Justiça do Paraná prorroga prisão da cunhada de Vaccari


Estelita Hass Carazzai, Flávio Ferreira e Graciliano Rocha - Folha.com

O juiz federal Sergio Moro decidiu nesta terça (21) prorrogar por mais cinco dias a prisão temporária de Marice Correa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e suspeita de ter movimentado dinheiro com origem no esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

Em seu despacho, Moro afirmou que Marice foi responsável por depósitos feitos em dinheiro, sem identificação do depositante, na conta da mulher de Vaccari, sua irmã Giselda Rouse de Lima.

Segundo o juiz, dois depósitos foram feitos neste ano, ou seja, quando ela já sabia que estava sendo investigada pela Operação Lava Jato. Marice foi convocada a prestar depoimento em novembro e foi presa na semana passada.

Segundo o Ministério Público Federal, Marice pagava uma "mesada de fonte ilícita" à mulher de João Vaccari.

A ligação de Marice com o dinheiro encontrado na conta de Giselda foi comprovada, de acordo com a Procuradoria, por dois vídeos enviados aos investigadores pelo Itaú Unibanco, com registros de suas câmeras de segurança.

Os vídeos mostram uma mulher identificada pela Procuradoria como Marice, nos dias 2 e 6 de março deste ano, em terminais de autoatendimento de duas agências de São Paulo, no momento em que foram realizados depósitos para a mulher de Vaccari.

Na segunda (20), em depoimento em Curitiba, Marice negou ter feito depósitos para a irmã. Com base nas imagens fornecidas pelo banco, Moro decidiu mantê-la presa.

"O que mais preocupa não é o fato da investigada ter faltado com a verdade tão flagrantemente em seu depoimento", escreveu o juiz, que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba. "O mais perturbador é a constatação de que a prática delitiva não se encerrou com o início da fase ostensiva da operação."

O Ministério Público Federal afirma que a conta de Giselda recebeu R$ 583.400 em depósitos sem origem identificada, todos feitos em espécie e com valores fracionados, entre 2008 e 2014.

Formada em administração de empresas, Marice disse à Polícia Federal na segunda-feira que recebe salário de R$ 9.000 como empregada da Confederação Sindical das Américas, que reúne sindicatos de 23 países. Antes disso, ela havia trabalhado no PT.

Apontada pelo doleiro Alberto Youssef como a pessoa que recebeu em nome de Vaccari propinas pagas pela Toshiba e pela OAS em troca de contratos na Petrobras, Marice fez várias transações financeiras nos últimos anos que se tornaram alvo de desconfianças dos investigadores.

Em 2011, ela declarou ter recebido R$ 240 mil a título de indenização do PT. Marice disse que o partido pagou para compensar danos que ela teria sofrido ao ser exposta na imprensa em 2005 como a funcionária que naquele ano levou R$ 1 milhão à Coteminas, empresa da família do então vice-presidente José Alencar, para pagar uma dívida que o PT tinha com ela.

Marice disse que evitou processar o partido para não criar problemas para o cunhado e recebeu os R$ 240 mil após acordo informal feito com a intermediação do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. O advogado afirmou ter pago a Marice "dez ou onze parcelas" de R$ 20 mil em nome do partido para evitar o processo.

Outra operação que despertou suspeitas foi a venda de um apartamento da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários), da qual Vaccari foi presidente entre 2004 e 2010. Marice declarou em 2012 ter pago R$ 200 mil pelo imóvel, que vendeu no ano seguinte à construtora OAS por R$ 430 mil. Pouco depois, a empreiteira vendeu o mesmo imóvel por R$ 337 mil.

Divulgação/Ministério Público Federal 
Provas indicam que Marice realizou depósitos não identificados na conta da irmã, mulher de Vaccari





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