velocidade antiga (60 km/h).

"A CET fez no piloto automático. Vamos cancelar todas as multas", afirmou Jilmar Tatto, secretário municipal de Transportes.

Ele até pode tentar jogar a culpa desse episódio no colo da Companhia de Engenharia de Tráfego, mas o paulistano sabe que os planos precários e o voluntarismo são marcas da gestão Haddad.

As trapalhadas vão dos atropelos na implantação das ciclovias à volta atrás em medidas como a decisão de fechar as marginais durante a madrugada, passando pelas licitações dos corredores de ônibus, barradas tanto pelo Tribunal de Contas do Município como pelo Tribunal de Contas da União.

Tantos erros bem que poderiam levar a prefeitura a rever seus métodos, sobretudo agora que pretende padronizar até dezembro o limite de 50 km/h nas chamadas vias arteriais de São Paulo (avenidas que ligam diferentes regiões da cidade, com fluxo intenso de veículos).

A medida, a exemplo da redução já em vigor nas marginais Pinheiros e Tietê, tem o objetivo de diminuir a letalidade do trânsito paulistano, responsável, em 2014, pela morte de 1.249 pessoas. Ações como essa vêm sendo adotadas em diversas metrópoles mundo afora.

A confiar no que disse Jilmar Tatto, a mudança será precedida por uma campanha de divulgação de três dias. O prazo, curtíssimo, contrasta com a prática de cidades como Paris (três anos de debates) e Nova York (três meses).

Invocada por Fernando Haddad para justificar as modificações, a boa experiência internacional também deveria servir de parâmetro de planejamento.

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