Primeira-dama de Minas é central à trama que levantou suspeitas sobre Pimentel


Daniela Lima Bele Megale - Folha.com


A Polícia Federal ainda tenta entender como foi que a vida da primeira-dama de Minas Gerais, Carolina Oliveira, sofreu tamanha reviravolta em cinco anos.

Até 2009, dizem os investigadores, ela atuava como assessora de imprensa em uma empresa de comunicação e seu maior salário registrado nos bancos de dados foi de R$ 4,6 mil.

Já em 2012, como dona da própria empresa, fechou um contrato que lhe rendia R$ 75 mil por mês. Hoje, é personagem central da trama que pôs sob suspeita o governador Fernando Pimentel (PT).

Até maio deste ano, Carolina só costumava aparecer nos jornais em colunas sociais, marcando presença em eventos de lojas de luxo, ou acompanhando o marido e representando o governo em cerimônias oficiais.

Brasiliense, a primeira-dama cresceu em Taguatinga, cidade satélite do Distrito Federal. Começou a carreira como repórter de um jornal em Brasília. Em 2005 deixou as redações para atuar nos bastidores, contratada pela FSB, uma das maiores empresas de assessoria de imprensa do país. Ficou no grupo por cerca de cinco anos e se desligou após discordar de uma avaliação interna feita sobre os resultados de seu trabalho.

Em 2011, volta à cena nomeada assessora do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), Luciano Coutinho. A instituição é vinculada ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), e Fernando Pimentel era o chefe da pasta.

Apesar de aparecer como funcionária do banco, Carolina era reconhecida no mercado como a jornalista que atuava na linha frente da assessoria de Pimentel.

Ela e o petista se apaixonaram. Carolina trabalhou com o então ministro por menos de um ano, mas percorreu ao menos dez países nesse período –entre eles França, Inglaterra, Estados Unidos e Moçambique– em missões oficiais ao lado do chefe.

O burburinho sobre a divergência entre a nomeação como assessora do BNDES e sua atuação junto a Pimentel fez com que a jornalista deixasse o governo.

Ela abriu sua própria empresa de comunicação, a Oli. Hoje, a firma é um dos elos entre a primeira-dama, o governador, empresários e as suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Carolina nega qualquer irregularidade nos negócios.

LUXO

Desde que assumiu o romance com Pimentel, a primeira-dama se notabilizava nas rodas sociais pelo requinte de seu guarda-roupas e o bom gosto de suas jóias.

Em julho de 2014, meses antes do início da campanha, acompanhou Pimentel na festa de aniversário de um executivo do ramo de mineração, em Belo Horizonte.

Nas fotos, exibe um vestido estampado da grife italiana Emilio Pucci e uma echarpe da maison francesa Louis Vuitton. Só a primeira peça é avaliada em cerca de R$ 4 mil.

O gosto pela alta-costura fez de Carolina cliente reconhecida em lojas de luxo. Ela chegou a viajar com amigas para acompanhar a inauguração de uma filial da Louis Vuitton em Curitiba.

Nos registros do evento, aparece sorridente ao lado de Juliana Sabino. Gerente da Louis Vuitton em Brasília, Sabino também trocou recentemente o noticiário da alta sociedade pelas páginas de política. Ela é namorada do empresário Benedito Oliveira, o pivô do escândalo que dragou o governo mineiro.

Benedito é amigo de Pimentel. O empresário fez fortuna depois de 2005 em contratos com o governo federal.

É dele a gráfica que mais recebeu recursos da campanha do petista ao governo de Minas, em 2014.

E foi Benedito também quem deflagrou as investigações da Polícia Federal sobre a campanha de Pimentel, ao ser flagrado em um avião particular com R$ 113 mil em dinheiro vivo, durante a disputa eleitoral.

A apuração sobre os negócios de Benedito direcionaram os investigadores para as contas da campanha de Pimentel e os negócios da empresa de Carolina, a Oli.

Os investigadores apuram se houve "simulação de contratação da Oli" para o repasse de valores que "em última análise, poderiam ter como destinatário" o hoje governador Fernando Pimentel.

Segundo a Polícia Federal, existem registros que indicam que a Oli recebeu pagamentos de empresas que têm negócios com o BNDES.

Há ainda a suspeita de que Benedito tenha bancado despesas pessoais do petista e sua mulher. O empresário pagou, por exemplo, as diárias do casal em um resort de luxo na Bahia.

O próprio Benedito testou o conforto das instalações cinco estrelas um ano antes, quando se hospedou no local com Juliana Sabino.

Quando Pimentel e Carolina assumiram a relação, Benedito e Juliana passaram a ser companhias frequentes do casal. As duas mulheres se tornaram íntimas. Compartilhavam fotos e declarações em redes sociais. Em muitas delas, Carolina se referia à Juliana como "marida".

O escândalo afastou os casais. Pessoas próximas dizem que Pimentel e Carolina estão "atordoados" com o caso.

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