Após protestos em frente a seu prédio, Haddad vai se mudar para casarão


Artur Rodrigues - Folha.com

Danilo Verpa/Folhapress 

Futura casa de Fernando Haddad (PT) no Planalto Paulista (zona sul), em reforma; terreno tem 585 m²

Alvo de frequentes protestos em seu apartamento no Paraíso (zona sul de SP), o prefeito Fernando Haddad (PT) vai se mudar para um casarão no Planalto Paulista, também na zona sul.

Desde o ano passado, a futura residência do prefeito passa por grande reforma. Ele vai ao local semanalmente ver a obra, dizem operários.

Herança de família, a casa foi do pai de Haddad. Hoje, está no nome dele, de sua mãe, Norma, e de sua mulher, Ana Estela. Foi lá que o prefeito passou sua juventude.

Pesou na decisão de Haddad o fato de que sua permanência em um apartamento podia incomodar os vizinhos. Perto da av. Paulista, o atual endereço do prefeito, rua Afonso de Freitas, entrou no mapa de protestos da cidade.

Em janeiro, militantes do MPL (Movimento Passe Livre) protestaram ali. No final de 2013, de madrugada, foi a vez dos sem-teto. O local também já foi cenário de manifestação contra o reajuste do IPTU.

NOVA CASA

Se o prefeito retomar a decisão de ir ao trabalho alguns dias de transporte público, levará mais tempo -hoje, o trajeto leva cerca de 30 minutos, com um ônibus e caminhada. Na futura casa, seriam dois ônibus e o quase o dobro do tempo.

Com um IPTU de R$ 10.315 para este ano, a nova residência dará mais espaço à família do prefeito.

O casarão fica em um terreno de esquina de 585 m², em uma travessa da avenida Indianópolis, a avenida Afonso Mariano Fagundes. Segundo o alvará da obra, 155 m² devem ser regularizados e 25 m² construídos.

Questionada, a prefeitura informou que se trata de uma residência antiga, que precisava de adaptações.

A casa é avaliada pela prefeitura em R$ 1,9 milhão (valor venal de referência, usado para cálculo de imposto), mas, no valor de mercado, um imóvel do mesmo tamanho no bairro pode custar mais que o dobro.

VIZINHANÇA

Se der um passeio pela nova vizinhança, o prefeito pode ouvir muitas queixas.

A principal é a possibilidade de flexibilização da norma que faz da área estritamente residencial. "Querem acabar com os pulmões verdes que são os bairros residenciais", diz Reinaldo da Silva, 70, membro da Sociedade de Amigos do Planalto Paulista.

Ele afirma que a falta de iluminação em alguns pontos e o trânsito também incomodam, mas duvida que os moradores chegariam a ir protestar na frente da casa do novo vizinho. "Não temos um MST (Movimento Sem-Terra) aqui", afirma.

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