Aécio vai procurar PMDB para debater saída para crise


Daniela Lima, Gustavo Uribe e Mariana Haubert - Folha.com


Um dia depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reunir os principais líderes do seu partido, o PSDB, para alinhar o discurso da oposição, o senador Aécio Neves (MG), dirigente nacional da sigla, disse que vai procurar alas do PMDB contrárias ao governo para discutir uma saída para a crise política.

O gesto ocorre menos de duas semanas depois de peemedebistas começarem a sondar outras siglas e o empresariado sobre as chances de eles darem ao vice-presidente Michel Temer condições de governar, caso a crise leve ao afastamento da presidente Dilma Rousseff.

"Faremos uma reunião com os líderes dos partidos de oposição, inclusive com setores do PMDB, e com os juristas que têm expressado, de forma muito clara, também, a sua posição em relação à solução dessa crise", avisou Aécio, em entrevista nesta terça-feira (18), em Brasília.

"Nesse instante é absolutamente fundamental que todos voltemos os olhos aos tribunais. Seja o Tribunal de Contas, seja o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], para que não sofram qualquer tipo de constrangimento", concluiu.

O TCU (Tribunal de Contas da União) dará parecer sobre as chamadas "pedaladas fiscais". Já o TSE investiga, a pedido do PSDB, acusações de abuso político e econômico na campanha de Dilma no ano passado. Uma derrota em qualquer frente pode abrir caminho para o impeachment.

A disposição de Aécio em conversar com o PMDB evidenciou um recuo da ala que o apoia no tucanato. Seus apoiadores chegaram a defender a renúncia de Dilma e Temer, e a convocação de novas eleições como único caminho legítimo para sair da crise. Houve reação na sigla.

Porta-voz desse movimento, o senador Cássio Cunha Lima (PB), reconheceu que não foi "feliz na declaração".

IMPASSE

A fala de Aécio coincidiu com o momento em que outros tucanos –que também estiveram com FHC– passaram a falar abertamente sobre a fragilidade do governo e a aproximação com o PMDB.

Na noite desta segunda-feira (17), o senador José Serra (PSDB-SP) disse em entrevista ao programa Roda Viva que "acha difícil" que a petista consiga se manter no cargo até 2018. Ele também avaliou que, caso o afastamento ocorra, o PSDB deverá atuar para dar sustentação a quem assumir o Planalto.

"Como foi com Itamar Franco", concluiu Serra, lembrando a costura política que antecedeu o afastamento de Fernando Collor, em 1992.

A adesão ou o apoio do PSDB a um eventual governo Temer não é consenso no partido. Nomes como o senador Aloysio Nunes (SP) defendem que o partido não ocupe cargo numa eventual administração peemedebista.

Também convocado por FHC para amarrar o discurso sobre a crise, o governador paulista, Geraldo Alckmin, manteve o tom cauteloso mas recorreu à memória para falar sobre como se portou no impeachment de Collor.

Nesta terça, disse que "se surgir uma proposta de impeachment, o partido [PSDB] tem o dever de analisá-la". Ressalvou, contudo, que o tema deve ser tratado "à luz dos fatos" e que hoje, sem parecer do TCU, por exemplo, "não existe" algo que valide o afastamento.

Por fim, ao defender o impedimento como instrumento constitucional, lembrou: "Eu já votei a favor do impeachment no caso do presidente Collor".
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"Faremos uma reunião com os líderes dos partidos de oposição e com setores do PMDB (...) para uma solução dessa crise"
Aécio Neves, presidente do PSDB
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"Se surgir uma proposta de impeachment, o partido tem o dever de analisá-la. A crise é real, mas tem trâmites que devem ser seguidos"
Geraldo Alckmin, governador de São Paulo
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"Se isso [Dilma sair] acontecer, eu acho que [o PSDB deveria ajudar um governo de coalizão] sim"
José Serra, senador, em 17.ago, no programa "Roda Viva" 


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