Impeachment não acontece por causa do PMDB, diz senador Aloysio Nunes


Mariana Haubert - Folha.com


O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) defendeu nesta segunda-feira (17) que há condições jurídicas para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas ponderou que ainda não existem as condições políticas necessárias para que isso aconteça. Para ele, isso só acontecerá quando o PMDB decidir deixar o governo.

"Na minha opinião, a base jurídica existe e está absolutamente configurada. Há a afronta à lei de responsabilidade fiscal com as pedaladas e ela [Dilma] não afastou aqueles que vinham cometendo toda a corrupção na Petrobras", afirmou.

De acordo com o tucano, o fato de o PMDB ser o principal partido de sustentação do governo e ter as duas presidências do Congresso –a da Câmara com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a do Senado com Renan Calheiros (PMDB-AL), acabam por criar condições favoráveis ao governo no Congresso.

"Existe ação a favor do governo no Congresso Nacional, de modo que as condições políticas para o impeachment ainda não estão reunidas. Mas se o presidente da Câmara der andamento ao processo [de impeachment], o PSDB votará a favor", disse.

Ferreira também criticou a atuação do vice-presidente da República Michel Temer, presidente nacional do PMDB, de estar "empenhado em uma tarefa de arrebanhar deputados mediante distribuição de cargos e verbas para que não se atinja o número mínimo de deputados necessários para se votar uma eventual proposta de impeachment". Para se aprovar uma matéria do tipo, é necessário o apoio de 342 deputados.

O tucano afirmou ainda que o governo é incapaz de se recuperar e afirmou que os protestos mostram a insatisfação dos brasileiros com a corrupção e a atuação da presidente Dilma Rousseff no enfrentamento à crise econômica, principalmente em relação à inflação e ao desemprego.

"O fato é que nós, hoje, vivemos uma situação de impasse. O governo não consegue governar, e não há alternativa política para ele ainda configurada", disse.

Para Aloysio, Dilma conta com a sorte na mudança de posição dos empresários, que na última semana pisaram no freio em relação ao impeachment por considerar que a crise econômica poderia se agravar ainda mais após o processo.

Apesar disso, o tucano avalia que o cenário ainda pode mudar caso os empresários se convençam de que o ônus da manutenção de Dilma no poder acabe gerando uma conta maior.

"Se o empresariado, especialmente o empresariado do setor das comunicações, entender que o custo da permanência da presidente é maior do que o custo da sua saída, o PMDB desembarca [do governo]", avaliou.

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