Gestão Haddad prioriza centro e deixa ciclovia da periferia de SP na lama


Artur Rodrigues - Folha.com

Ciclovia na avenida Bento Guelf, na zona leste, começa sem sinalização, muda de lado da via e tem trecho coberto por barro e com tinta apagada

Na avenida Paulista, um tapete vermelho. Na avenida Bento Guelfi, no extremo leste de São Paulo, lama. A comparação simboliza tratamentos diferentes da gestão Fernando Haddad (PT) às ciclovias na capital paulista.

Nos principais bairros centrais e de classe média, há resistência de moradores e comerciantes, mas as pistas para bicicletas contam, em geral, com asfalto e sinalização em condições razoáveis.



Ciclovia na Vila Prudente fica metade no paralelepípedo e a outra metade no asfalto, tornando solo muito irregular para ciclistas

Já nos extremos da cidade a manutenção foi deixada de lado -e as ciclovias estão tomadas por sujeira, buracos, enchente, falta de sinalização, iluminação e fiscalização. Além da conservação mais precária, as pistas para bikes nesses bairros paulistanos são também mais escassas.

Das 32 subprefeituras da capital, só 6 não ganharam ainda ciclovias sob a gestão Haddad, todas na periferia: Sapopemba, Itaim Paulista e Guaianases, na zona leste, M'Boi Mirim, Cidade Ademar e Parelheiros, na zona sul.

Desses locais, Sapopemba, Itaim Paulista e Cidade Ademar têm mais de duas mil viagens de bicicleta por dia, segundo pesquisa do Metrô. Entre 96 distritos, eles fazem parte dos 20 com mais ciclistas.

APAGADA

O último balanço detalhado divulgado pela prefeitura, em junho, apontava 238 km de ciclovias implantadas desde 2014 –a meta é 400 km. Segundo a gestão Haddad, houve mais 11 km desde então.

As subprefeituras que mais receberam vias para bikes foram Butantã (40,2 km), Sé (33,9 km) e Lapa (19,7 km).

Na avenida Bento Guelfi, no bairro do Iguatemi (zona leste), além de apagada, a ciclovia é invadida por barro.


"Olha que fizeram este ano e já ficou desse jeito", diz José Batista, 60, borracheiro. Ele reclama que a ciclovia sai do centro da via e muda em direção ao canteiro central justo em frente ao seu estabelecimento, onde ele costumava trocar os pneus dos carros.

Pouco depois, sem sinalização, a ciclovia volta ao centro da avenida, obrigando os ciclistas a ziguezaguear.

Em outro lado da cidade, no Campo Limpo (zona sul), Jovaildo Oliveira, 51, que pedala e trabalha consertando bicicletas, reclama do estado de conservação da ciclovia na rua Guilherme Mainardi.

"Vê se dá pra andar aí", diz Jovaildo Oliveira, 51, apontando para os buracos. "Para a gente, seria bom uma ciclovia na estrada do Campo Limpo, onde os ônibus passam tirando fina de quem pedala."

A crítica é parecida em outras áreas, com ciclovias que seguem pelo miolo dos bairros e acabam antes dos grandes corredores viários.

Alguns ciclistas são obrigados a pedalar fora das ciclovias devido aos obstáculos. Também no Campo Limpo, na rua Caio Graco da Silva, em trecho sem calçada, são os pedestres e vendedores de frutas com seus carrinhos que tomaram a faixa das bicicletas. Em vários trechos é possível ver carros estacionados, problema que se repete no Parque São Rafael (zona leste).

Na Vila Prudente, há problemas de drenagem e no asfaltamento. Na rua Professor Gustavo Pires de Andrade, a tinta foi passada sobre um trecho de paralelepípedos, causando desnível na pista.

Em Sapopemba, a falta de ciclovias é motivo de queixa. "Fui atropelado por um carro que entrava num posto. Nos trechos com ciclovia, não corro esse risco", disse Everton Barbosa, 21, metalúrgico que sofreu ferimentos leves e pedala até a Vila Prudente diariamente para economizar.

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