'Haddad, "foie gras" e o petismo', artigo de Igor Gielow


Folha de S.Paulo


Interrompemos a programação do Planalto Central, que nesta sexta (26) apenas viu ministros da cozinha presidencial citados na Operação Lava Jato, para informar que os habitantes do município de São Paulo foram brindados por mais uma medida civilizatória do seu alcaide, Fernando Haddad.
A partir de agora, gansos franceses, turcos e catarinenses poderão dormir mais tranquilos, pois seu sofrimento não contará com o auxílio do Novo Homem que está sendo forjado nas ciclovias paulistanas.

O "foie gras", fígado engordado de forma forçada dos penosos, está protegido das bocas da capital ("spoiler": em Jacareí é liberado).

O fato de a legislação brasileira não vetar o consumo do produto e de que não há notícia de uma produção de "foie gras" em Higienópolis (ou Heliópolis, tanto faz) foi ignorado por vereadores e pelo prefeito –a quem cabia a palavra final.

Ele será saudado por vegetarianos e "modernos" como alguém de visão. Esses dias, alguém escreveu nesta Folha que Haddad é um prefeito muito avançado para o atual estágio evolutivo de São Paulo. Típico.

É o que sobra para o petista hoje: acreditar nos áulicos e rumar a um terceiro lugar na eleição do ano que vem. A desconexão de Haddad com a complexa cidade em que vive, dedicando seu tempo a tentar transformar quem considera "coxinha" no supracitado Novo Homem, é significativa do melancólico fim do petismo como o conhecemos.

Epílogo que ganha contornos dramáticos com a proximidade das apurações da Lava Jato com a campanha de Dilma e o esperneio interminável de Lula para tentar salvar seu legado.

Em favor do prefeito, ninguém pode chamá-lo de incoerente. Ele escrevia sobre os desafios da economia soviética quando o Politburo já estava decomposto. Se realmente perder a cadeira, poderá dedicar-se em suas aulas na USP às "mulheres sapiens" trazidas à luz por Dilma Rousseff.

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