Dilma é vaiada e enfrenta protestos durante inauguração de ponte em SC


Jeferson Bertolini - Folha.com

Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR

A presidente Dilma Rousseff foi alvo de protestos nesta quarta-feira (15) em Laguna durante a inauguração da ponte Anita Garibaldi, a maior obra do governo federal em Santa Catarina.

A petista foi vaiada por servidores dos Correios, do Judiciário Federal, da Polícia Rodoviária Federal e por alguns integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

A maioria dos manifestantes ficou do lado de fora da tenda montada sobre a ponte para a cerimônia de inauguração. Eles ficaram em uma via sob a ponte para protestar contra a presidente.

Servidores do Judiciário Federal pediram para Dilma sancionar a PLC 28, que trata dos salários da categoria. O grupo afirma que nos últimos seis anos teve 54% de perdas salariais.

"A presidente tem até o dia 21 deste mês para sancionar a PLC. O impacto no orçamento não vai ser grande porque o pagamento das perdas será parcelado", disse Paulo Koinski, coordenador do sindicato da categoria.

Havia servidores do Judiciário de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul. A coordenação do grupo estimou em mil o número de manifestantes. A Polícia Militar não fez estimativas.

Os servidores dos Correios pediram a realização de concurso público. "O atendimento à população está precário. É insuportável o ritmo de trabalho nos Correios atualmente", disse o carteiro Samuel de Matos, integrante do sindicato da categoria em SC.

Os policiais rodoviários federais pediram "valorização profissional". Em um balão inflável montado ao lado da ponte a categoria escreveu "valorizar a categoria é preciso".

DISCURSO INTERROMPIDO

Dentro da lona, o pequeno grupo de manifestantes tentou interromper mais de uma vez o discurso da presidente Dilma gritando "o povo, na rua, Dilma a culpa é tua". O grupo foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam o evento.

No discurso, a presidente disse que "o Brasil voltará a crescer e gerar empregos".

Dilma reconheceu que o país "enfrenta dificuldades econômicas", mas prometeu lutar para retomar o crescimento.

"Tem gente que diante de alguma dificuldade desiste. Nós não somos esse tipo de gente", disse.

A presidente disse que Brasil é um país mais forte do que já foi e que tem condições de retomar o crescimento. "Nós temos a mania no Brasil de não perceber a nossa força. Mas nós construímos um país mais forte, com condições de reagir."

Responsável pelos protestos contra o governo Dilma em março e abril, o MBL pediu o impeachment da presidente.

"Nós estamos aqui para manter nossa linha de luta. Queremos o impeachment da presidente", disse Alexandre Paiva, coordenador do grupo no Estado.

Às 10h30, só dois integrantes do grupo tentavam entrar na tenda sobre a ponte. Questionados sobre o número reduzido, dissera que "o frio e a chuva espantaram o pessoal".

FILAS

A ponte Anita Garibaldi tem quatro pistas, 2,8 quilômetros de extensão e vão central estaiado (sustentado por barras de aço).

A construção, iniciada em 2012, busca acabar com o pior ponto de congestionamento da BR-101 em Santa Catarina.

De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), 30 mil veículos passam pelo trecho de Laguna a cada dia.

No verão esse número triplica, as filas chegam a 15 quilômetros em cada sentido da rodovia e prendem os motoristas por até quatro horas. "Os motoristas não têm para onde desviar", diz o inspetor Luiz Graziano, da PRF.

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que a obra custou R$ 760 milhões e que foi feita com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O prefeito de Laguna, Everaldo dos Santos (PMDB), e empresários do setor de transporte de cargas acreditam que a ponte impulsionará o desenvolvimento econômico da região porque agilizará o escoamento de mercadorias e o recebimento de matérias-primas.

O nome é uma homenagem à Anita Garibaldi (1821-1849). A líder revolucionária, esposa do italiano Giuseppe Garibaldi (1807-1882), nasceu em Laguna.

Além da ponte, o Dnit anunciou a liberação do túnel do Formigão, em Tubarão (131 km de Florianópolis), que também integra as obras de duplicação do trecho sul da BR-101 em Santa Catarina.

O túnel tem 900 metros de comprimento. De acordo com o Dnit, a obra custou R$ 62 milhões.

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