Protestos anti-Dilma reúnem mais de 2 milhões de pessoas pelo país


Brasileiros foram às ruas nos 26 estados e no Distrito Federal neste domingo

O GLOBO 
 
Manifestantes protestam contra a presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo  
PAULO WHITAKER / REUTERS

Mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar (PM), participaram de protestos neste domingo contra a administração da presidente Dilma Rousseff e pelo combate à corrupção. As manifestações acontecem em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Ao todo, manifestantes foram às ruas em 147 cidades. Jornais e sites estrangeiros noticiaram as manifestações, que também aconteceram fora do país: em Nova York, cerca de 100 pessoas estiveram na Union Square e em Paris, 20 pessoas se encontraram na praça da Reine Astrid, a poucos metros da embaixada brasileira. Pouco antes das 19h, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) foram designados pela presidente Dilma Rousseff a darem uma entrevista coletiva para fazer uma avaliação das manifestações e anunciaram um pacote anticorrupção "em breve". Durante pronunciamento de ministro, moradores de várias cidades brasileiras fizeram panelaços.

O verde e amarelo deu o tom dos protestos, com manifestantes vestindo camisetas da seleção e carregando a bandeira brasileira. Por todo o país, se viu faixas pedindo o fim da corrupção, o impeachment da presidente Dilma e até mesmo a intervenção das Forças Armadas, mas de maneira geral o público gritava palavras de ordem contra a situação política e econômica do país. Em vários momentos eles cantaram o Hino Nacional.

Apenas em São Paulo, um milhão de manifestantes fecharam a Avenida Paulista, segundo números da Polícia Militar às 15h05m. Foi o maior do país. Muitos manifestantes seguraram bandeiras, vuvuzelas, cartazes e faixas de repúdio à corrupção com as palavras "Basta", "Vem pra Rua", "Fora Dilma", "Vamos dar um basta nisso". Alguns usavam nariz de palhaço. O ato seguiu pacífico, reunindo jovens, idosos e famílias com crianças. Uma manifestante chegou a fazer topless e chamou atenção no meio da multidão. A PM informou que ao menos 24 pessoas foram detidas durante o protesto na cidade.


No Rio, cerca de 25 mil pessoas, segundo a PM, e 100 mil, de acordo com os organizadores, tomaram a Praia de Copacabana, na Zona Sul, para protestar contra o governo, nesta manhã. Cerca de 800 policiais militares fizeram o policiamento da orla do bairro. Os integrantes do protesto levavam cartazes em apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava-Jato.

O trânsito foi totalmente impedido na Avenida Atlântica. Algumas agências bancárias colocaram tapumes por precaução, alguns comerciantes também fecharam suas lojas. Em Niterói, um grupo de 300 manifestantes também participou de uma passeata na Praia de Icaraí. No interior do estado, a cidade de Volta Redonda também foi palco de um protesto.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que participou do ato no Rio, foi impedido de subir em um carro de som. O político havia sido convidado por um dos líderes do movimento a falar no microfone, mas foi vaiado pelos manifestantes.

— Eu disse que não queria falar, mas eles insistiram. Não posso ser unanimidade — afirmou o deputado, que apesar da vaia, foi tietado e fez selfies com manifestantes.

Durante o protesto, um homem de 56 anos, morador de Copacabana, afirmou ter sido agredido com socos por manifestantes. Sergio Moura, que é fiscal da Fazenda, passeava com seu cachorro quando disse aos participantes do ato que fossem fazer protesto em Miami. Moura, que é filiado ao PSOL, só conseguiu sair do local após ser escoltado pela Polícia Militar.

— Na verdade, o que estão tentando fazer é criar condições para um golpe militar. Não estão defendendo a democracia coisa nenhuma— disse Moura.

Um petroleiro também precisou de escolta para sair do ato, após ser hostilizado por defender a Petrobras e o Governo Federal.


Em Brasília, logo no início da manhã, as pessoas já se concentravam em frente ao Museu da República. Antes de chegarem ao local, os manifestantes eram revistados pela Polícia Militar. Às 10h30m, iniciaram uma caminhada em direção ao Congresso Nacional. De acordo a PM, cerca de 45 mil pessoas participaram do ato. Para os organizadores, esse número chegou a 150 mil. Boa parte da manifestação ocorreu em frente ao Congresso. Um grupo entrou dentro do espelho d’água e começou a balançar uma faixa verde e amarela. Outras pessoas carregavam cartazes com frases como “chega de tanto roubo” e “queremos o Brasil livre da corrupção”. A PM fez um cordão de isolamento no local e a manifestação seguiu pacífica.

Apesar de alguns dos presentes pedirem o impeachment da presidente, o coordenador do movimento “Limpa Brasil” e um dos principais organizadores da manifestação, Paulo Pagani, diz ser contra essa pauta:

— Não somos a favor (do impeachment). Agora o momento é de eles reavaliem os valores que eles perderam, como ética, como respeito, e principalmente cuidar da coisa pública, que é pra isso que eles foram eleitos — afirmou.

Uma jaula foi montada durante a concentração para colocar as fotos e os nomes dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nas denúncias da Operação Lava-Jato. O juiz Sérgio Moro e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram homenageados pelos manifestantes, que afirmaram que eles mereciam ser lembrados pela coragem que tiveram de denunciar os escândalos de corrupção na Petrobras. Alguns ministros do STF, porém, não foram poupados das críticas. Do alto de um dos trios elétricos, organizadores gritaram palavras de ordem contra Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

O trânsito na Esplanada dos Ministérios foi bloqueado, assim como as ruas laterais que dão acesso ao Palácio do Planalto. Por volta das 13h, os organizadores do evento distribuíram três mil rosas brancas, que foram deixadas no espelho d’água. Alguns manifestantes entregaram as flores para os policiais. A manifestação se dispersou e as pessoas começaram a voltar para a Rodoviária do Plano Piloto, onde cantaram mais uma vez o Hino Nacional e encerraram o protesto.

Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade, tradicional ponto na Zona Sul da cidade, foi tomada por milhares de manifestantes na manhã deste domingo. Segundo estimativas da PM, cerca de 24 mil pessoas estiveram no local para reivindicações, contra 40 mil segundo os organizadores. Em um movimento pacífico, com perfil familiar, o ato começou a ganhar grandes proporções a partir das 10h. Apoiados por um carro de som, além de pandeiros, apitos e buzinas, palavras de ordem foram entoadas diversas vezes, como "Fora, PT", "Fora, Dilma", e "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil". Também foram tocadas canções, como "Que País é Esse", do Legião Urbana, e o Hino Nacional.

— O movimento está muito bacana, quando que essas pessoas sairíam de casa no domingo de manhã para protestar por um Brasil melhor? Lutamos pelo fim da corrupção e, consequentemente, da Dilma. Se for preciso, já temos argumentos para impeachment, baseado no dolo, na responsabilidade por esses escândalos. Mesmo assim, nenhum partido nos representa, precisaríamos de uma grande reforma política, mas não neste momento — afirmou um dos líderes do ato, o empresário Paulo De Mingo.

A Polícia Militar estima em 8 mil pessoas o número de manifestantes que estiveram presentes na praia de Boa Viagem, cartão postal do Recife. O grupo caminhou por pouco mais de um quilômetro. Na manifestação em defesa de Dilma e da Petrobras, ocorrida dois dias antes, no Centro da cidade, a PM informou que foram 1.500 presentes. Os manifestantes cantaram o Hino Nacional e de Pernambuco. Três trios elétricos foram colocados na avenida, que por mais de uma década foi palco do carnaval fora de época Recifolia. Diferentemente do axé daquela época, a trilha sonora tinha “Indignação”, do Skank e “Caminhando”, de Geraldo Vandré, considerada um hino das manifestações petistas de outrora.

Em São Luís, no Maranhão, aproximadamente 3 mil pessoas, segundo estimativa da PM, participaram dos protestos. Os organizadores calcularam 4 mil pessoas no ato. A concentração começou às 9h, na praia de São Marcos, na orla da avenida Litorânea. Às 10h30m, os manifestantes começaram a passeata de 6 quilômetros em direção à lagoa da Jansen, no bairro São Francisco, ocupando apenas uma das pistas da Litorânea até chegar à praia da Ponta d’Areia e à Lagoa, onde os manifestantes se dispersaram, pouco depois das 12h.

O "Fora Dilma", em Belém, reuniu mais de 10 mil pessoas. Servidores públicos, empresários, maçons e estudantes participaram do ato. Sindicatos também aproveitaram para cobrar melhores condições de trabalho, controle da inflação e dos impostos. Tudo isso motivou mais de três horas de manifestação pelas ruas do centro da capital paraense. Panelaços, apitaços, vaias e cartazes criticavam o governo e a corrupção. davam a diversidade de ideologias e interesses. Havia apoios isolados à volta do regime militar.

Centenas de pessoas protestaram no Farol da Barra, em Salvador. A concentração no local começou por volta das 9 horas, e os manifestantes seguiram em direção à estátua do Cristo, em Ondina. A PM estima que cerca de 4 mil pessoas estejam no evento. Já os organizadores acreditam que foram 5 mil. Em Vitória, no Espírito Santo, o protesto reuniu 100 mil pessoas, de acordo com a secretaria estadual de segurança pública do Estado. Já em Natal 5.500 pessoas segundo contagem da PM. Três mil e 800 pessoas, segundo os organizadores, e 3 mil, segundo a PM participaram da manifestação no Piauí. Os manifestantes fizeram o enterro de um boneco. de Dilma Rousseff.

No Rio Grande do Sul, a concentração começou no Parque Moinhos de Vento, um reduto de classe média alta da cidade, e percorreu várias ruas centrais até chegar ao Parque da Redenção. Segundo os organizadores, entre 50 mil e 60 mil pessoas marcharam contra o governo pelas ruas de Porto Alegre. O Centro de Comando Integrado (Ceic) estimou o público em 30 mil pessoas. A Brigada Militar (BM), entretanto, avaliou que o público envolvido na manifestação superou as 100 mil pessoas.

Em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul também houve manifestações. Em Novo Hamburgo, na região metropolitana, cerca de 10 mil pessoas segundo os organizadores e 2 mil de acordo com a BM interromperam o trânsito da BR 116 por quase uma hora no final da tarde. O congestionamento chegou a 3 quilômetros. Em Caxias do Sul, o protesto reuniu cerca de 10 mil pessoas. Em Santa Maria, 5 mil manifestantes marcharam pelas principais ruas da cidade para protestar contra o governo e pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O protesto em Campo Grande (MS) reuniu 10 mil pessoas e em foram 12 mil, segundo dados da PM.


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