PSDB: Brasília é campo neutro para ‘festa da unidade’


Escolha é estratégica após o 'lançamento' das candidaturas de Aécio Neves e Geraldo Alckmin à presidência em 2018

PEDRO VENCESLAU - O ESTADO DE S. PAULO


Depois que o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin foram “lançados” como pré-candidatos presidenciais por seus correligionários em Minas e São Paulo, o PSDB escolheu Brasília como campo neutro para a convenção nacional. 

A previsão inicial dos organizadores era de que 500 pessoas estariam no evento, mas na contabilidade final esse número saltou para 2 mil tucanos na “festa da unidade”, entre eles todos os governadores, deputados, senadores e dirigentes da sigla. 

Para garantir uma reeleição tranquila, Aécio aceitou todas as exigências feitas pelos emissários de Alckmin. Os paulistas emplacaram três nomes diretamente ligados ao governador em cargos estratégicos na máquina partidária: o deputado federal Eduardo Cury, que atuará na montagem dos palanques municipais do PSDB em 2016; o deputado Silvio Torres, que será secretário-geral; e o suplente de senador José Aníbal, que presidirá o Instituto Teotônio Vilela.

O ex-governador paulista Alberto Goldman foi escolhido para permanecer em uma das vice-presidências do PSDB. 

O Estado governado por Alckmin conta com a maior “bancada” da convenção. São 100 delegados dos 500 presentes. Aécio ficará no cargo até maio de 2017, quando terminará o armistício tucano. O sucessor do senador mineiro controlará a máquina partidária e comandará a montagem dos palanques regionais para a disputa presidencial de 2018. 

Relógio. O cerimonial do partido fez um roteiro sob medida para contemplar seus maiores caciques. Os governadores terão entre 2 e 5 minutos para falar. O ciclo será fechado por Alckmin, que não precisará olhar o cronômetro.

O governador, aliás, chegará a Brasília com o senador José Serra para sinalizar a “unidade paulista”. Depois de Alckmin, será a vez de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usar a palavra. Ele ficará estrategicamente postado entre Alckmin, Aécio e Serra. O mineiro fechará o evento com um discurso duro contra a presidente Dilma Rousseff, pontuado por recados e sinalizações. 

Aécio anunciará a carta de princípios do partido como um aceno para a “velha guarda”, mas deixará uma porta aberta para radicalizar o discurso contra o PT. Com o mote “oposição a favor do Brasil”, ele deve finalizar sua fala exaltando a unidade partidária, que será simbolizada pela formação do palanque.

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