Encontro com governadores não significa apoio da oposição, diz Aécio


Daniela Lima - Folha.com


No momento em que a presidente Dilma Rousseff lançou uma agenda com os governadores, inclusive da oposição, para garantir a governabilidade e pedir apoio contra projetos que comprometam as finanças do país, o senador Aécio Neves (MG), mandatário do PSDB, divulgou nota em que diz ser "absolutamente natural" que esse tipo de encontro aconteça, mas ressalva que "não se cogita" que esse tipo de iniciativa resulte em "manifestação de apoio a esse governo".

"É absolutamente natural que governadores, independentemente de serem da oposição ou da base do governo, se reúnam com a presidente da República, por mais fragilizada que ela esteja, para tratar de questões administrativas e federativas de interesse do país", diz o tucano no texto divulgado nesta terça-feira (28).

"Eu próprio, como governador de meu Estado, fiz isso inúmeras vezes", ressalta Aécio para, logo em seguida, afirmar que a presença de governadores tucanos não muda a posição do partido no enfrentamento à administração de Dilma.

"Em relação aos governadores do PSDB, o que não se cogita é qualquer manifestação de apoio a esse governo, como pretenderam inicialmente algumas lideranças governistas. O PSDB agirá com a responsabilidade com que sempre agiu, governando bem os estados e fazendo oposição clara e firme a esse governo que tanto mal tem feito ao país, especialmente aos estados e municípios", concluiu.

Aécio anunciou nesta segunda-feira (27) que sua sigla usará parte das propagandas na TV e no rádio a que tem direito neste mês para incentivar a adesão aos protestos marcados para o dia 16 de agosto. O mote das manifestações é a crítica ao ajuste fiscal e o impeachment de Dilma.

A iniciativa do PSDB não é unanimidade no partido. O governador Beto Richa, por exemplo, do Paraná, disse que "a crise não interessa a ninguém".

"Nós temos de ser responsáveis o suficiente para entender o quanto isso está prejudicando o país e, consequentemente, todas as unidades da federação, tanto governos de oposição como de situação", concluiu.

O aceno do Planalto aos governadores da oposição ocorre após interlocutores de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderem uma reaproximação com o tucano Fernando Henrique Cardoso. A iniciativa foi freada após o tucano divulgar nota em que afirmou que o momento é de "diálogo com o povo, não com o governo e que uma conversa desse tipo só poderia ocorrer se fosse pública.

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