Convenção tucana eleva crítica contra PT, Lula e Dilma


Em evento previsto para amanhã, em Brasília, PSDB vai 'responsabilizar' petistas por perda da estabilidade econômica

ERICH DECAT - O ESTADO DE S.PAULO


A convenção nacional do PSDB, prevista para amanhã, servirá de palco para integrantes da cúpula do partido responsabilizarem diretamente o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff pelas crises nas áreas econômica, política e social. A realização do encontro dos tucanos ocorre na mesma semana em que pesquisa CNI/Ibope mostrou que a aprovação de Dilma caiu para menos de dois dígitos e chegou a 9%.

"Essa convenção terá duas prioridades. A primeira dela é um diagnóstico do País com a responsabilização do PT pela perda de 10 anos de estabilidade econômica, pela degradação social do País, pela retomada do desemprego em níveis impensáveis e pela retirada do Brasil das cadeias globais. A critica ao PT, ao estelionato eleitoral, vai estar presente nesta convenção" afirmou ao Estado o senador Aécio Neves (MG).

No encontro, em um hotel em Brasília, ao custo de cerca de R$ 1 milhão, o senador será reconduzido para o comando da legenda por mais dois anos. A segunda prioridade dos tucanos será a de, em paralelo às críticas, tentar se firmar como uma força política pronta "a qualquer momento" para voltar a governar o Brasil. A ressalva de estar preparados para assumir o comando do País, mesmo antes das eleições presidenciais de 2018, deixa nas entrelinhas, que apesar de não apostarem em impeachment, os tucanos não descartam um afastamento da petista.

"Não sei até quando esse governo sobrevive. Eles terão derrotas expressivas nas eleições municipais, mas certamente esse ciclo do PT não se sustenta além de 2018. Agora, a grande questão que se coloca é se chega a 2018. Mas isso não é um ato de vontade das oposições, poderá ser decorrente de todas as frentes que a presidente enfrenta hoje no campo político, econômico e em especial no jurídico", considera Aécio Neves, candidato derrotado na última disputa presidencial.

A convenção também deverá servir para se passar a ideia de unidade interna da legenda. A previsão é de que Aécio chegue ao palco central do evento junto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo e os potenciais candidatos à presidência da República - o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra. Também está prevista a presença de lideranças do partido no Congresso e parlamentares e dirigentes do DEM, PPS e SD. O encontro será filmado e o material servirá para os próximos programas partidários de rádio e TV, que vão ao ar em cadeia nacional no segundo semestre.

Na antevéspera da realização da convenção, Aécio e Alckmin definiram a divisão dos espaços na Executiva da legenda. O governador paulista assegurou três nomes no comando do partido. Apesar das movimentação de Alckmin e dos espaços ocupados por aliados a ele, Aécio alega que o momento é de "paz" e que uma definição do candidato presidencial deverá ocorrer apenas no final de 2017.

2016. Para Aécio, as próximas eleições municipais, consideradas como a antessala da eleição presidencial de 2018, também será o momento de aproveitar o "constrangimento" de alguns partidos em se unir ao PT e ampliar as alianças. "Iniciamos um processo de levantamento de candidaturas viáveis nas 300 maiores cidades do Brasil. Se tiver uma candidatura adversária ao PT com melhores condições que a nossa, o PSDB deve estar aberto para consolidar essas alianças. Esse é um grande momento para ampliarmos as nossas alianças porque as do PT estará cada vez mais estreitas."

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