"O fim das armas nucleares", artigo de Aloysio Nunes


Folha de S.Paulo

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O Brasil participará, a partir desta segunda (27), da Conferência das Nações Unidas para negociar um tratado com o objetivo de proibir as armas nucleares. Fiel ao princípio constitucional que determina o uso da energia nuclear para fins exclusivamente pacíficos, lutamos por um mundo livre do armamento mais letal já concebido.

A negociação de um tratado de banimento é o resultado de três conferências sobre os impactos humanitários dessas armas. Realizadas entre 2012 e 2014, hoje conhecidas como a "Iniciativa Humanitária", elas concluíram que a detonação de uma bomba nuclear teria efeitos impensáveis sobre as normas básicas do direito internacional humanitário. Isso sem falar no impacto catastrófico sobre a vida humana e o meio ambiente.

Na última das conferências, em 2014, mais de 120 países subscreveram a "Promessa Humanitária" de empreender ações para banir essas armas do planeta. A "Iniciativa Humanitária" decorre do próprio Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), cujo preâmbulo determina o emprego de "todos os esforços para prevenir o perigo" da guerra nuclear e para "preservar a segurança dos povos".

Os Estados nuclearmente armados, infelizmente, não se associaram à "Promessa Humanitária", preferindo uma "abordagem progressiva" para reduzir os perigos e, em última análise, alcançar o desarmamento nuclear.
É verdade que, desde o auge da Guerra Fria, o número total de ogivas nucleares diminuiu significativamente. Mas será que estamos mais perto de um mundo livre desses armamentos?

Se tomarmos como base os resultados da "abordagem progressiva", a resposta é não: depois de mais de 50 anos da entrada em vigor do TNP, nove países ainda detêm mais de 15 mil armas nucleares, arsenal mais do que suficiente para destruir o planeta.

A maioria dos Estados nuclearmente armados assumiu compromissos com o desarmamento nuclear, mas não demonstra o mesmo entusiasmo com ações concretas.

Essa postura não é coerente com as preocupações da grande maioria dos países, que deseja o avanço urgente do desarmamento nuclear com base em imperativos éticos, de segurança, econômicos e ambientais.

Diferentemente do que pregam os defensores da "abordagem progressiva", o tratado de banimento de armas nucleares não atentará contra o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Antes o reforçará, ao instar todos os Estados a empreenderem medidas efetivas com vistas à cessação da corrida armamentista e ao desarmamento nuclear.

A comunidade internacional já baniu as outras armas de destruição em massa, as químicas e as biológicas, não havendo razão para não proibir, igualmente, a única capaz de aniquilar a vida na Terra.

É passada a hora de tomar medidas corajosas para corrigir uma perigosa lacuna jurídica na construção de um mundo mais seguro.

Para a diplomacia brasileira, a defesa do desarmamento nuclear, mais do que uma opção estratégica, constitui um imperativo moral e um dever constitucional.

Participaremos da conferência com espírito construtivo, com a consciência de que a adoção de padrões de conduta mais elevados no âmbito multilateral ainda é a melhor alternativa para promover soluções eficazes e legítimas para os desafios globais.

Convidamos todos os países a se juntarem a nós e aos demais patrocinadores da iniciativa e a participarem de maneira construtiva desse exercício histórico.


*ALOYSIO NUNES FERREIRA é ministro das Relações Exteriores. Foi senador (PSDB-SP) e ministro da Justiça (governo FHC)

"Sem disfarces, é muito difícil a realidade deixada pelo PT", artigo de Aécio Neves



Folha de S.Paulo


A informação divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de que o Brasil ficou estagnado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), chamou a atenção. Foi a primeira vez, depois de 11 anos, que deixamos de avançar.

Antes que os opositores do atual governo digam que essa estagnação é culpa do impeachment, vale avisar aos desavisados: o estudo refere-se a 2015.

A PNAD daquele ano já havia mostrado que a pobreza crescera mais de 19%, segundo dados da FGV Social. Com a recessão instaurada, o desemprego e a crise social legados pelo governo petista, é de se esperar que o próximo relatório sobre o IDH brasileiro traga ainda mais notícias ruins.

Os dados divulgados pelo PNUD com base no quinto ano do governo Dilma mostram que o Brasil se mantém na 79ª posição do ranking de IDH. Quando levada em conta a desigualdade, o Brasil é o terceiro país que mais perdeu posições. Dados trágicos e inaceitáveis.

Por ironia, é desse mesmo governo o slogan: "O fim da miséria é apenas o começo". Hoje -e especialmente depois da campanha de 2014- vemos que a eficácia da propaganda petista estava não em comunicar de forma eficiente a realidade, mas em mascará-la.

Vale a pena ver as contradições entre os números de pessoas que teriam deixado a miséria e a pobreza apresentados oficialmente pelo PT e pelas administrações do partido, que evidenciam a falta de consistência das estatísticas então apregoadas.

Foi para impedir manipulações como essa que apresentei no Congresso iniciativa que obriga os governos a identificarem a fonte oficial e o responsável pelas informações divulgadas à população.

O desempenho brasileiro no IDH começou a estagnar em 2014, com a falta de reajustes do Bolsa Família, o desemprego e o descontrole da inflação somados à má qualidade da educação. O modelo petista, que optou em fazer a gestão diária da pobreza durante 13 anos, começou a desmoronar por não ter se preocupado de fato com uma inclusão social sustentável.

O número de pessoas inseridas no Bolsa Família passou a ser apresentado como um fim, ao invés de ser tratado como um primeiro e fundamental passo da travessia para uma verdadeira emancipação social desses brasileiros. Estatísticas alimentavam propagandas que davam a entender que o benefício, por si só, havia resolvido definitivamente o problema de parcela importante da população. Isso nunca foi verdade.

O alerta dessa estagnação deve servir para construir uma agenda social responsável, efetiva e de longo prazo no Brasil.

É hora de agir em respeito a milhões de brasileiros que alimentaram estatísticas e propagandas sem que efetivamente tenham tido a real oportunidade de deixarem de ser pobres.





*Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi candidato à Presidência em 2014 e governador de Minas entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG.

Em evento com governador, Temer diz que Brasil 'aplaude' Alckmin


Presidente elogiou tucano durante evento de entrega de casas do Minha Casa, Minha Vida em São José do Rio Preto

Elizabeth Lopes e Altamiro Silva Junior - O Estado de S. Paulo

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O presidente Michel Temer elogiou em discurso nesta sexta-feira, 24, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante evento em São José do Rio Preto (SP). "O Brasil te aplaude Geraldo Alckmin, pelo que tem feito pelo Brasil."

Temer disse logo no início de seu discurso que é de São Paulo e conhece o que Alckmin tem feito pelo Estado e em seguida falou da parceria paulista com o governo federal para a construção de moradias.

Temer participa hoje de evento no interior paulista de entrega das chaves do conjunto habitacional Solidariedade. O local tem cerca de 1,3 mil casas financiadas pelo projeto Minha Casa, Minha Vida. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, também participou do evento.

Dilma sabia de caixa dois na campanha, diz Marcelo Odebrecht



LETÍCIA CASADO, BELA MEGALE E CAMILA MATTOSO - FOLHA.COM

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O executivo Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira e herdeiro do grupo, afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em depoimento no dia 1º de março, que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia dos pagamentos de caixa dois à campanha eleitoral de 2014.

Ele ainda afirmou que jamais recebeu pedido "específico" do presidente Michel Temer e apontou os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci como interlocutores dos repasses de caixa dois ao PT.

Parte do depoimento foi revelada pelo site "O Antagonista". A Folha teve acesso ao documento na íntegra.

Segundo Marcelo, parte do caixa dois da campanha em 2014 foi paga por meio do marqueteiro João Santana.

Foi quando o ministro Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa, perguntou se ele já havia conversado com Dilma sobre as dívidas com o PT.

"Não. Veja bem, Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa dois para o João Santana. Isso ela sabia", respondeu.

"O senhor chegou a conversar com ela?", indagou o relator. "Não cheguei, ela sabia pelo nosso amigo", respondeu, sem citar quem seria o "amigo".

"A sua impressão está clara. O senhor acha que ela sabia", questionou o ministro do TSE.

"Sim", disse Marcelo.

"Ela nunca me disse que sabia que era caixa dois, mas é natural, ela sabia que toda aquela dimensão de pagamentos não estava na prestação do partido", ressaltou.

Ele afirmou ainda que, após estourar a Lava Jato, avisou Dilma do risco de "contaminação" dos recursos depositados no exterior para João Santana, investigado pelo suposto recebimento de propina em contas fora do Brasil. "Eu alertei ela e vários assessores dela", disse.

"A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá? (...) Eu não me envolvi na maior parte das demais campanhas, mas...eleição presidencial foi...eu conheço ela".

Marcelo isentou Michel Temer da negociação de uma doação de R$ 10 milhões da Odebrecht para o PMDB. "Nunca houve um pedido para mim, específico, do Temer".

Segundo ele, no jantar ocorrido no Palácio do Jaburu naquele ano, Temer não tratou de valores. Participaram do encontro, além dele e de Temer, Cláudio Melo Filho, então vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, e o hoje ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).

Marcelo Odebrecht deu a seguinte versão: "Teve um determinado momento, que eu me lembro bem, o Temer saiu da mesa, já no fim do jantar, e aí, eu, Cláudio e Padilha firmamos: 'Oh, tá bom então. Vai ser doado dez, conforme você já acertou com o Cláudio, Padilha; desses dez, seis milhões vou direcionar para a campanha do Paulo, que ele me pediu, e vocês ficam com quatro para direcionar para os candidatos que vocês quiserem'".

"Não me lembro em nenhum momento de o Temer ter falado dos dez milhões, ter solicitado um apoio específico. Obviamente que fica aquela conversa de que: 'Olha, a gente espera a contribuição de vocês; a gente tem aí um grupo que a gente precisa apoiar", disse.

Segundo Odebrecht, a empreiteira doou R$ 150 milhões à campanha de Dilma-Temer naquele ano, sendo R$ 50 milhões como contrapartida de uma medida aprovada no Congresso em 2009 de interesse do grupo empresarial. O valor deveria ter sido usado na eleição de 2010, mas, disse o empresário, ficou como "crédito" para quatro anos depois.

Segundo Marcelo, "talvez quatro quintos" do valor destinado à campanha de Dilma foi via caixa dois.

Alckmin recebe apoio do PTB para disputa em 2018


Roberto Jefferson e Campos Machado afirmam que partido já está fechado com candidatura do governador paulista à Presidência

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

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Armando Monteiro, Geraldo Alckmin e Campos Machado

Único pré-candidato ao Palácio do Planalto da base governista que já está se movimentando abertamente para 2018, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu o reforço do PTB em seu “palanque”. 

Doze anos após ter o mandato cassado por sua participação no mensalão, do qual foi delator, o ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB, e o secretário-geral da legenda, deputado Campos Machado (SP), disseram ao Estado que a questão está fechada no partido. 

Jefferson vai mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, por onde disputará uma vaga de deputado federal no ano que vem. O PTB tem 25 deputados federais e dois senadores. 

“A nossa aposta é no Geraldo. É um homem que conhece gestão e sabe administrar crises”, afirmou Jefferson. Questionado sobre a possibilidade de o prefeito João Doria ser o candidato tucano, Campos Machado foi categórico. “Nós só temos um candidato (a presidente), que é o Geraldo Alckmin. Se não for ele, lançaremos um nome do PTB na disputa”, disse o deputado estadual. 

O parlamentar contou, ainda, que tem levado parlamentares petebistas de todos os Estados para encontros com o governador e que Alckmin é a “primeira opção” para concorrer pelo partido caso não se viabilize no PSDB. 

“Eu, que sou secretário-geral do PTB, já estou aqui. Agora vem o presidente do partido. Mas o movimento é nacional. Já levei ao Palácio dos Bandeirantes deputados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Piauí e até o (senador) Armando Monteiro (PE). Estamos afinados com o Brasil inteiro”, disse Machado. 

Em São Paulo, o PTB já é um aliado antigo do PSDB, que governa o Estado há 20 anos. 

Antes do PTB, o PSB, que tem sete senadores, três governadores, 33 deputados federais e o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, sinalizou que aceita lançar Alckmin à Presidência caso o PSDB bloqueie essa possibilidade. Atual secretário de Finanças do diretório nacional e presidente da legenda em São Paulo, o vice-governador Márcio França espera assumir a presidência do PSB para pavimentar o apoio dos pessebistas ao projeto do tucano. 

Outra sigla que já está na órbita do governador é o PV. O presidente nacional do partido, José Luiz Pena, é um aliado antigo do tucano e indicou aliados para cargos no governo. 



Doria quer integrar imagens de 10 mil câmeras públicas e privadas


Meta principal é captar registros de aparelhos instalados pela população em condomínios, residências e comércios; projeto segue modelo estadual

Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo

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A gestão João Doria (PSDB) lançou na manhã desta quinta-feira, 23, um programa de segurança baseado no uso de imagens captadas por câmeras de vigilância já instaladas na cidade. A meta é alcançar 10 mil aparelhos nos próximos quatro anos e integrar, em uma mesma central, a produção em tempo real de equipamentos dos órgãos públicos e de prédios residenciais, comerciais e mesmo de residências, a exemplo do Detecta, do governo estadual.

"Trata-se de um programa de cooperação entre o poder público e a sociedade", afirmou o secretário municipal de Segurança Urbana, coronel José Roberto Rodrigues.

Segundo ele, o projeto City Câmera começará na região no Brás, no centro da capital, com 249 câmeras, sendo 232 fixas e 17 móveis. A escolha se deu em função do número de pessoas que circulam ali - de 250 mil a 320 mil por dia - e do histórico de criminalidade contra pedestres.

Doria afirmou que o projeto, quando finalizado, fará de São Paulo a cidade mais bem monitorada do País. As imagens geradas pelas câmeras particulares serão recebidas pela Prefeitura pela internet, desde que haja interesse dos responsáveis. Um chamamento público será lançado em breve para convocar a população a participar.

"O monitoramento não supre a presença do policial nas ruas, mas a tecnologia é muito importante para dar mais agilidade e reduzir o tempo de resposta à população", disse o coronel Mauro Cezar dos Santos, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

As imagens dessas 10 mil câmeras serão fornecidas ao Copom.

Doria afirmou que o City Câmeras não terá investimento municipal, apenas privado. O objetivo é, além de identificar situações de violência e criminalidade, aprimorar o monitoramento do patrimônio público, como escolas e hospitais, e também fiscalizar as ruas da capital para impedir, por exemplo, descarte irregular de lixo e pichações.

Detecta. O prefeito esclareceu que o sistema será todo conectado com o Detecta, do governo estadual. "É o mesmo sistema tecnológico ampliado em milhares de vezes."

Segundo Rodrigues, a capital tem hoje 150 câmeras integradas ao Detecta. Em julho, esse número passará a 400, com o início do projeto no Brás. "Ainda muito inexpressivo para a cidade, acredito. O objetivo é chegar a 10 mil. Aí, sim, teremos mais controle."

As imagens captadas pelas câmeras particulares passarão por um processo de seleção. Será avaliada a qualidade das imagens. Apenas câmeras viradas para o espaço público serão utilizadas. 



Agenda do governador Geraldo Alckmin 24/03 - São José do Rio Preto/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin participa nesta sexta-feira, 24, da entrega de 1,3 mil casas do Morar Bem, Viver Melhor para famílias de baixa renda de São José do Rio Preto. As unidades do Residencial Jardim da Solidariedade são resultado de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Casa Paulista, e o programa federal Minha Casa Minha Vida.


Evento: Entrega de 1,3 mil casas do Morar Bem, Viver Melhor
Data: Sexta-feira, 24 de março de 2017
Horário: 10h30
Local: Residencial Solidariedade - Estrada Municipal de Acesso ao Núcleo Esperança, s/nº - São José do Rio Preto/SP

Para FHC, proposta de lista fechada 'quer evitar que Lava Jato vá adiante


Em vídeo postado em rede social, ex-presidente afirma que eleitor nem sabe nome dos partidos e que medida vai eleger direção dos partidos

O Estado de S.Paulo

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou na manhã desta quarta-feira, 22, que a proposta de lista fechada defendida hoje pelo Congresso é uma forma de evitar que a Operação Lava Jato 'vá adiante'. "Eleita vai ser a direção do partido e o povo vai votar em partidos. Quais? O povo nem sabe o nome dos partidos. Não dá para aprovar nada que tenha cheiro de impunidade.

Isso é uma lei que, na verdade, quer evitar que a Lava Jato vá adiante. Não pode", disse o tucano, em vídeo postado em rede social.


Assista ao vídeo:


Para ele, os nossos partidos hoje, vamos falar com franqueza, estão muito mal das pernas. Os políticos todos estamos mal das pernas. Então, não acho que seja o momento de fazer proposta".

A Câmara dos Deputados pretende aprovar até maio mudanças no sistema eleitoral e no financiamento de campanhas para que as novas regras entrem em vigor nas eleições de 2018. A lista fechada também consta no relatório final do relator da reforma política na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP).

Fernando Henrique também defendeu o fim das coligações no vídeo porque "você vota em um e elege outro" e também a cláusula de barreira. "Eu acho importante uma lei que diga: ‘olha, um partido que não recebeu x votos em tal número de Estados, não vai ter representação na Câmara. Porque não é partido, tentou ser partido", avaliou.

Competência. Para o ex-presidente, cabe à Justiça 'separar' o que é crime de caixa 2 ou crime de corrupção. "Fez corrupção, ganhou dinheiro por causa da Petrobrás, Eletrobras ou onde seja, ou porque recebeu dinheiro de uma empresa para fazer uma lei a favor dessa empresa, é crime. É crime e, na verdade, corrupção. E não declarou? É falsidade ideológica. E caixa 2? Também é crime, mas é outro tipo de crime. Está capitulado no Código Penal. Deixa que a Justiça separe: o que é caixa 2, o que é crime de corrupção, o que pode ser punido quando não é eleição, o que pode ir para cadeia. Não somos nós, os políticos, os líderes nacionais ou as pessoas que vão opinar", defendeu. 

Parlamentares estudam aprovar um projeto de anistia do caixa 2 na comissão de reforma política, presidida pelo deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). As negociações para viabilizar a proposta voltaram a ganhar força no Congresso depois que a Segunda Turma do Supremo decidiu tornar réu o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação é de que Raupp recebeu “propina disfarçada” de doação oficial da construtora Queiroz Galvão para a sua campanha ao Senado, em 2010. 

Existe a possibilidade também de aprovar o tema por meio de proposta de emenda à Constituição (PEC), que é promulgada pelo próprio Congresso Nacional, uma vez que o presidente Michel Temer já afirmou que não vai sancionar um projeto de lei nesse sentido.

Os deputados também articulam um texto para blindar o chamado “caixa 1”, isto é, o dinheiro efetivamente declarado na Justiça Eleitoral. “Qualquer tema pode ser pautado, não tenho objeção a nenhum tema, contanto que ele seja feito com nome, sobrenome e endereço fixo. Eu acho que essa é a questão que falta neste debate”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na semana passada. / Alexandra Martins, Isadora Peron, Daiene Cardoso e Igor Gadelha

Agenda do governador Geraldo Alckmin 22/03 - Brasília/DF

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin participa, nesta quarta-feira, 22, da cerimônia de posse de Alexandre de Moraes no cargo de ministro do STF.

Às 17h30, o governador participa de audiência com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.


Evento: Sessão solene de posse de Alexandre de Moraes no cargo de ministro do STF
Data: Quarta-feira, 22 de março de 2017
Horário: 16h
Local: Plenário do Supremo Tribunal Federal - Praça dos Três Poderes - Brasília/DF

Evento: Audiência com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles
Data: Quarta-feira, 22 de março de 2017
Horário: 17h30
Local: Ministério da Fazenda - Bloco P - 5º andar - Brasília/DF

"Água verdadeira", artigo de Benedito Braga


Folha de S.Paulo

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Comemora-se nesta quarta-feira (22) o Dia Mundial da Água. Com razão poderia o leitor perguntar: há o que comemorar? A resposta é um vigoroso sim, se levarmos em conta o esforço realizado pelo Governo de São Paulo no encaminhamento de soluções para a maior crise hídrica que se tem registro em nosso Estado.

Ao mesmo tempo, temos importantes desafios no âmbito do saneamento básico, o que nos leva a abrandar o vigor da resposta. Entretanto, no que concerne à segurança hídrica, temos muito a festejar.

Tal avanço foi construído em São Paulo a partir de dois pilares: gerenciamento da demanda e aumento da oferta de água. Durante a crise hídrica de 2014-2015, mecanismos econômicos para o uso eficiente dos recursos foram fundamentais.

Através do sistema de bônus, os consumidores da água da Sabesp que economizaram tiveram descontos em suas contas de até 30%. Aqueles que aumentaram seu consumo foram submetidos à tarifa de contingência, com aumentos de até 50%. Dessa maneira, o gasto de água foi reduzido em cerca de 30%.

Hoje, quando a crise está totalmente superada e os mecanismos foram cancelados, a redução em relação ao período pré-escassez chega a 15%. Ou seja, o paulistano adotou um novo paradigma de consumo, mais parcimonioso e eficiente. Isso é motivo para grande comemoração.

"Água verdadeira." Este, segundo alguns estudiosos da língua tupi, seria um dos significados da palavra Tietê, que deu nome ao rio impulsionador do que podemos chamar de "civilização paulista".

Hoje o Tietê está distante da recuperação com que sonhamos, mas não temos medido esforços e investimentos nessa luta, junto com toda a sociedade, que cada vez mais está atenta para a importância da água.

Lições de países que atingiram esse nível de consciência há mais tempo nos servem de guia. Como a experiência de Londres, com o rio Tâmisa, que já foi chamado de "O Grande Fedor" e levou mais de cem anos para ser recuperado. Na França, o Sena demorou 70 anos e também demandou vultosos investimentos.

Sabemos que estamos no caminho certo, como aponta a redução da mancha de poluição do Tietê em 75%, índice atestado pela ONG SOS Mata Atlântica. E também pelos exemplos de outros rios importantes do Estado, como o Paraíba do Sul e o Jundiaí, que já receberam até classificação que permite o uso da água para abastecimento.

O caminho é este: desassorear, reduzir o esgoto e combater a poluição difusa (o lixo levado pela chuva ao rio e aos córregos). Esse trabalho no Tietê é fundamental para o nosso futuro.

Neste ano devemos entregar o novo Sistema São Lourenço e a Interligação Rio Grande - Atibainha; no ano que vem, a nova captação do Itapanhaú. Ao todo, somando essas três obras às outras realizadas durante a crise hídrica (Rio Grande-Taiaçupeba, Guaió, rio Pequeno-rio Grande e Guaratuba), temos 22 m³/s de água a mais entrando nos nossos sistemas de abastecimento.

Tudo somado, representa mais de um terço do que a Grande São Paulo consome hoje, o suficiente para garantir água para quase 8 milhões de pessoas.

Água de qualidade, água segura, água que dá vida, que significa saúde, que possibilita as nossas atividades sociais, profissionais e recreativas e que embeleza o mundo.


*BENEDITO BRAGA é secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Mundial da Água