Governador Geraldo Alckmin diz que se prepara para ser candidato


Governador volta a dizer que estará presente na disputa presidencial de 2018

Circe Bonatelli - O Estado de S.Paulo


Faltando um ano para as eleições de 2018, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta sexta-feira, 20, que se prepara para concorrer à Presidência da República, embora a decisão sobre a escolha dos candidatos dentro do partido ainda não tenha sido tomada. Nos bastidores do PSDB, Alckmin disputa a indicação com o afilhado político João Doria, prefeito de São Paulo.

"Essa decisão (de candidatura à Presidência) não é pessoal, é coletiva. Ela ocorrerá mais para frente", disse. "Agora, eu me preparo. Acho que é importante a gente estar preparado para servir ao Brasil", completou, durante entrevista à imprensa após participar da cerimônia de abertura do segundo feirão de imóveis "Morar Bem, Viver Melhor", na zona sul da capital paulista.

O governador avaliou que o País vive um momento considerado crítico, que pode trilhar em direção ao "populismo fiscal irresponsável" ou ao "crescimento sustentável, com geração de emprego e de renda", conforme suas palavras. "O mundo que cresce tem política fiscal rigorosa, política monetária com juros baixo e câmbio competitivo", emendou.

Questionado sobre os principais assuntos que têm gerado turbulências políticas em Brasília, Alckmin evitou emitir opiniões pessoais. No caso da permanência do senador Aécio Neves (MG) como presidente do PSDB, ele disse apenas que o momento é de esperar a posição do parlamentar. "O Aécio já se afastou (da liderança do partido). Vamos aguardar o Aécio, que ficou de tomar posição nos próximos dias", disse Alckmin.

Perguntado também se o PSDB deve orientar os membros do partido a rejeitar, durante votação na Câmara, a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB), Alckmin disse que essa decisão cabe aos próprios parlamentares. "Não interferi na discussão da primeira denúncia e não vou interferir na segunda. Os deputados federais têm responsabilidade, juízo próprio, conhecimento do processo e estão plenamente capacitados para poder votar", disse.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 20/10 - São Paulo – SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin assina nesta sexta-feira, 20, autorizo para acordo entre a Secretaria dos Direitos da Pessoas com Deficiência e o Comitê Paralímpico Brasileiro para operacionalização e condução das atividades desenvolvidas no Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro.

Na sequência, o governador participa da abertura da segunda edição do Feirão Morar Bem, Viver Melhor, no São Paulo Expo. O evento acontece também no sábado, 21, e domingo, 22, reunindo 23 estandes de incorporadoras ofertando mais de 25 mil imóveis em todo o Estado. Além dos descontos de 10% oferecidos pelas parceiras e isenções de taxas e tributos, como o ITBI, o Governo irá disponibilizar Cheques-Moradia entre R$ 5 mil e R$ 40 mil a servidores do Estado.


Evento: Assinatura do autorizo para operacionalização do Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro entre o Comitê Paralímpico Brasileiro e a Secretaria dos Direitos da Pessoas com Deficiência
Data: Sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Horário: 9h
Local: CTPB - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 - Jabaquara - São Paulo/SP

Evento: Abertura do 2º Feirão Morar Bem, Viver Melhor
Data: Sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Horário: 10h
Local: SP Expo Imigrantes - Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 - Vila Água Funda - São Paulo/SP

'Retrocesso inaceitável', diz FHC sobre mudança na lei de combate ao trabalho escravo


O ex-presidente usou sua página no Faceboook para condenar a medida

O GLOBO



O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso usou sua página no Facebook para criticar a portaria do Ministério do Trabalho que modifica a lei de combate ao trabalho escravo. Segundo ele, a medida representa um "retrocesso inaceitável".

Em seu texto, publicado na manhã desta quarta-feira, FH faz um apelo ao presidente Michel Temer, para que reveja "esta decisão desastrada".

Fernando Henrique lembrou ainda os avanços feitos no sentido de coibir tais práticas em 1995, e disse ser inaceitável que dificultem sua fiscalização.

Veja abaixo o texto completo.



Tasso defende renúncia de Aécio da presidência do PSDB


Presidente interino do partido defende que senador, que recuperou mandato, renuncie ao comando tucano

Thiago Faria e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

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Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino do PSDB

Presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati defendeu nesta quarta-feira, 18, a renúncia do senador Aécio Neves (PSDB-MG) da presidência do partido. A declaração ocorre um dia após o Senado barrar, por 44 votos a 26, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impôs o afastamento do mandato e o recolhimento noturno ao senador mineiro.

"Eu acho que é (caso de renúncia). Porque agora ele não tem condições, dentro das circunstâncias que está, de ficar como presidente do partido. E nós precisamos ter uma solução definitiva e não provisória", disse Tasso.

Aécio está afastado do cargo desde maio, após a divulgação da delação da JBS, que o implica diretamente. Em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, o tucano pede R$ 2 milhões. Ele nega que o dinheiro seja propina e diz que foi um pedido de empréstimo para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.

Mesmo afastado da presidência do partido, Aécio continuou a ter influência e conseguiu manter o PSDB na base aliada de Michel Temer. O senador é um dos principais fiadores da sigla do apoio ao peemedebista.

Já Tasso tem dado sinais de que pode ceder à ala que defende a ruptura com Temer, encabeçada pelos autointitulados cabeças-preta, ala mais jovem de deputados tucanos.

Tasso disse que não havia conversado com Aécio ainda sobre o assunto. Após chegar ao Senado, ele se reuniria com Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), também defensor da saída do PSDB da base.


"Democracia à moda petista", editorial do Estadão


Partido considera que eleições na Venezuela foram “um exemplo de democracia”

O Estado de S.Paulo

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O PT considerou, em nota oficial, que as recentes eleições na Venezuela, marcadas por denúncias de fraude e de intimidação, foram “um exemplo de democracia e de participação cidadã”. Assim, mais uma vez, o PT oficialmente se alinha aos regimes ditatoriais de esquerda na América Latina, com o argumento de que ali é que vigora a verdadeira democracia.

É espantoso que aqueles que vivem a denunciar uma suposta escalada autoritária no Brasil, a partir do que eles chamam de “golpe” contra a presidente Dilma Rousseff, sejam os mesmos que consideram legítima a truculência chavista na Venezuela. Sem nenhuma dúvida, deve-se tomar esse comportamento como revelador do que os petistas entendem por democracia e do que são capazes de fazer para que essa visão prevaleça.

“O PT saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), pela contundente vitória eleitoral”, diz a nota do PT, lembrando que essa foi a “vigésima segunda eleição em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV” – como se a mera realização de eleições fosse suficiente para atestar a saúde de uma democracia.

É evidente, para qualquer observador independente, que o que houve no dia 15 passado foi uma farsa, com o objetivo de dar um verniz democrático ao que já é uma ditadura em fase avançada, desde que Maduro fez instalar uma “assembleia constituinte” cujo único objetivo era liquidar a Assembleia Nacional, último bastião institucional da oposição. A intenção de Maduro não foi apenas impedir que a oposição continuasse a contestá-lo na Assembleia Nacional, mas também reescrever a Constituição para adequá-la a seu regime de força.

As eleições regionais eram o passo seguinte da consolidação da ditadura, pois serviriam como termômetro das eleições presidenciais do ano que vem. Assim, para simular um apoio que Maduro não tem, as autoridades eleitorais do país, totalmente alinhadas ao chavismo, trataram de inviabilizar a realização de eleições livres e justas. Sem essas manobras, numa votação limpa, o chavismo certamente sairia derrotado de forma fragorosa, já que a Venezuela entrou em colapso graças à aventura socialista bolivariana, que enriqueceu os “boligarcas” – como são conhecidos os parasitas do Estado – e empobreceu o resto do país.

As fraudes cometidas nas eleições foram tão absurdas que não demorou para que vários países e organizações internacionais manifestassem repúdio a todo o processo, unindo-se à oposição venezuelana, que decidiu não reconhecer os resultados – dos 23 governos em disputa, o chavismo diz ter conquistado 17, embora as pesquisas mostrassem 80% de rejeição a Maduro. Os Estados Unidos, por exemplo, disseram que as eleições não foram nem livres nem justas. A União Europeia exigiu “transparência” das autoridades eleitorais da Venezuela, enquanto a Organização dos Estados Americanos, por meio de seu secretário-geral, Luis Almagro, informou que não é possível reconhecer os resultados, pois “repetem variáveis de ilegalidade, incerteza e fraude”. O Grupo de Lima, formado por 12 países, entre os quais o Brasil e a Argentina, considerou que, diante das evidentes irregularidades, é “urgente realizar uma auditoria independente em todo o processo eleitoral”, a fim de “conhecer o verdadeiro pronunciamento do povo venezuelano”.

Para o PT, porém, o que se viu no domingo passado “será lembrado como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia”, em que os venezuelanos manifestaram “seu apoio à paz, à democracia e à soberania” de seu país, contra a “torpe tentativa de cerco e aniquilamento liderada pelo governo estadunidense”. Nem é preciso dizer que, além do PT, quem vibrou com as eleições venezuelanas foi o governo de Cuba, cujo ditador, Raúl Castro, disse que a Venezuela “deu outra grande lição de paz, vocação democrática, coragem e dignidade”.

Felizmente, os liberticidas venezuelanos contam cada vez mais apenas com a solidariedade – melhor seria dizer cumplicidade – de petistas e castristas, pois o resto do mundo civilizado não parece mais disposto a aceitar as patranhas chavistas.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 17/10 - São Paulo – SP

AGENDA DO GOVERNADOR


Nesta terça-feira, 17, o governador Geraldo Alckmin entrega mais dois trens para a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Na mesma ocasião, ele lança a 12ª edição da campanha Livro Livre, que promove a distribuição gratuita de exemplares entre usuários da CPTM. Este ano, dez mil livros estarão nas estantes itinerantes de doação e troca de nove estações.


Evento: Entrega de dois novos trens para a CPTM e lançamento da campanha Livro Livre
Data: Terça-feira, 17 de outubro de 2017
Horário: 10h
Local: Estação da Luz - Praça da Luz, s/nº - São Paulo/SP

"As circunstâncias de Alckmin", artigo de Carlos Andreazza


Aécio, aliás, é a razão por que o governador está sozinho na fila tucana. Sim, o partido o protege internamente, mas à custa de reduzir suas pretensões eleitorais


João Doria só será o candidato do PSDB à Presidência em 2018 caso o partido deixe de existir como o conhecemos pelo menos desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994; quando a margem tucana para surpresas — talvez para a sorte — secou.

A partir dali, ao alcançar o inverossímil lugar de oposto do PT e se tornar uma das partes no bipartidarismo brasileiro vigente para eleições presidenciais, o PSDB se trancou, e outro critério para a escolha de candidato a presidente jamais teve senão o óbvio: o de respeitar a ordem na fila; fila — eis o paradigma — sempre de poucos e dos mesmos, todos já testados, fundadores e fiéis ao partido, e com peso na direção partidária.

Um conjunto histórico que em porção nenhuma beneficia Doria — que talvez um dia aprenda que só se chega à condição de poder viajar país adentro pedindo votos ao eleitorado geral após haver conquistado o eleitorado interno do partido. Um conjunto, porém, que em tudo faz crescer Geraldo Alckmin, ademais impulsionado pela rara circunstância de estar sozinho na fila.

Objetivamente: se, em meados do ano que vem, for o prefeito de São Paulo o nome tucano escolhido para concorrer ao Planalto, isso significará que o PSDB, como é hoje, terá morrido — quem choraria? — para renascer um outro. Se melhor ou pior, não importa. Meu ponto aqui consiste em sustentar a improbabilidade de essa morte ocorrer. À luz do padrão de comportamento do partido, Doria só teria vez em 2018 caso os caciques do PSDB — a meia dúzia que controla a máquina tucana — fossem todos ceifados pela Lava-Jato; mormente Alckmin. E isso não acontecerá. Já não aconteceu.

Ao contrário, a candidatura do PSDB logo se definirá — sem novidade — também como item da sangria estancada, elemento crucial no pacote de reação do establishment, já em curso, contra a Lava-Jato.

Que se olhe para a situação de Aécio Neves, um político encolhido, que terá de abrir mão de concorrer à reeleição ao Senado e disputar uma vaga na Câmara para cultivar algum pequeno capital eleitoral e sustentar o foro especial; mas que, ainda assim, mantém-se presidente do PSDB e influente — blindado — no partido. O que isso informa? Que as coisas ali, entre os vivos, não mudam; que as hierarquias se enraízam, tanto mais quando a própria atividade política se encontra criminalizada. O pacto está firmado.

Aécio, aliás, é a razão por que Alckmin está sozinho na fila tucana. Sim, o partido o protege internamente, mas à custa de reduzir suas pretensões eleitorais. A debacle do senador é o motivo pelo qual o PSDB — acionando o instinto de sobrevivência — correu para o colo do governador paulista, e sem que esse precisasse se esforçar. Isso deriva, sobretudo, de um movimento correto: enquanto Aécio é o fiador da participação tucana no governo Temer, Alckmin sempre foi contrário a que o partido o compusesse. Trata-se do tipo de análise do tabuleiro que rende frutos políticos imediatos — e que também projeta importante mensagem sobre o futuro: quem lê com precisão agora tende a fazê-lo igualmente amanhã.

Alckmin será o candidato do PSDB à Presidência. A própria maneira como passou a se comportar nas últimas semanas — um ou dois tons acima de sua fala habitual — é indicativa de que sabe que controla a posição. É, por exemplo, o senhor das prévias partidárias, com o que engessou João Doria, modelo do qual o prefeito paulistano não pode escapar — ou teria ele, outsider, chegado à condição de candidato tucano à prefeitura da maior cidade do país não fosse pelo sistema de consulta interna bancado pelo governador contra quase todas as lideranças regionais do PSDB?

Isso mesmo — xeque-mate: as prévias que viabilizaram Doria em 2016 são as mesmas que o prendem a Alckmin no ano que vem. (Sobre se sairá do PSDB? Duvido. Abandonar a prefeitura e se tornar ex-prefeito em atividade num partido de menor alcance é aventura demais até a um aventureiro.)

Se a conjuntura no PSDB é altamente favorável a Alckmin, auspicioso também lhe é o contexto político-eleitoral brasileiro. Insisto — tema já de outros escritos meus: 2018 consagrará nas urnas aquele que melhor conseguir ocupar o terreno da centro-direita, de onde virá o próximo presidente. Embora o governador se recuse a se declarar como político de direita, esse é um lugar — precisamente o de centro-direita — em que o eleitor tende a situá-lo.

Ainda que sem se assumir como conservador, é provável que essa percepção do eleitorado a seu respeito se aguce caso explore os bons números de sua gestão sobre aquela que será a bandeira eleitoral decisiva no ano que vem: segurança pública. Terá, aí, de disputar terreno com Jair Bolsonaro, cujo discurso a propósito está encaixado.

O deputado será o primeiro adversário de Alckmin, talvez o mais difícil de enfrentar, aquele a quem obrigatoriamente desidratar, o que — creio — será impulsionado pela prevalência do recall da polarização entre PT e PSDB, e pelo fato de que ninguém é governador reeleito do maior e mais rico estado do país sem que duas densidades fundamentais à eleição de um presidente se imponham: o peso daquele colégio eleitoral e a força de seu centro econômico.

*Carlos Andreazza é editor de livros



Agenda do governador Geraldo Alckmin 16/10 - São Paulo – SP

AGENDA DO GOVERNADOR


O governador Geraldo Alckmin participa nesta segunda-feira, 16, do lançamento do Projeto “Solidariedade em Fios”.


Evento: Lançamento do Projeto “Solidariedade em Fios”
Data: Segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Horário: 10h00
Local: Icesp – Instituto do Câncer de São Paulo - Avenida Doutor Arnaldo, nº 251 – Auditório – 6º Andar - São Paulo – SP

Alckmin busca resgatar discurso ‘social’ tucano


A um ano da eleição, governador de São Paulo intensifica programas voltados a eleitores de baixa renda e mira em voto petista num cenário sem Lula

Adriana Ferraz e Ricardo Galhardo - O Estado de S.Paulo

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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, iniciou um movimento calculado de volta às origens do PSDB. De olho no voto petista em um eventual segundo turno presidencial sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio da Lula, Alckmin tem reforçado o discurso social-democrata e intensificado programas e obras direcionados a eleitores de baixa renda.

A estratégia é desvincular seu nome de potenciais adversários mais identificados com a centro-direita, como Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Henrique Meirelles (PSD-SP) e o próprio João Doria (PSDB-SP).


Pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2018, Alckmin tem alterado sua forma de divulgar projetos durante agendas oficiais. Desde o advento da “ameaça Doria”, o governador passou a anunciar, por exemplo, quantos empregos cada ação direta do governo ou via parceiros geram no Estado. A palavra renda também ganhou mais espaço no vocabulário do governador. Em outra frente, enquanto alguns de seus potenciais adversários privilegiam um discurso mais vinculado às teses do mercado, Alckmin tem dado mais espaço a programas sociais como Bom Prato, Creche Escola e projetos de habitação popular.

A estratégia está alinhada ao perfil do eleitorado que Alckmin deseja alcançar. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 80% dos eleitores que declaram voto no governador ganha até cinco salários mínimos.

Aliados de Alckmin projetam um cenário no qual Lula será barrado pela Justiça e o candidato apoiado pelo petista não passará do primeiro turno. Líder nas pesquisas, na faixa de 30% das intenções de voto, Lula seria o principal eleitor no segundo turno, segundo alckmistas. Com o movimento que pode identificá-lo com o centro, o governador espera atrair os votos do petista projetando uma imagem de “mal menor”. Por isso também Alckmin tem evitado assumir o discurso anti-Lula, na contramão do que faz Doria.

Para o coordenador nacional do Movimento PSDB Esquerda Pra Valer, Fernando Guimarães, Alckmin é o candidato com maior capacidade para aglutinar forças no segundo turno da eleição presidencial do próximo ano. “Do ponto de vista eleitoral, é uma vantagem. O governador é de fato um social democrata, sabe dialogar com o centro, centro-esquerda e até com a esquerda”, afirma Guimarães, que coordena hoje o que chama de a ala “mais progressista” do PSDB.

Para aliados do governador, no entanto, a posição de Alckmin não é propositadamente eleitoral. “Ele sempre seguiu essa linha, de investir no social. É natural ser visto dessa forma agora”, diz o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia (DEM-SP). Para Floriano Pesaro (PSDB-SP), que está à frente da secretaria de Desenvolvimento Social, as ações de Alckmin na área comprovam sua “preocupação com as pessoas”.

“Nesta semana mesmo (semana passada), ele nos autorizou a fazer mais três restaurantes (Araçatuba, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo) e em plena crise. Servimos comida de qualidade e a R$ 1. Também está fazendo um esforço pelo programa Creche Escola”, disse Pesaro.

Números oficiais mostram que os investimentos estaduais no programa alimentar cresceram de R$ 50 milhões, em 2014, para R$ 71 milhões neste ano.

Na semana passada, em meio ao polêmico anúncio feito por Doria de produzir e distribuir aos pobres um granulado nutricional feito a partir de sobras de alimentos – em ação criticada pelo Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo –, militantes tucanos pró-Alckmin começaram a compartilhar via WhatsApp notícias sobre o Programa Bom Prato, que comemora 17 anos. O comentário geral é que enquanto o governo serve pratos com arroz, feijão, salada, carne e fruta, Doria dá “ração humana”.

Já no caso do Creche Escola, os números ainda estão aquém do prometido: de 2011 pra cá foram entregues 265 unidades, quando a promessa, ainda na campanha de 2010, era concluir mil creches até 2014.

HABITAÇÃO 

O cronograma de inaugurações previstas para ocorrer até abril do ano que vem, limite da descompatibilização do cargo para disputa de nova eleição, prevê a entrega de 38 mil moradias populares. Parte disso é resultado ainda de convênios assinados com o programa Minha Casa Minha Vida, dos governos petistas de Dilma Rousseff e Lula.

Diferentemente do que ocorre com algumas prefeituras do Estado, como São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e a própria capital, a relação do governo Alckmin com os movimentos populares é “estável”. Há mais de dois anos o governo tem uma relação próxima com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), comandado por Guilherme Boulos.

A postura de conciliador do governador ainda tem arrancado elogios públicos de petistas como Dilma e Fernando Haddad, além do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Na semana passada, blogs e sites de inclinação petista saudaram a decisão de Alckmin de afastar o delegado que comandou uma operação de busca na casa de Marcos Cláudio, filho de Lula, por uso de drogas.

‘Laranja’ disse que devolveu R$ 650 mil em dinheiro vivo a compadre de Lula


Glaucos da Costamarques disse em juízo que fez dois saques de R$ 300 mil e R$ 350 mil e entregou a emissários de Roberto Teixeira, em carro blindado com cofre, depois de pedido de devolução dos R$ 800 mil recebidos por participação na compra de terreno para Instituto Lula, em 2010

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo - Estadão

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Roberto Teixeira e Lula

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, no dia 6 de setembro, o aposentado Glaucos da Costamarques, acusado de ser o “laranja” de Lula na compra do apartamento 121 do Edifício Hill House, vizinho do 122, onde mora o petista, em São Bernardo do Campo, e na compra do terreno do Institito Lula, em São Paulo – negócios que tiveram propinas da Odebrecht -, afirmou que “devolveu” R$ 650 mil em dinheiro vivo dos R$ 800 mil que recebeu pela participação nos negócios.

O dinheiro teria sido pedido pelo advogado e comprade do ex-presidente Roberto Teixeira e retirado por dois emissários em um carro blindado com cofre debaixo do banco, segundo contou Glaucos da Costamarques.

Documento

Glaucos da Costamarques

“Algum tempo depois de tudo resolvido (os negócios dos imóveis), eu estava já lá tranquilo, o Roberto Teixeira falou: Ó Glaucos, você podia devolver esse lucro que você teve para o Instituto Lula”, disse Glaucos, interrogado como réu no processo em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo acerto de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebreht.

O Ministério Público sustenta que Costamarques recebeu R$ 800 mil em dezembro de 2010 por ter sido “laranja” de Lula, nos negócios conduzidos por Teixeira. O valor embutia R$ 504 mil usados por ele quatro meses para comprar o apartamento 121 do Hill House e ainda a comissão de R$ 172 mil por ter sido “laranja”, além dos gastos de impostos.

O apartamento 121 do Hill House está em nome de Glaucos desde 2011 e é vizinho ao apartamento em que mora o petista e um dos pivôs de uma ação penal sobre supostas propinas da Odebrecht para Lula.

A defesa do ex-presidente afirma que ele é locatário do apartamento 121, desde 2003. E que desde 2011 aluga o imóvel de Glaucos, pagando aluguel regularmente. Lula afirma que tem os recibos originais dos pagamentos.

“Eles não chamavam Instituto na época, hoje que, ele deu um nome lá, museu, qualquer coisa assim. Eu, na época, e aí, eu fiquei revoltado com o negócio, ué, eu faço um negócio. Aí fui falar com o Zé Carlos, ‘Zé Carlos, eles tão pedindo para eu devolver esse dinheiro, não tem cabimento, eu paguei imposto, tudo, você me falou que era para conversar com o Roberto Teixeira que ele tinha um bom negócio, mas que bom negócio, eu arrisco o meu dinheiro, porque se não desse certo eu tinha que pagar, se não desse certo esse Flip, como é que é? Não vou fazer isso não’.”

O bom negócio era a intermediação de compra do terreno da Rua Haberbecke Brandão, em São Paulo, que foi comprado para ser sede do Instituto Lula, também no segundo semestre de 2010. O imóvel foi adquirido pela DAG Construtora, a pedido da Odebrecht. A empresa foi uma espécie de “laranja” para ocultar as propinas pagas pela Odebrecht. Segundo Glaucos, os R$ 800 mil eram pela cessão de direito do imóvel que ele obteve por intermédio de Teixeira, sem nenhum custo.

A Moro, o “laranja” disse que o primo José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula que tinha livre acesso ao Planalto e foi preso pela Lava Jato, em 2015, pediu que ele efetivasse a devolução. “Não Glaucos, eu não posso me indispor com esse pessoal, faz isso por mim”, teria dito Bumlai.

“Eu falei: ‘Mas eu já gastei, eu posso até fazer isso por você, devolver, mas eu não vou devolver os 800 mil, porque eu paguei 120 mil de imposto e tive algumas despesas, e viagem para vir e umas coisas assim’, eu falei: ‘Olha, eu vou, eu posso até devolver, mas eu vou devolver 650, que é o 120 mais algumas despesas.”

Moro quis saber do “laranja” se ele entregou o dinheiro. “Eu entreguei os 650 mil para eles. Isso aí já começou a me desgastar.”

Questionado pela procuradora regional da República Isabel Cristina Groba Vieira, da força-tarefa da Lava Jato, Glaucos disse que tem como informar detalhes dos dois saques que fez. “Eu tenho os saques. Foi no Unibanco.”

“E esse dinheiro foi entregue. Depois o que houve em relação a esse valor? Quais foram as conversas havidas depois dessa entrega?”, insistiu a procuradora.

“Não, eu entreguei, eles falaram que tudo bem e ficou, isso aí.”

Carro blindado. Em juízo, o “laranja” afirmou que o advogado e comprade de Lula enviou um carro blindado com cofre para retirar o dinheiro. “Eu estava preparando para devolver, e o Roberto Teixeira falou: ‘Ó, vai um carro pegar esse dinheiro aí’, eu falei: ‘Mas como?’.

Glaucos afirma que Teixeira pediu que ele preparasse a devolução e que tinha que “ser em dinheiro”.

“Eu falei com Zé Carlos de novo: ‘Zé Carlos, que negócio é esse, tem que ir lá no banco e tirar 650 mil?’ Ele falou: ‘É, é faz isso Glaucos, faz, faz o que ele está pedindo’.”

O “laranja” afirma ter ido ao banco e retirado em “duas parcelas”. “Demorou uns 5 dias, eu tenho o saque que eu fiz de (R$) 350 (mil) e (R$) 300 (mil), levei para casa e eles mandaram um carro blindado.”

Glaucos detalhou uma suposta conversa com os dois motoristas do carro blindado. “Eu fiquei sabendo que era o carro blindado o dia que eles apareceram na frente da minha casa, pediram, deram o meu endereço tal, tal dia vai aparecer aí, o carro tinha dois motoristas que falaram para mim que eles vinham revezando, que eles eram especialistas em transporte de dinheiro.”

O “laranha” disse que perguntou sobre esse transporte de vaolores. “Ele falou? ‘O carro é blindado e tem um cofre dentro do banco traseiro’. Aí eu fui olhar. O banco, é um banco normal. Mas aí eles têm um jeito de abrir o banco e pôr o dinheiro.”


Aluguel. A Lava Jato afirma que Glaucos é apenas um “laranja” e que não recebia aluguel do apartamento até novembro de 2015. Em seu depoimento a Moro, o “laranja” disse que não recebeu nada entre 2011 a 2015 e que comprou o apartamento a pedido do primo Bumlai.

“Olha Glaucos, não esquenta com isso aí, isso aí mais para a frente a gente acerta. Não fica preocupado”, teria dito Bumlai, ao ele cobrar os pagamentos do aluguel que não foram feitos.

“Aguardei não me pagaram o primeiro mês, não me pagaram o segundo mês, aí eu fui lá falar com o Zé Carlos, ‘Zé Carlos, o que está acontecendo que eles não tão pagando o aluguel? Será que eles esqueceram?’, porque eu passei os dados para o Roberto da minha conta, tudo.”

Questionado pelo juiz, ele afirmou: Comecei a receber esse aluguel em 2015. Eu lembro da data porque eu entrei no hospital para fazer um check-up e eu estava no hospital.” Intimado por Moro, o hospital não encontrou registros da visita do comprade de Lula a Glaucos.

Glaucos afirmou a Moro que o aluguel não era sua maior preocupação, mas sim o recebimento do dinheiro gasto por ele na compra do apartamento 121, “nunca pago por Bumlai”. “Eu reclamei e nunca reclamei dos aluguéis porque o foco era eu receber, porque eu tinha emprestado.”

Juiz: “Então deixa eu ver se eu entendi, de fevereiro de 2011 a novembro de 2015 o senhor não recebeu nenhum valor por esse…”

Glaucos: “Não”.

No dia 25 de setembro, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores e de Glaucos. Os advogados do ex-presidente anexaram um contrato da ex-primeira dama Marisa Letícia com Glaucos e recibos de pagamento. Dois dos comprovantes apresentam datas que não existem no calendário. Parte dos documentos ainda apresenta os mesmos erros de ortografia.

O Ministério Público Federal, no Paraná, entrou com um incidente de falsidade, em 4 de outubro, para apurar a autenticidade dos documentos apresentados pela defesa do ex-presidente e cobra os recibos originais. Os procuradores afirmaram que os comprovantes são ‘ideologicamente falsos’ e pediram perícia.


Compra. O “laranja” diz que comprou o 121 a pedido de Bumlai. “Olha, esse apartamento você pode comprar para mim? Porque eu estou sem dinheiro agora e nós estamos com, não queremos que alguém estranho compre o apartamento e mude para lá”, teria dito o pecuarista.

Segundo ele, Bumlai e Teixeira teria dito a ele que o “apartamento tem que continuar alugado”.

Foi o comprade de Lula que pediu para que ele fizesse “os três cheques, administrativos” para compra do apartamento 121, em agosto de 2010, adquirido da família do antigo proprietário. “Um de 390 mil, um de 94 mil e um de 20 mil, totalizando 504 mil. Esses cheques eu fiz no dia 11 de agosto de 2010. Fui lá no Banco do Brasil.”

“Aí, eles pediram que queriam ficar alugado para o Lula. Então eu fiz um contrato, Roberto Teixeira que me trouxe, fiz um contrato com a dona Marisa Letícia.”