Gráfica suspeita de abastecer PT recebeu R$ 1,8 mi do governo federal


Folha.com

João Vaccari, tesoureiro do PT, preso na operação Lava Jato

As estatais e órgãos federais que fizeram pagamentos à Editora Gráfica Atitude afirmaram que os repasses corresponderam à veiculação de anúncios na revista publicada pela editora.

As defesas do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque negaram a prática do crime de lavagem de dinheiro.

A assessoria da Petrobras informou que fez pagamentos à Atitude relativos à veiculação de anúncios publicitários institucionais e mercadológicos na "Revista do Brasil", publicada pela editora.

A estatal citou anúncios produzidos para várias campanhas, como a "Marca e Futuro", em 2009, e a "Programa Petrobras Esporte e Cidadania", em 2012.

O Banco do Brasil afirmou que contratou anúncios institucionais na "Revista do Brasil" e que não fez pagamentos de serviços gráficos.

A Caixa Econômica Federal relatou que pagou à gráfica somente R$ 91 mil em 2009, valor relativo a anúncios na "Revista do Brasil".

A Secom (Secretaria de Comunicação Social) do Palácio do Planalto informou que os pagamentos feitos à editora referem-se à contratação de espaço publicitário em veículos de comunicação que foram programados em campanhas institucionais e de utilidade pública.

Em nota, o BNDES afirmou que não houve tempo hábil para levantar as informações relativas a todos os tipos de pagamentos feitos pela instituição à editora.

Segundo os Correios, os pagamentos à Atitude referem-se à "veiculação de anúncios publicitários na Revista do Brasil, prática comum a qualquer empresa e conforme a legislação vigente".

EDITORA


O coordenador editorial e financeiro da Atitude, Paulo Salvador, disse que todos os pagamentos recebidos de estatais, órgãos públicos e o grupo Setal tiveram relação com anúncios na "Revista do Brasil" e foram negociados por meio do departamento comercial da editora.

Salvador afirmou que todas as receitas obtidas pela Atitude são usadas para o custeio da editora, e negou qualquer repasse ao PT. Ele afirmou que até meados de 2013 a tiragem da "Revista do Brasil" era de 360 mil exemplares por mês, e atualmente é de 200 mil exemplares em razão da migração de conteúdos para a internet.

Salvador disse que a Atitude não presta serviços gráficos para terceiros.

O criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, defensor de João Vaccari Neto, afirmou que nenhuma prova foi apresentada contra o petista e que ele não orientou Augusto Mendonça a fazer qualquer depósito na conta da editora.

D'Urso afirmou que Vaccari não tratou de doações ao PT antes de tomar posse como tesoureiro do partido em 2010, e posteriormente todas as contribuições à legenda foram feitas de maneira lícita.

O advogado de Renato Duque, Renato Moraes, afirmou que a denúncia da Procuradoria tem base em declarações de um delator "que está à busca de prêmios".

Segundo o criminalista, Duque não recebeu propina e jamais intermediou ou pediu doações a partidos.

A Folha ligou para a defesa de Augusto Mendonça mas não conseguiu fazer contato.

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