Metroviários aceitam reajuste salarial e cancelam greve


Em assembleia na noite desta segunda-feira, funcionários do Metrô aprovaram aumento de 8,29% e de 10% no vale-alimentação


MÔNICA REOLOM - O ESTADO DE S. PAULO


Os funcionários da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) aceitaram a proposta de reajuste salarial, na noite desta segunda-feira, 1°, e cancelaram a greve que estava prevista para esta terça-feira.

Em assembleia na sede do sindicato, na zona leste da capital, os metroviários e os engenheiros da empresa votaram por aceitar o aumento de 8,29% - 7,21% da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/Fipe) e mais 1% de produtividade -, além de aumento de 10% nos vales-refeição e alimentação.

“Fechamos o acordo porque foi uma proposta que a categoria entendeu como boa e não precisaremos mais fazer a greve”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Alex Fernandes. “Nós achávamos que o governo ia endurecer, mas a categoria se mostrou mobilizada, enfrentou com muita coerência todo esse momento, e o governo estadual cedeu do ponto de vista das perspectivas que estavam colocadas”, explicou.

O presidente dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, disse que as condições neste ano são diferentes do ano passado, quando a categoria parou por cinco dias às vésperas da Copa do Mundo. Segundo ele, a paralisação naquele momento buscava “garantir algum ganho” aos trabalhadores. Como o ritmo da economia está mais lento em 2015, segundo Altino, os líderes do sindicato defenderam a proposta do Metrô.

Para tentar evitar a paralisação, a empresa fez a proposta de reajuste de 8,29% em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2), no início da tarde desta segunda-feira. Na reunião anterior, na semana passada, o Metrô ofereceu 7,21%, o que não foi aceito pelos metroviários. Eles pediam aumento de 18,64%.

Audiência. O encontro desta segunda, que durou cerca de quatro horas, também discutiu a participação nos resultados dos metroviários. Eles pleiteavam o benefício de forma linear e igualitária, mas o Metrô fez contraproposta garantindo pagamento mínimo (R$ 5.263,90, já com reajuste), porém, com metas atreladas às parcelas fixas e variáveis para este ano.

Outra reivindicação dos funcionários era a readmissão dos demitidos em decorrência da greve do ano passado. Como a questão está na Justiça e ainda não há uma decisão, o TRT-2 explicou que não deliberaria sobre esse assunto.

“Nós vamos continuar na luta pela reintegração dos demitidos. A categoria continua solidária, dando ajuda de custo aos trabalhadores e o nosso jurídico está empenhado para conseguir uma liminar de reintegração”, ressaltou Alex Fernandes.

CPTM. Os ferroviários vão decidir hoje em assembleia se aceitam a proposta da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em audiência no TRT-2 na semana passada, foi apresentada nova proposta de reajuste de 7,72%, valor inferior ao sugerido pelo tribunal (8,25%) um dia antes. Os ferroviários pedem 7,89% de reajuste mais 10% de aumento real.

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