Vandalismo: Professores grevistas tentam invadir Secretaria da Educação


Thais Bilenki - Folha.com

Luiz Claudio Barbosa

Um grupo de professores em greve da rede estadual paulista tentou invadir a sede da Secretaria da Educação na tarde desta quinta-feira (23).

A ação ocorreu depois da reunião da Apeoesp (sindicato dos professores estaduais de SP) com o secretário Herman Voorwald. A sede da pasta fica na praça da República, na região central de São Paulo, onde há professores grevistas acampados há semanas.

Os manifestantes quebraram vidros e violaram uma das portas do prédio Caetano de Campos, patrimônio tombado do Estado de São Paulo onde fica a secretaria. A polícia impediu a entrada com bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenra.

A reunião terminou em impasse. A Apeoesp afirma que Voorwald não apresentou nenhuma proposta.

Na versão do governo, três propostas foram postas à mesa: "uma política salarial para os próximos quatro anos com data-base em 1º de julho; envio de lei à Assembleia Legislativa que inclui os professores temporários na rede de atendimento do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) e estabelece a redução da exigência de 200 dias de intervalo a partir do terceiro contrato desses docentes (duzentena)".
O sindicato respondeu que "essas promessas também foram feitas em 2013 e descumpridas. Por isso exigimos que sejam firmados compromissos por escrito e enviados imediatamente os projetos", afirmou.

Depois da reunião, os professores começaram uma passeata que terminaria na marginal Tietê. A PM impediu, e o ato foi encerrado na praça da Sé, também na região central.

Os professores estão em greve parcial há 39 dias. O sindicato pede aumento de 75% e melhores condições de trabalho. Segundo a Apeoesp, o reajuste equipararia a remuneração docente com a dos demais profissionais com formação superior.

A próxima assembleia está marcada para esta sexta-feira (24). "Certamente nossa categoria manterá a greve", disse, em nota, o sindicato nesta quinta-feira (23).

Sobre a tentativa de invasão, a Apeoesp disse que "os meios de comunicação, afinados com o governo estadual, em vez de questionar por que o secretário da Educação não apresenta propostas aos professores, ficam preocupados apenas em saber se houve ou não tumultos. Embora não tenha havido nenhuma ação deliberada de nosso sindicato, é forçoso reconhecer que diante da atitude da Secretaria Estadual da Educação, de nada oferecer à nossa categoria, os professores ficaram indignados, expressando de diversas maneiras essa indignação, demonstrando seu total descontentamento e revolta".

A pasta disse, em nota, que "repudia a depredação e a tentativa de invasão". "O ato deixou vigias e seguranças feridos. Os grevistas utilizaram violência, configurando uma movimentação truculenta, não democrática e inaceitável."


Os docentes também reivindicam limite de 25 alunos por sala. "Em relação ao desmembramento de classes superlotadas, mais enrolação. A secretaria chegou a pôr em dúvida a autenticidade de listas de alunos de diversas classes com superlotação, tanto no ensino regular quanto na educação de jovens e adultos, como se essa realidade, conhecida de todos nós, fosse uma invenção da Apeoesp e dos professores", disse o sindicato.

SALÁRIOS

Os salários dos professores da rede estadual paulista subiram mais do que a inflação nos últimos anos. Mas os docentes ainda ganham menos do que outros profissionais com formação semelhante.

De junho de 2012 –folha de pagamento mais antiga divulgada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB)– a fevereiro deste ano, o salário médio dos professores das escolas estaduais subiu 28%. Nesse período, a inflação foi de 16%, segundo o indicador IPC-Fipe, em São Paulo, e de 19,5%, segundo o IPCA.

Considerando o início do mandato anterior do tucano (2011) até fevereiro de 2015, o reajuste salarial foi de 45%, segundo dados tabulados pelo próprio governo, ante uma inflação de 25% (IPC). Logo no início do mandato anterior, Alckmin aprovou lei que estabeleceu política de aumentos até 2014.

Um comentário:

  1. Legal, agora são os professores os considerados vândalos do país! Quem são os maiores vândalos e estão no poder? Matéria com manchete totalmente tendenciosa!

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