Candidaturas folclóricas não resistem ao 2º turno, diz Alckmin


Em entrevista, candidato do PSDB voltou a defender o voto útil e negou apoio a Haddad no segundo turno, caso não passe

Marcelo Osakabe - O Estado de S.Paulo

Foto: Welbi Maia

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, voltou a minimizar as chances do adversário do PSL, Jair Bolsonaro, de vencer um segundo turno das eleições. Segundo ele, a alta rejeição do deputado impede ele de vencer oponentes como o PT de Fernando Haddad.

"O Mario Covas dizia: no 1º turno, o eleitor escolhe. No segundo turno, o eleitor rejeita. Bolsonaro perde para qualquer candidato, é só olhar a rejeição", disse o tucano, em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. "Essas candidaturas folclóricas não resistem ao segundo turno, olha o Maluf (Paulo Maluf, que concorreu à Presidência em 1985), olha o Enéas (Enéas Carneiro, falecido em 2007). Tudo que o PT quer é o Bolsonaro no segundo turno", emendou. 

Alckmin voltou a dizer que conta com o voto útil na reta final do primeiro turno para avançar e negou que apoiaria Haddad num eventual segundo turno, caso não passe. "Não é verdade (apoio ao PT), primeiro porque vamos chegar ao segundo turno. Segundo, porque combati o PT a vida inteira. Ganhamos seis vezes deles aqui em São Paulo", disse. 

O tucano ainda defendeu o arco de alianças que montou e citou a entrevista dada na segunda-feira, 24, por Bolsonaro para argumentar que ele também terá que negociar com o Centrão, grupo de partidos que costuma criticar. "Ontem Bolsonaro citou o Onyx Lorenzoni (PP-RS) para a Casa civil. O Onyx é do Centrão", lembrou. 

Ao ser lembrado do economista Paulo Guedes, que deve assumir o Ministério da Fazenda num eventual governo Bolsonaro, Alckmin voltou a endurecer o discurso. "Eu não vou ser pau mandado de banqueiro. O Brasil já viu o que banqueiro faz. Alguém vai ter que pagar essa conta e o pobre e a classe média é que não vai ser", afirmou.

Bolsonaro ameaçou ex-mulher de morte, confirma Itamaraty


Segundo documento de 2011, Ana Cristina afirmou à embaixada brasileira que saiu do Brasil por causa do deputado

Rubens ValenteMarina Dias - Folha.com

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A ex-mulher do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle

Ex-mulher do candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle afirmou ao Itamaraty em 2011 que foi ameaçada de morte por ele, o que a levou a deixar o Brasil. O relato consta de um telegrama reservado arquivado no órgão, ao qual a Folha teve acesso. Na época Bolsonaro e Ana Cristina travavam uma disputa judicial no Rio de Janeiro sobre a guarda do filho do casal, então com cerca de 12 anos.

Em outro trecho do documento, Ana Cristina disse considerar que, ao procurá-la, o vice-consulado do Brasil na Noruega “estava agindo em nome do deputado federal Jair Bolsonaro”.

O mesmo telegrama havia sido liberado à Folha pela Lei de Acesso à Informação, porém com esses e outros trechos cobertos por tarja preta. Duas fontes ouvidas pela reportagem e o então embaixador, Carlos Henrique Cardim, que assina os textos, confirmaram a íntegra dos documentos.

Atualmente Ana Cristina, ex-servidora da Câmara Municipal de Resende (RJ), usa o sobrenome “Bolsonaro” e é candidata a deputada federal pelo Podemos. Ela disse apoiar a candidatura do ex-marido ao Planalto e considerou “superado” o episódio na Noruega, apesar de ter admitido ter sido pressionada por ele à época.

Conforme a Folha revelou no domingo (23), Bolsonaro mobilizou o Itamaraty, em 2011, como deputado federal, para que o órgão intercedesse em seu favor depois que Ana Cristina viajou para a Noruega com o filho do casal.

Segundo o site do Itamaraty e resposta enviada à reportagem, o órgão não pode interferir em assuntos pessoais de brasileiros no exterior. No entanto, em 2011 localizou e manteve contato com Ana Cristina a pedido de Bolsonaro.

A afirmação dela sobre a suposta ameaça de morte consta da íntegra de um telegrama de julho de 2011 enviado a Brasília pela Embaixada Brasileira em Oslo e escrito por Cardim a partir de informações prestadas pelo vice-cônsul naquele país.

Procurado pela reportagem, o diplomata, professor do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), disse se recordar do conteúdo do documento. Ele contou que, em julho de 2011, foi acionado por escrito pelo Itamaraty, em Brasília, e também procurado por Bolsonaro, com quem conversou por telefone. Segundo Cardim, Bolsonaro estava contrariado com o fato de sua ex-mulher ter viajado, sem a sua autorização, com o filho para a Noruega.

Depois da conversa com o deputado, o então embaixador recebeu as informações do vice-cônsul do Brasil em Oslo, que havia entrado em contato telefônico com Ana Cristina. Segundo Cardim, o procedimento “segue uma rotina das embaixadas do Brasil”.

“Foi explicada a ela a legislação do Brasil, da Noruega. E aí ela mencionou para o vice-cônsul que estava pensando em pedir asilo. E que teria dito ao vice-cônsul que sofreu uma ameaça de morte do deputado Bolsonaro. E o vice-cônsul me transmitiu isso”, descreveu o ex-embaixador à Folha.

Cardim disse ainda que, com o telegrama, fez apenas “um relato” da situação. “Não estou aqui [no telegrama] julgando se houve ou não essa ameaça. Só estou registrando o fato que ela falou para o vice-cônsul. E ponto. Lá [embaixada] não é delegacia de polícia. Se ela quiser apresentar uma queixa, ela vai a uma delegacia de polícia no Brasil, apresenta, é outro processo, compreende?”, explicou o diplomata.

A conversa de Ana Cristina com o funcionário do Itamaraty, um oficial de chancelaria que exercia a função de vice-cônsul, ocorreu porque Bolsonaro havia procurado, dias antes, a sede do Itamaraty em Brasília para pedir uma intervenção do órgão a respeito do paradeiro de seu filho.

Por lei, segundo o embaixador, uma criança só podia sair do país acompanhada de apenas um dos pais desde que houvesse junto uma autorização do pai ou da mãe que não estivesse na viagem.

A íntegra de outro telegrama, agora também obtida pela Folha, mostra que Bolsonaro relatou ao Itamaraty que Ana Cristina havia obtido um passaporte para seu filho “com base em certidão de nascimento expedida antes do reconhecimento de paternidade feito pelo deputado Bolsonaro”. Dessa forma, no documento constaria apenas o nome da criança como Renan Valle, sem o sobrenome do deputado, e, no campo da filiação, não aparecia o nome do pai. O telegrama não esclarece quando Bolsonaro reconheceu a paternidade do menino.

Na reunião em Brasília, Bolsonaro disse, segundo o telegrama, que seu filho morava há dois anos em sua residência do Rio de Janeiro, “onde frequenta escola e tem sua vida estruturada”. O deputado disse ainda que o gesto da ex-mulher “constituiria falsidade ideológica com intuito de sequestro” e, por isso, pediu a “gestão do Itamaraty para averiguar as condições em que estaria o menor”.

"Eleições indefinidas", artigo de Welbi Maia


A volatilidade das intenções de voto para presidente é altíssima. Qualquer cenário é possível até 7 de outubro

Welbi Maia Brito – Editor 

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As pesquisas de intenção de voto há 12 dias da eleição mostram Jair Bolsonaro (PSL), em primeiro, Fernando Haddad (PT), em segundo, Ciro Gomes (PDT), em terceiro e, logo depois, Geraldo Alckmin (PSDB). Alguns jornalistas e analistas políticos dizem que o quadro eleitoral para o segundo turno já está definido entre Bolsonaro e Haddad. Mas será que é isso mesmo? Acredito que não.

E não é só a minha opinião. A maioria dos especialistas em análise eleitoral estão temerosos em afirmar o resultado da disputa eleitoral no próximo dia 7 de outubro.

E não é por acaso. Vários outros levantamentos mostram que está tudo em aberto. Nas últimas eleições os resultados mudaram na reta final. Foi assim nas eleições para presidente em 2014, em 2012 e 2016 em São Paulo para prefeito.

Um outro dado que mostra esta indefinição é que 50% das mulheres, maioria do eleitorado, ainda não definiu seu candidato à presidente. 

Soma-se a isso, que dos eleitores que já declararam votos, mais da metade não tem como decisão definitiva. Haddad tem 51% de seu eleitorado fidelizado, enquanto Bolsonaro aparece com 49%. Ciro tem 32% e Alckmin 30% de eleitores convictos.

A polarização entre os extremos – direita contra esquerda -, também pode provocar mudança de votos já declarados e ser decisivo para os indecisos. O chamado “voto útil”, pode colocar outros candidatos na disputa pelo segundo turno na reta final. 

O candidato mais provável a ser beneficiado por essas oscilações de votos e pelo “voto útil”, por rejeição aos candidatos que lideram a campanha, é Geraldo Alckmin do PSDB. O tucano vem dizendo há algum tempo que esta eleição se definirá nos últimos dias.

A volatilidade das intenções de voto é altíssima. Isso sem contar com a possibilidade de “fatos novos”, como o atentado contra Bolsonaro que alterou totalmente a campanha. Assim, apesar da liderança nas pesquisas do candidato do PSL, seguido pelo candidato petista, nenhum resultado para o segundo turno pode ser descartado. 

O jogo ainda está rolando e só vai se definir após “o apito do juiz”, às 17 horas do dia 7 de outubro, quando as urnas se fecharem. Até lá, tudo pode acontecer. E quem apostar que o campeonato já acabou, vai perder.

*Welbi Maia Brito – É jornalista, publicitário e editor do Blog do Welbi

Bolsonaro não tem projeto para a Saúde


Equipe de Bolsonaro identifica área acéfala na campanha

Welbi Maia - Blog do Welbi

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Há pelo menos quatro anos em campanha para presidente, equipe de Jair Bolsonaro diagnosticou somente agora que a área de Saúde da está acéfala. Simplesmente não há projeto nem ninguém que represente o capitão na área.

Em declarações públicas o deputado demonstrou não ter pretensão de aumentar os gastos com saúde, além de afirmar que poderia cortar verbas para tratamento com pacientes com aids. 
 
Cabe lembrar que após sofrer o atentado a faca, Bolsonaro foi socorrido e teve a vida salva pelo rápido atendimento da equipe da Santa Casa de Juiz de Fora, que é mantida pelo SUS, mas preferiu se recuperar no particular e caríssimo Albert Einstein.

Ou seja, se o candidato do PSL for eleito, não há nenhum perspectiva de melhoras. A Saúde, que  já está péssima, pode ficar ainda pior. O resultado disso todos sabem, custará muitas vidas. E dos mais pobres.

Haddad descumpriu 9 de 10 metas para a saúde em SP, mostra auditoria


Tribunal de Contas aponta falhas em área elencada como prioridade pelo petista quando prefeito; trabalho foi ótimo, diz ex-chefe de pasta

Rogério Gentile

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Ao tomar posse na Prefeitura de São Paulo em 2013, Fernando Haddad (PT) afirmou que a saúde seria uma das prioridades da sua administração e que iria colocar a cidade "na vanguarda do serviço público de qualidade".

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município após o término da gestão, no entanto, mostra que o hoje candidato a presidente não conseguiu cumprir 9 das 10 metas de governo que havia prometido para o setor da saúde na capital paulista.

Haddad, por exemplo, prometeu inaugurar três hospitais (Parelheiros, Brasilândia e Vila Matilde), mas, segundo a auditoria, não entregou nenhum deles, sendo que apenas 50% dos trabalhos previstos foram realizados.

Também afirmou que reformaria e melhoraria 20 prontos-socorros, usando como modelo conceitual as Unidades de Pronto Atendimento, além de implantar 5 novas Upas. Segundo relatório técnico do TCM, realizado entre fevereiro e março de 2017, o prefeito petista cumpriu apenas 22,5% dessa meta.

O cálculo sobre cumprimento das metas considera não apenas os projetos concluídos, mas também tudo o que foi feito naqueles que ainda estavam em construção. É o chamado "acompanhamento qualitativo das metas".

De acordo com a auditoria, o único objetivo efetivamente cumprido por Haddad foi o de implantar 12 novos consultórios de rua com tratamentos odontológicos e relacionados ao abuso de álcool e outras drogas.

Mesmo assim, os técnicos do tribunal ressalvam no documento que o projeto foi concluído antes da divulgação do Plano de Metas.

O melhor índice de cumprimento foi o de desenvolver o processo de inclusão do modelo de prontuário eletrônico na rede municipal de saúde. Segundo a auditoria, Haddad atingiu 92,5%.

Obrigatório por lei, o Plano de Metas foi divulgado por Haddad em outubro de 2013, mais de nove meses depois da posse. Um texto preliminar havia sido lançado em março daquele ano e discutido em 35 audiências públicas.

Ao final do governo, Haddad divulgou um balanço no Diário Oficial no qual afirmou que cumpriu 82,3% dos objetivos estabelecidos, considerando todas as áreas. 

Os números da saúde, porém, destoam dos apontados pelos auditores do TCM.

Haddad, por exemplo, disse que cumpriu 32% da meta de construir e instalar 30 centros de atendimento psicossocial.

"A meta não foi concluída em virtude do cenário de restrição orçamentária", justificou a administração, à época. Para o TCM, contudo, a taxa de cumprimento foi ainda menor, de apenas 14,5%. 

A diferença de entendimento entre o que Haddad diz ter feito e o que o TCM considera como tal se repete em praticamente todas as tarefas.

"A divergência ocorreu devido a alterações nos projetos inicialmente propostos, sem a devida justificativa e publicação", afirma o tribunal.

No caso dos hospitais, por exemplo, Haddad optou por entregar um hospital na Vila Santa Catarina, em vez do inicialmente previsto para a Vila Matilde. O TCM, porém, entende que não vale para efeito da meta prevista.

"O importante, evidentemente, é que um novo hospital foi efetivamente entregue", diz Mariana Almeida, que foi chefe de gabinete da Secretaria da Saúde de Haddad.

O hoje presidenciável foi prefeito entre os anos de 2013 e 2016, quando não conseguiu se reeleger, sendo derrotado pelo tucano João Doria.

Na auditoria, o TCM destaca ainda a queda da satisfação da população com a área da saúde. Afirma que em 2013, quando Haddad assumiu, a nota média geral dada pelo paulistano para a saúde era 4,9. Em 2016, caiu para 3,7.

Pesquisa realizada pelo Datafolha cerca de três meses antes da eleição municipal de 2016 mostrou que 79% dos paulistanos consideravam que Haddad havia feito menos do que o esperado na saúde. 

Para 11%, Haddad fez pela saúde o que esperavam que fizesse e somente 2% entendiam que o prefeito havia feito mais do que imaginavam.

Promotoria abre inquérito para apurar suspeita de improbidade de Skaf no Sebrae-SP


Menções a supostas irregularidades foram apontadas em relatórios e, depois, suprimidas

José Marques - Folha.com

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O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar suspeita de improbidade administrativa de Paulo Skaf no comando do conselho deliberativo do Sebrae-SP. O candidato ao governo do estado pelo MDB é presidente licenciado do órgão.

O inquérito civil apura a possibilidade de favorecimento a aliados do emedebista, com base em suspeitas apontadas em relatórios internos elaborados pela empresa de consultoria Deloitte e reveladas pela Folha.

Versões posteriores desses documentos foram modificados e tiveram os trechos que apontavam os problemas suprimidos.

Em junho, Skaf deixou o comando do Sebrae-SP interinamente para concorrer às eleições.

O procedimento foi aberto pela Promotoria de Patrimônio Público e Social da capital para investigar "supostas irregularidades ocorridas no âmbito do Sebrae praticadas, em tese, por Paulo Skaf —eventual fraude nos relatórios de auditoria”.

No último dia 17, o promotor de Justiça Silvio Marques pediu ao presidente do Sebrae nacional, Guilherme Afif Domingos, esclarecimentos a respeito de duas contratações.

“[Solicito] informações acerca das supostas irregularidades apontadas”, disse o promotor no ofício. Ele deu um prazo de 15 dias para que as respostas fossem dadas.

Um dos tópicos excluídos nos relatórios da Deloitte aponta suspeita de nepotismo relacionada ao atual presidente em exercício do conselho deliberativo, Tirso de Salles Meirelles.

Tirso Meirelles foi secretário do conselho (o colegiado de direção superior) até o ano passado. Em 2016, ocupava o cargo de secretário enquanto o seu pai, Fábio Meirelles, que é presidente da Faesp (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), era conselheiro titular. 

O parentesco não permitia que Tirso estivesse no cargo, segundo um dos relatórios da Deloitte. O documento aponta que resolução interna veta o posto "àqueles com grau de parentesco, ainda que por finalidade em linha direta ou colateral, até o terceiro grau, em relação ao superintendente e demais diretores".

Em maio deste ano, Skaf articulou para, quando se licenciasse, pôr Tirso na presidência como representante da Faesp. A mudança foi um agrado ao setor ruralista.

Trecho eliminado de outro documento se refere ao ex-chefe de gabinete da presidência da Fiesp (federação das indústrias do estado) e braço direito de Skaf, Rossildo Faria.

Presidente da Fiesp (federação de indústrias do estado), Skaf virou chefe do conselho do Sebrae-SP em 2015, acumulando o cargo junto com o comando de outros braços do chamado "Sistema S" no estado, o Sesi e o Senai.

A consultoria afirmava que ele não tem a escolaridade mínima exigida para funcionários que ocupam o cargo.

Para cargos de confiança como o de gerente de unidade, diz o relatório, é necessário que o profissional tenha ensino superior completo comprovado por diploma reconhecido pelo Ministério da Educação.

Análise: O 'mito' não é imbatível e hoje elegeria o PT


Índices de apoio a Bolsonaro pararam de crescer, sua rejeição aumentou e ele passou a perder no confronto direto do segundo turno para Haddad, Ciro e Alckmin

Marcelo de Moraes - O Estado de S.Paulo

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Apesar de liderar as pesquisas, Jair Bolsonaro mostrou que há pontos fracos importantes na sua campanha presidencial. A partir do momento em que passou a existir a possibilidade de sua vitória, sua candidatura se tornou muito mais exposta e revelou fragilidades sérias que o folclore em torno do “mito” pareciam esconder. 

Segundo o mais recente levantamento do Ibope, sob críticas pesadas, os índices de apoio a Bolsonaro pararam de crescer, sua rejeição aumentou e ele passou a perder no confronto direto do segundo turno para Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Hoje, na disputa contra Haddad, Bolsonaro elegeria o PT.

Na prática, esses problemas que atingem agora sua campanha poderiam ter aparecido antes. O atentado que sofreu no dia 6 criou uma blindagem emocional em torno de sua candidatura. A comoção criada pelo ataque e pela internação em estado grave impediu que os adversários lhe batessem pesado. Com o início de sua recuperação, essa limitação acabou e o candidato passou a ser criticado não apenas pelo seu comportamento individual, mas também pelas ideias que seus principais assessores passaram a transmitir desastradamente.

Campanhas lideradas por mulheres, denunciando misoginia, e incertezas sobre o impacto de mudanças tributárias a serem adotadas pelo seu eventual governo parecem ter retirado parte do teflon que o protegia. Declarações inoportunas de Paulo Guedes, seu guru econômico, e do general Hamilton Mourão, seu candidato a vice, ajudaram a aumentar o caldo de cultura contra sua campanha.

Simultaneamente, no campo da esquerda, Haddad se consolidou como o catalisador do espólio de Lula. O candidato do PSL poderá ter força para chegar ao segundo turno até em primeiro lugar. Mas, por causa de sua fragilidade e rejeição, essa vantagem poderá se transformar numa espécie de vitória de Pirro, já que tudo indica que levará os eleitores antipetistas à derrota posterior contra Haddad.

Paulo Guedes espalha fake news para prejudicar Alckmin


Radar- Veja

Paulo Guedes e Bolsonaro

No último fim de semana, o economista Paulo Guedes espalhou pelo Whatsapp um falso áudio atribuído a Geraldo Alckmin (PSDB).

Nele, o tucano declararia apoio ao PT em um segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL).

Alckmin afirmou que o conteúdo era falso e que não apoiaria nenhum dos dois porque os considera extremistas.

Leia aqui:

Horas depois de compartilhar a informação, Guedes voltou atrás dizendo que o conteúdo era “fake”.

Alckmin critica Bolsonaro e diz que não será 'pau mandado de banqueiro'


Em agenda no Rio, candidato do PSDB criticou propostas do economista Paulo Guedes, que coordena plano econômico de Bolsonaro. Tucano disse que fará governo para a classe média e os mais pobres.

Carlos Brito - G1 

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, discursa durante evento no Rio de Janeiro 
Foto: Carlos Brito/G1

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, fez críticas nesta segunda-feira (24) ao adversário Jair Bolsonaro e às propostas de Paulo Guedes, economista que coorderna o programa econômico do candidato do PSL.

Alckmin cumpriu agenda de campanha no Rio de Janeiro. Ao falar com a imprensa, o tucano criticou as propostas de Paulo Guedes que disse, em encontro com investidores, que estava em seus planos propor a criação de um tributo nos moldes da CPMF em substituição a outros impostos e unificar a alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Física em 20%.

Segundo o candidato do PSDB, tais propostas são o "primeiro tiro" de Bolsonaro contra o contribuinte. Alckmin disse que, se for eleito, fará um governo voltado à classe média e aos mais pobres e que não será "pau mandado de banqueiro", em referência às propostas liberais de Paulo Guedes.

"O primeiro tiro que ele [Bolsonaro] deu foi no bolso do contribuinte, querendo aumentar imposto, diminuir imposto de renda para rico, onerando a classe média, porque não se poderia mais descontar com educação e saúde, e criando mais um imposto que é a CPMF. Eu não vou ser pau mandado de banqueiro. Vou fazer um governo voltado à classe média e aos mais pobres, voltado a recuperar a economia brasileira e fazer um país mais justo", disse Alckmin.

O tucano aproveitou a entrevista para dizer que há gente "bem intencionada" declarando voto em Bolsonaro porque tem "medo" que o PT volte ao poder. Alckmin, porém, disse que o candidato do PSL "não tem a menor condição" de vencer Fernando Haddad em um eventual segundo turno.

“Tem gente bem intencionada votando no Bolsonaro com medo do PT. Só que o Bolsonaro não dá conta do PT. Se ele for para o segundo turno, não dá conta do PT, evidente. Não tem a menor condição. E depois, se for eleito, não dá conta do Brasil. Não é uma situação fácil. E não é o caminho o caminho da bala, o caminho do ódio", disse.

Alckmin: 'Em 2006, pesquisas davam que não teria 2º turno, não pegaram virada do eleitor'


Em entrevista, candidato do PSDB afirmou que pesquisas nem sempre captam movimentos na reta final da campanha

Marcelo Osakabe - O Estado de S.Paulo


O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, reiterou nesta segunda-feira, 24, estar confiante de que chegará ao segundo turno e que a virada dos votos se dará nos últimos momentos. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o tucano disse que alguns eleitores declaram, hoje, voto em Jair Bolsonaro (PSL) porque imaginam que ele possa derrotar o PT, mas que isso não deve ocorrer por causa de sua grande rejeição.
"Em todas as últimas eleições, as mudanças maiores foram no final. A população foi amadurecendo e a mudança ocorreu", disse Alckmin, que deu como exemplos a eleição de 2014, em que Aécio Neves, o então candidato do seu partido, superou Marina Silva, então no PSB, a menos de dez dias de sua eleição, e também a disputa de 2006, quando chegou ao segundo turno contra o ex-presidente Lula, que então buscava o segundo mandato.

"Em 2006, nas últimas pesquisas, parecia que não ia ter segundo turno. Em uma, o Lula tinha 21 pontos na minha frente, na outra 19 pontos. Quando abriu a urna, tinha 7 pontos", relembrou Alckmin. "Às vezes, até os institutos de pesquisas não pegam essa última virada."

Alckmin fez nova pregação do voto útil contra o PT, lembrando da forte rejeição de Bolsonaro. "Alguns, até com boas intenções, pensam em votar no Bolsonaro para evitar o PT. O problema é que o Bolsonaro não dá conta do PT. Precisamos sim evitar a volta do PT, já vimos o que aconteceu na eleição da Dilma. Só que o caminho não é o Bolsonaro. Segundo turno é rejeição. A rejeição de Bolsonaro é absurda", disse.

Na entrevista, o ex-governador também foi questionado sobre o medo de ser "cristianizado" por aliados, que já estariam pulando fora de sua candidatura. Em resposta, disse que isso só é possível graças ao grande número de partidos existentes hoje e que é preciso fazer uma reforma política.

Alckmin disse ainda que essa infidelidade não ocorre somente contra ele. "Também recebo apoio de pessoas que não estão na minha coligação. O governador de Santa Catarina (Eduardo Moreira) me apoia e é do MDB. Fizemos campanha em Criciúma, Santa Catarina", notou. "Esse não chamou o Meirelles", emendou, depois de provocado por um dos entrevistadores.