Obras em São Paulo estão emPACadas: Promessas de Dilma e Haddad não são cumpridas


Crise já atrasa obras de drenagem e mobilidade em São Paulo

Falta de recursos para iniciar intervenções dificulta obtenção de repasses do PAC; dez projetos estão sob risco

ADRIANA FERRAZ E JULIANA DIÓGENES - O ESTADO DE S. PAULO


Ao menos dez obras anunciadas pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) correm o risco de não sair do papel por falta de recursos, e isso antes mesmo de a Prefeitura começar a pagar os precatórios. A crise já interfere no cronograma de intervenções firmado com o governo federal para evitar enchentes e melhorar a mobilidade e, aos poucos, dificulta a entrega de outras iniciativas igualmente prioritárias para o petista nas áreas de habitação, saúde e educação.

Na terça-feira, Haddad citou, por exemplo, um conjunto de obras com financiamento assegurado pela Caixa Econômica Federal em setembro do ano passado que ainda não pôde ser iniciado por falta de recursos municipais e federais. Avaliado em R$ 2,6 bilhões, o pacote é composto por dez intervenções antienchentes e obras de mobilidade, como o alargamento de vias e a construção de corredores de ônibus na zona sul.

Na foto, cruzamento das ruas Adolfo Gordo e Doutor Carvalho de Mendonça, onde carros ficaram ilhados 

Mas, independentemente da crise, parte dessas ações nem sequer foi licitada pela Prefeitura, o que já desperta desconfiança na população. “Ouvi mesmo falar que ia passar um corredor aqui na frente e tirar metade do estacionamento (de uma igreja). Mas isso foi no ano passado. Estranho que neste ano ainda não vi ninguém mais comentar”, disse Erenir dos Santos, de 48 anos, que frequenta uma igreja na Estrada do M’Boi Mirim, no bairro Piraporinha, zona sul. 

Com apenas uma faixa de rolamento em cada sentido, o trânsito é intenso na região do M’Boi Mirim, próximo da Estrada da Cachoeirinha, onde estava previsto um corredor de ônibus. Segundo Erenir, é comum que frequentadores da igreja cheguem para o culto das 20 horas quando as portas já estão fechando, às 21h30, por causa do trânsito travado. “Para chegar aqui é uma luta. Precisaria do corredor porque aliviaria muito. Uma vez saí daqui às 22 horas e ainda estava tudo parado na M’Boi Mirim.”



Prazo. Algumas das medidas citadas têm prazo de conclusão longo, estimado em pelo menos 36 meses. É o caso, por exemplo, da canalização dos córregos Capão Redondo, Freitas e Ribeirão Perus, nas zonas sul e norte da cidade. Os projetos incluem a construção de piscinões, por R$ 421 milhões. 

A construção de um sistema de galerias no Córrego Verde e de um piscinão na Rua Abegoaria, na zona oeste, tinham prazo de nove meses. Era a previsão mais curta entre as obras incluídas no PAC, mas, seis meses após a assinatura do acordo de financiamento, as obras ainda não começaram. 

Moradora de uma casa na Rua Abegoaria há cinco anos, a cuidadora Juliana de Oliveira, de 35 anos, nem sequer tinha ouvido falar que a área teria obras de drenagem. Nos meses de chuva, ela observa da sacada da residência os efeitos dos alagamentos. “Já vi cair árvore, vi cair carro dentro de um buraco que abriu por causa da chuva. Um morador que andava na calçada caiu com a força da água e quase foi levado. Todo ano é um caos”, disse.

No Capão Redondo, zona sul, Ronaldo Gomes, proprietário de um restaurante, diz que sofre com as enchentes há oito anos. “Fiz uma comporta há dois anos, quando (a chuva) arrebentou a mureta do meu ponto. Perdi geladeira, mesa e cadeiras na enchente.”

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