Justiça bloqueia bens de investigados por fraude no Ministério do Esporte


Ex-ministro do Esporte Orlando Silva Jr e a ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues

Três anos após a Operação Gol de Mão, que identificou fraudes de cerca de 13 milhões de reais em convênios da ONG Bola Pra Frente com o Ministério do Esporte, a Justiça Federal decretou a indisponibilidade dos bens imóveis registrados em nome de 20 réus, entre pessoas físicas e jurídicas, envolvidos no esquema que derrubou o ministro Orlando Silva (PCdoB-SP). O bloqueio foi pedido pelo Ministério Público Federal (MPF) de Campinas, no interior de São Paulo, que ajuizou uma ação civil de improbidade administrativa no ano passado, indiciando nove pessoas, entre elas a ex-vereadora de Jaguariúna (SP) e ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, apontada como líder do esquema. Ela nasceu na Argentina e se naturalizou brasileira para reforçar a seleção de Paula, Hortência e Janeth.


As investigações conjuntas do MPF, da PF e da Controladoria Geral da União apontam que, em 2013, Karina montou, com outros integrantes do esquema, a ONG Bola Pra Frente, depois denominada Pra Frente Brasil. Ela é apontada como gestora da ONG, ainda que não constasse no quadro administrativo da entidade. Entre 2006 e 2010, a Bola pra Frente celebrou nove convênios com o Ministério dos Esportes, em valor total de 25,9 milhões de reais, para a execução de projetos do Programa Segundo Tempo.

O MPF de Campinas acusa a ONG de desviar recursos por meio de licitações direcionadas. Karina e seu grupo teriam aberto seis empresas cuja única finalidade era participar de pregões que a ONG promovia. Três dessas companhias foram vencedoras em pelo menos 15 licitações para a contratação de materiais esportivos e kits de alimentação.

O MPF pede que os réus sejam condenados a ressarcir o erário e ao pagamento de multas. Paralelamente ao processo civil, integrantes do grupo respondem também a duas ações penais. Em uma delas, Karina e outras sete pessoas foram denunciadas por formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. De acordo com o MPF, uma audiência de instrução e julgamento está agendada para o próximo mês e Karina pode pegar até 639 anos de prisão pelos 66 delitos atribuídos a ela. Na outra ação penal, Karina e outros cinco denunciados respondem por lavagem de dinheiro.

(Com Estadão Conteúdo)

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