Governo não tem autoridade para cobrar solidariedade, diz Aécio


Danela Lima e Paula Reverbel - Folha.com



A oposição recebeu com críticas e desconfiança os diversos apelos feitos nesta quarta-feira (5) por integrantes do primeiro escalão do governo federal a um acordo "suprapartidário" em nome da estabilidade do país.

As mensagens em nome de uma trégua no Congresso Nacional foram emitidas pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT).

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que se a presidente Dilma Rousseff não consegue reunir a própria base de apoio em torno de seus projetos, não tem "autoridade para cobrar solidariedade da oposição".

Ele disse que o PSDB tem agido com responsabilidade com o país e que se solidariza com os brasileiros, mas não com o governo. Para ele, a intenção dos acenos à oposição é assegurar a manutenção do mandato de Dilma e a preocupação em impedir o avanço das conversas em torno de um pedido de impeachment da petista.

"Ao PSDB jamais faltou responsabilidade para com aquilo que interessa efetivamente aos brasileiros e vamos continuar agindo com absoluta responsabilidade. O mesmo não posso dizer do governo governo, porque foi a irresponsabilidade dele que nos trouxe a essa crise sem precedentes", afirmou.

O tucano disse ainda a "grande vantagem do PT é que é o PSDB quem está na oposição". Segundo ele, se fosse o contrário, com os petistas na oposição, "o país teria explodido".

Aécio disse ter recebido "positivamente" os elogios que Mercadante fez ao seu partido. "Mesmo que tardio esse depoimento é importante. Principalmente porque desmente tudo aquilo que a sua chefe disse durante a campanha eleitoral, especialmente que o PSDB havia quebrado o Brasil pelo menos três vezes."

O ministro da Casa Civil, nesta quarta, ressaltou o compromisso dos tucanos no governo Fernando Henrique Cardoso com a estabilidade da moeda, a responsabilidade fiscal e o controle da inflação.

Aécio repetiu discurso feito nesta segunda (3) por FHC, ao cobrar que o governo olhe nos olhos dos brasileiros e diga onde errou. O ex-presidente tem dito que um mea-culpa seria o primeiro passo para um diálogo público entre PT e PSDB.

O senador mineiro, no entanto, afirmou que "apelos à distância" não cumprem essa função. Para ele, a própria Dilma precisa explicar à população a gravidade da crise.


CÂMARA

Na Câmara, onde o clima entre governo e oposição é ainda pior que no Senado, deputados do PSDB disseram que o governo faz um movimento "orquestrado" para tentar administrar a crise. "Me parece tudo um pouco orquestrado, uma tentativa de aproximação, uma sensibilização", disse Silvio Torres (PSDB-SP).

Para Jutahy Júnior (PSDB-BA), "o governo está percebendo a gravidade da crise. Uma crise política, uma crise econômica e moral. E, infelizmente, temos uma presidente que não tem liderança para atravessar essa situação".

Líder da minoria, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) relacionou a apreensão do governo aos avanços da operação Lava Jato. "Cada delator que passa tira um pedaço. Esse é um governo que não dorme mais", afirmou.

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