Doria articula com aliados para alterar orçamento de 2019


Coluna do Estadão

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A pedido do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), a proposta orçamentária de Márcio França (PSB) deve sofrer alterações para acomodar promessas de campanha do tucano, como a construção de 1,2 mil creches e de 17 batalhões da Rota. O texto será substituído pelo relator, o deputado estadual Marco Vinholi (PSDB). “As mudanças estão de acordo com o plano de governo aprovado pela população”, sintetizou. Garantir recursos para o programa Corujão da Saúde, que oferece exames médicos na rede privada, é uma das prioridades.

Cobertor curto. O projeto enviado para apreciação dos deputados prevê orçamento de R$ 229,9 bilhões, 6% maior que o deste ano. Segundo Vinholi, deve ser remanejado pelo menos R$ 1 bilhão para que parte das promessas comece a ser executada ano que vem.

Tesoura. Está certo também que a vitrine de França, o Alistamento Civil, que paga bolsas mensais de R$ 500 para jovens de baixa renda trabalharem, será descartado. O recurso previsto para o programa, R$ 159 milhões, deve compor o Centro Paula Souza, responsável pelas escolas técnicas.

Doria anuncia Chefe de Gabinete, Secretário da Pública, Energia, Saneamento, Recursos Hídricos e Meio Ambiente e assessor especial de Relações Internacionais


General João Camilo Pires de Campos será secretário da Segurança. Doria também anunciou três ex-secretários da Prefeitura de São Paulo

Marina Pinhoni - G1 



O governador eleito João Doria (PSDB) nomeou nesta terça-feira (13) dois novos secretários e dois assessores especiais para sua equipe. O general da reserva do Exército, João Camilo Pires de Campos, será secretário da Segurança Pública de São Paulo.

Três deles participaram da sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo: Wilson Pedroso, que foi chefe de gabinete na administração municipal, assumirá o mesmo cargo no governo, Júlio Serson, que foi secretário de Relações Internacionais e será assessor especial na área; Marcos Penido, que foi secretário de Obras, será secretário de Energia, Saneamento, Recursos Hídricos e Meio Ambiente.


General João Camilo Pires de Campos (Segurança pública)

Será secretário da Segurança. Nasceu em Campinas, tem 64 anos. Ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em 1970, foi instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e da Escola de Comando e Estado-Maior. Foi professor da Academia de Guerra do Força Terrestre e do Instituto Nacional de Guerra do Equador. Como coronel, comandou Grupo de Artilharia, em Brasília. Atuou General de Brigada no Rio de Janeiro. Atuou como General de Divisão em Brasília e São Paulo. Como General de Exército, chefiou o Departamento de Educação e Cultura do Exército, no RJ, e chefiou o Comando Militar do Sudeste, no Ibirapuera.


Wilson Pedroso (Chefe de gabinete)

Paulistano, 45 anos, formado em Direito com MBA em Gestão pela USP com 25 anos na gestão pública. Foi chefe de gabinete do prefeito João Doria e prefeito regional de Vila Prudente Sapopemba, secretário executivo da Sabesp e chefe de gabinete da EMTU. Assessor e chefe de gabinete do ex-ministro da educação Paulo Renato


Júlio Serson (Relações internacionais)

Será secretário especial de Relações Internacionais e presidente da Investe SP. Paulistano, 56 anos, formado em Administração de Empresas pela FGV e especializado em Hotelaria pela Universidade de Cornell. É Presidente do Grupo Serson, que atua na área de hotelaria, no setor turístico, agropecuário e imobiliário. Foi Secretário de Relações Internacionais nas gestões Doria e Bruno Covas e secretário de Esportes e Turismo do Governo do Estado de São Paulo nas gestões Covas e Alckmin. Foi Presidente da Associação Brasileira da Indústria e Hotéis -onde atualmente é vice-presidente. É Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo e membro do Conselho Nacional do Turismo.


Marcos Penido (Energia)

Será secretário de Energia, Saneamento,  Recursos Hídricos e Meio Ambiente. Nasceu em Cruzeiro, tem 56 anos. Engenheiro Civil com especialização na FGV, secretário Municipal das Prefeituras Regionais na Gestão Covas, secretário Municipal de Serviços e Obras nas gestões Doria e Covas, siretor /Presidente da CDHU de 2011 a 2016. Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana – Prefeitura de São Paulo – 2006- 2010, coordenador fundador do Programa Qualihab do Estado de São Paulo – 1995-2005; Funcionário de carreira da CDHU desde 1985.

Entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao jornal El País



Fernando Henrique Cardoso: “Não interessa o que Bolsonaro diz, mas o que vai fazer. Esperemos a posse”

O ex-presidente se diz convencido de que a sociedade frearia uma deriva antidemocrática do novo Governo. Para ele, ser conservador não implica ser cego. “O Brasil continua sendo um país com muita desigualdade”

CARLA JIMÉNEZ E XOSÉ HERMIDA - EL PAÍS

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, nesta quarta-feira em Madri. 
 FOTO: J. ROJAS 

O tsunami político que tomou o Brasil destruiu lideranças tradicionais e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se inclui entre elas. “Cada um tem seu momento, agora a nova [liderança] tem que aprender”, diz o presidente de honra do PSDB, em clara alusão ao novo Governo liderado por Jair Bolsonaro. Apesar de toda a retórica que assusta quem não votou no presidente eleito, Fernando Henrique prefere o benefício da dúvida. Depois de eleito, as ações de Bolsonaro vão desmentir ou confirmar os temores que desperta hoje. A vitória de um político de extrema direita, analisa o ex-presidente, é fruto de novos tempos que embaralharam valores, diante de eleitores mais emocionais que formam suas opiniões de olho na tela do celular. De passagem por Madri na semana passada para assistir ao Foro Iberoamérica, o ex-presidente que durante seu mandato (1994-2002) conseguiu tirar o país da hiperinflação, defendeu sua controversa decisão de ter se mantido neutro nas últimas eleições. Seria contraditório, segundo ele, uma vez que o PT não se aproximou em termos políticos do PSDB, mas apenas pela eleição.“Quando as pessoas estão morrendo afogadas, pedem a mão para te puxar e morrer junto.”

*

Pergunta. A democracia está em perigo no Brasil?
Resposta. A democracia esta em perigo em todas partes. Mas o Brasil tem instituições fortes, a sociedade é livre, a mídia é livre, a justiça é independente e o povo gosta da liberdade. Então eu acho que é preciso tomar cuidado. Está em perigo? Está mudando, está em perigo por todos lados, mas não há um perigo específico do Brasil. Não acho que a eleição do Bolsonaro ponha em perigo [a democracia], até porque ele ganhou pelo voto.

P. Mas o presidente eleito e as pessoas que trabalham com ele falaram nos últimos meses de coisas como a possibilidade de um autogolpe, de um assalto ao STF... O senhor não leva a sério essas falas?
R. Não é que eu não leve a sério, eu acho que qualquer coisa dita por uma pessoa que tem importância política diz tem que tomar cuidado. Mas acho que isso não é suficiente para se sobrepor a nossa institucionalidade, a nossa vontade de manter a democracia. Mesmo que um ou outro tenha o impulso não democrático e as frases que foram ditas – que não são boas, e eu critiquei no meu Twitter – sejam contrárias ao espírito da democracia. Mas entre você falar e fazer tem uma diferença. Eu não estou dizendo que alguém não expresse atitudes antidemocráticas. Pode ser, existe isso no Brasil. Mas a despeito disso, nós temos forças democráticas que vão se contrapor a eventuais palavras e mesmo atos que sejam contrários à Constituição, à democracia e às leis.

P. Quando o senhor criticou essas palavras no seu Twitter falou de fascismo inclusive.
R. Eu sou muito cuidadoso quando falo. Eu disse que havia um certo cheiro de fascismo. Porque o fascismo supõe uma doutrina, uma organização, uma visão autoritária da sociedade. Eu não creio que eles tenham isso. Eles têm expressões autoritárias. O fascismo é uma coisa mais orgânica e não acho que no Brasil tenha algum partido com uma doutrina propriamente fascista. E se tiver, eu espero que perca. Eu serei contra.

P. Mas o senhor não acha possível que a democracia fique deturpada, em uma situação como uma espécie de Venezuela de direita?
R. Um autor americano, Levitsky [Steven] tem um livro interessante sobre como as democracias morrem. E hoje em dia elas morrem dessa maneira, não é preciso um golpe, mas que você deturpe as instituições. Eu tenho repetido uma frase que atribuo ao Sérgio Buarque de Hollanda, ainda que não sei bem se era dele: a democracia é uma planta tenra que precisa ser regada todo dia. A democracia não é dada para sempre. Agora está em perigo porque as sociedades e as formas de relação entre as pessoas mudaram muito. Você tem que prestar atenção, pode acontecer uma mudança antidemocrática, mas nós devemos lutar para que isso não ocorra.

P. O mundo está se perguntando como o Brasil, depois de mais de três décadas de democracia, pôde votar em um político como Bolsonaro, com o seu histórico de homofobia, de apologista da tortura e da ditadura...
R. Olha, como foi possível alguém votar no presidente Trump ? O que aconteceu no Brasil e em algumas sociedades, isso que é perigoso porque pode até distorcer a democracia. No Brasil estamos saindo de uma recessão que durou muito tempo, com o desemprego aumentando. Além disso, você tem uma política de definição de "nós" e "eles". E isso veio também do PT, que separou assim o mundo, um pouco retoricamente, porque não houve nunca no PT um movimento concreto contra a democracia nesse sentido, mas sim esse sentimento. Mais ainda, o Brasil tem o crime organizado, violência nas ruas. Então a sociedade ficou um pouco atemorizada. E quando as pessoas têm medo, às vezes têm raiva também. O voto no Bolsonaro não expressa um sentimento diretamente antidemocrático. Expressa a ilusão de que alguém que vem impor a ordem, seja como for, vai melhorar a situação. Não apostaram em alguém considerado, por quem votou nele, como antidemocrático, mas como alguém capaz de por fim a essa situação de desorganização. Esse é o fenômeno. Pode derivar em alguma coisa contra a democracia? Sempre pode. Vai derivar? Se depender de mim ou de outros que pensam como eu, não.

P. Muitas pessoas esperavam do senhor um aceno para a candidatura do Haddad, ou mesmo que a apoiasse, apesar de suas diferenças, como defesa da democracia frente ao autoritarismo. Por que o senhor não o fez?
R. Isso foi o que o PT disse, que o que estava em risco era a democracia. Se eu achasse que havia realmente esse risco, até entenderia. Mas o PT sempre fez isso. Por exemplo, sempre me chamou de neoliberal, nunca aceitou que o equilíbrio fiscal é necessidade de bom governo. E o PT sempre se aliou com todo tipo de pessoas e partidos de direita, mas não por ser de direita, por serem fisiológicos, ostentados pelas benesses do poder. Eu não concordo com isso nem tampouco com o programa econômico proposto, que era uma repetição dos vícios que levaram a esta situação [atual da economia] com a presidente Rousseff. Por que eu estou obrigado no segundo turno a escolher entre dois caminhos com os quais eu não estou de acordo, se eu não estou achando que um deles, o do Bolsonaro, vai nos levar necessariamente para um regime não democrático? Eu expressei claramente, diversas vezes, que eu não votaria no Bolsonaro. Eu votei no candidato de meu partido. Perdeu a eleição, por diversas razões, algumas são de responsabilidade do próprio PSDB. Mas isso não me levou a pensar que, já que nós perdemos, a única salvação era... Por que a única salvação? A democracia tem rotatividade. Se for evitar a rotatividade, impedir eleição ou tomar medidas contrárias ao sentimento democrático, eu vou me opor. Os militares? Seguem na Constituição. Alguns se candidataram, mas pediram o voto, não puxaram a espada. Eu não achei que fosse o caso de que, porque houvesse um candidato contra o qual eu sou, apostar no outro, com o qual eu também não concordo. Se fosse escolher pessoas, não teria problema para mim. Eu tenho relações pessoais boas com o Haddad. Não é isso. É o que representa. Representa uma visão da economia e da sociedade que tampouco coincide com o que eu penso.

P. Além dessas diferenças o senhor não acha que o PT é um partido democrático e com o Bolsonaro, no mínimo, há dúvidas?
R. O Bolsonaro não tem partido e no momento isso impede que ele possa se transformar em um autoritarismo organizado...

P. Mas tem 52 deputados, a segunda bancada.
R. O que é que são 52 deputados? 11% da Câmara, nada. Esse é um dos problemas que nós temos. A Câmara tem hoje, eu não sei exatamente, mais de 25 partidos...

P. ...Trinta.
R. Trinta, imagina!. Pobre de quem for presidente. Não existem 30 posições políticas e ideológicas no mundo. Infelizmente quase todos os partidos foram se transformando em corporações, grupos de deputados que se juntam para ter acesso aos fundos públicos, para financiar as campanhas, ter tempo de televisão e negociar posições no governo. Eu não sei o que significam essas três letrinhas: P,S, L. Social liberal não sei o que quer dizer. É nada, são letras. Essa sopa de letras é dramática.

P. O Haddad conversou com o senhor, pediu seu apoio?
R. Eu conheço o Haddad há alguns anos. Em vários momentos em que havia tensão grande entre o PT e o PSDB eu fui visitá-lo, fomos juntos uma vez a um teatro para mostrar que, de meu ponto de vista, democracia não implica que você fica inimigo de quem está no governo. Quando ele passou para o segundo turno ele teve uma conversa correta comigo. Mas naquele momento o PSDB tinha candidatos aos governos de São Paulo e do Rio Grande do Sul. E uma coisa é você como cidadão ou como intelectual gostar ou não gostar, apoiar ou não, e outra coisa é um líder político. Um líder político está discutindo o poder: o que é que você dá ao meu partido se eu der apoio ao seu? Isso nunca foi nem colocado. O PT nunca tentou se aproximar do PSDB em termos políticos, só em termos de ganhar a eleição.

P. O que teria sido uma negociação adequada dos pontos em comum do PT e do PSDB?
R. O PT disse o tempo todo que o PSDB era um partido de direita, neoliberal, que estava vendendo o patrimônio nacional a custe de banana... a vida inteira. Quando as pessoas estão morrendo afogadas, pedem a mão para te puxar e morrer junto.

P. O senhor acha que se tivesse emprestado seu capital político nesse momento, o Haddad teria chance?
R. As pessoas estão tomando as decisões por conta própria, a palavra dos líderes vale pouco. Essa é a grande mudança que está ocorrendo na sociedade contemporânea. Agora,com o celular, cada um se comunica com o outro e forma sua opinião. A capacidade que a liderança tem de influir na opinião é pequena. Quando a liderança coincide com um sentimento que se espalha, aí parece que a liderança liderou. Não liderou, é uma onda que se forma. O Bolsonaro veio no âmbito de uma onda, como se fosse uma folha seca no ar que vai com o vento. Não é porque a folha existiu que houve o apoio a ele, foi uma reação contra o que está havendo no Brasil que, por acaso, pegaram A, B ou C. Essa é uma questão que nós temos que pensar com profundidade. Como é que vamos manter a liberdade, as regras do jogo, respeito à lei, em uma sociedade em que as pessoas se conectam umas com as outras. As instituições políticas foram formadas em uma época diferente a esta. E não sabemos muito bem o que fazer. As pessoas dizem: "ah, se você falar...". Se eu falar, não acontece nada, ou muito pouco.

P. O senhor escreveu em um artigo que este é um momento em que é preciso restabelecer a verdade [ele fala em restabelecer a confiança, e os fios que conectam as instituições políticas com a sociedade]. O que é que o senhor enxerga como restabelecer a verdade, agora com esta avalanche de notícias falsas?
R. Se eu soubesse disso, eu ia patentear e ia ficar milionário. Ninguém sabe. Esse é o desafio da democracia. Com tanta informação que circula tão rapidamente, falsa ou verdadeira, como é que você faz? Alguns falam de impor a ordem. Como? Só com ditadura, proibindo a comunicação. As pessoas vão ter que aprender com o tempo a discernir, a ver as várias versões. Eu não sou dos que acham que a imprensa e os livros não têm mais importância. Têm. O que é preciso é ter quadros de referência. Vai levar um tempo para as pessoas aprenderem a usar melhor essa informação fragmentada que chega pelo celular. Mas a verdade não existe. Eu nunca disse assim essa expressão, restabelecer a verdade. Eu acho que você pode ter várias versões e se aproximar mais do que aconteceu. Estamos mudando de era, é uma coisa forte, e ainda não sabemos lidar com a comunicação imediata e instantânea de todos com todos. A chave para mim é ganhar a confiança. No Brasil houve uma quebra de confiança porque a Lava Jato mostrou as bases do poder, que eram podres. E as pessoas perderam a confiança, estão tentando se agarrar a uma tábua de salvação.

P. A gente está vivendo algumas coisas um pouco assustadoras que o próprio presidente estimula, como filmar professores, a escola sem partido. Isso já está acontecendo.
R. Eu sei, sou contra.

P. O senhor acha que a sociedade brasileira é forte suficiente para rechaçar isso?
R. Nenhuma sociedade é forte o suficiente de antemão. A Alemanha era muito forte, muito culta e avançada, e deu Hitler. A democracia tem que ser cuidada sempre e devemos contra-atacar essas coisas. Mas de momento ele nem tomou posse. Deixa ele tomar posse, vamos ver o que ele vai fazer, se vai nomear gente boa... Governar é difícil. Quem nunca governou pensa que é fácil. Eu torço pelo Brasil dar certo. A mídia está levando o presidente eleito a dizer que ele respeita a Constituição. Isso é um mecanismo já de contenção, é importante. Para a política não importa o que ele pensa, importa o que ele vai fazer. As palavras só se transformam verdadeiramente em um risco quando elas viram ato.

P. O que o senhor acha da decisão do juiz Moro de aceitar um superministério?
R. Ele arrisca bastante. Primeiro tem que deixar de ser juiz. Talvez a motivação dele foi dar continuidade ao que ele estava fazendo. Se isso vai ser bom ou mau, vamos ver daqui a pouco. O PT já está dizendo que ele jogou sempre porque queria tal coisa. Eu não faço isso, porque eu não julgo a intenção.

P. Mas não é como a mulher do Cesar? Não só tem que ser, tem que parecer...
R. Eu acho que sim, é importante parecer. É arriscado. Agora, eu não quero julgar, vou supor que foi porque ele acredita que na sua posição vai ter mais espaço para atuar do jeito que ele sempre atuou. Se ele conseguir, eu acho que é bom continuar havendo um processo de apuração. Nunca houve no Brasil tanta gente rica e poderosa na cadeia. Vamos ver se Moro tem a virtude para, sem perseguir ninguém, melhorar as instituições.

P. Mas o próprio Moro, não há muito tempo, falou que ele nunca iria para a política porque isso colocaria sob suspeita o seu trabalho na Lava Jato. Não tem esse perigo?
R. Esse perigo tem, e o que o PT está fazendo é colocar sob suspeita. Ele respondeu agora que não entrou para a política, que entrou para uma função pública. É um jogo. Ele arrisca. Vamos torcer para que esse risco seja para o melhor, não para o pior.

P. O tsunami que tomou a política no Brasil também teve consequências para seu partido. Tem pessoas do PSDB que querem apoiar o Bolsonaro. O governador eleito de São Paulo se atrelou imediatamente. O que é que o senhor está enxergando para seu partido?
R. Como todos os demais partidos, o PSDB também sofreu o tsunami, ele não está isento das críticas que outros partidos assumiram por ter se envolvido em processos de manipulação de dinheiros públicos. Isso abala o prestígio. Eu sou presidente de honra, mas não atuo nos níveis de decisão. Posso ter influência, que é diferente de poder. A executiva do PSDB tomou a decisão de manter-se neutro no segundo turno. Eu preferi uma neutralidade que não implicasse o apoio a ninguém. Alguns governadores, por questões eleitorais, apoiaram o Bolsonaro. Eu claramente não. Muitos no meu partido ficaram inquietos com a minha posição, achando que isso prejudicaria a votação, o que talvez seja verdade. Mas eu acho que o político tem que ter convicção, valores, não acho que o importante é só ganhar.

P. O senhor acha que as pessoas no PSDB têm hoje as convicções e os valores nos quais o senhor acredita?
R. Não. Em nenhum partido. Eu não acho que as pessoas do PT tenham as convicções originárias do PT. Tudo está muito confuso. Nem sei se os valores nos quais eu acredito e o PSDB foi formado são contemporâneos, a política muda muito de pressa.

P. A política muda, mas os valores não.
R. Eles não mudam mas se adequam. O PSDB, como os demais partidos, estão flutuando e já não representam uma posição nítida, nem são expressão de uma camada nítida da sociedade, porque tem muita mobilidade social, muita fragmentação das novas profissões... A polarização esquerda-direita só é inteligível para quem tem uma certa intelectualidade, as pessoas querem coisas mais concretas. O PSDB, como qualquer outro partido, vai ter que se adequar a esse novo momento da história. Se não se adequar, vai perder o controle das situações de poder. Eu sei que estou falando coisas vagas, mas eu não tenho como saber o que vai acontecer no futuro. No Brasil temos que procurar formas de expressão política que preservem a liberdade. As desigualdades sociais no país são imensas e elas desapareceram da discussão política. Os problemas de longo prazo sumiram da discussão. Tudo é: "eu gosto, não gosto, odeio, não odeio". É um momento de exacerbação.

P. E agora no próximo governo?
R. O governo tem que ter algum grau de eficácia. Como é que você vai atuar com 30 partidos? Alguém vai ter que falar em nome -vou usar uma palavra antiga- do interesse comum.

P. O senhor está mais no sentido de se dar o benefício da dúvida.
R. Não é uma dúvida parada, é uma dúvida ativa. Eu tenho lado, e o meu lado não é o do autoritarismo.

P. Mas quando o Bolsonaro tiver que lidar com esse Congresso, se ele achar que está atrapalhando seu governo, ele não pode ficar com a tentação de procurar algum atalho?
R. Para isso, é preciso ter apoio da sociedade e das Forças Armadas. Eu não acho que isso seja fácil de obter no Brasil. A sociedade se habituou com a liberdade. E as Forças Armadas mudaram muito.

P. O Brasil teve desde a redemocratização muitos mais governos progressistas. Na véspera do segundo turno, Bolsonaro falou algo na linha: "O Brasil somos nós, o Brasil é conservador". Qual é a verdade? O país mudou tudo isso?
R. Mudou muita coisa mas não a necessidade de você entender que as carências da população são muito grandes. Ser conservador não implica você ser cego. O Brasil continua sendo um pais com muita desigualdade. Isso não se resolve do dia para a noite...

P. ... Mas a fórmula econômica dele...
R. Qual é a fórmula econômica dele? Será que ele sabe?

P. A do Paulo Guedes.
R. Eu não conheço Paulo Guedes e não vou falar de quem não conheço. Mas eu sei que ele nunca sentou em uma cadeira de poder, nunca tomou decisões públicas. Eu não sei qual vai ser o conceito do ponto de vista econômico. Ultraliberal? Olha, vai experimentar o ultraliberalismo no Brasil? [risos] Vamos ver o que acontece?. Eu não creio que eles tenham uma ideia consistente, concreta, a não ser valores abstratos...

P. Ele fala de privatização, reforma da Previdência...
R. Qual reforma da Previdência? O que fazer com os militares, por exemplo? Tem que mudar, mas não dá para mudar tudo de uma vez. O que vai privatizar, a Petrobras? Tem coisas que são privatizáveis... mas o governo vai vender a maioria das ações? Isso vai ser apoiado pela sociedade, pelo Congresso? Eu não sei se isso é o que ele quer. Tudo isso é muito mais complicado que formular. O tsunami no Brasil destruiu – e eu não estou defendendo que não destruísse – as lideranças tradicionais, me incluo nelas. Não tem importância, cada um tem seu momento, muito bem. Mas agora a nova tem que aprender. E não se sabe muito bem o que é que essa nova é na prática.

Como eu não sou pessimista e torço pelo Brasil, eu espero que acertem. Eu já expressei minhas dúvidas por razões político-filosóficas. Mas o que vou fazer? O que é que nós vamos fazer como oposição? O PT foi contra tudo no meu governo, foi contra aumento de salário de professor. Será que a sociedade brasileira que tem mais informação vai aceitar uma atitude totalmente negativista? Não é a minha. Eu acho que é preciso distinguir o que é de interesse real da população e o que é de interesse político. Talvez nesta época a razão tenha menos importância do que o impulso, do que a emoção. Mas eu sou de outra época, ainda procuro ser razoável, dar argumento, por que faço, por que não faço. Talvez seja antiquado. Mas a esta altura da vida para mim pessoalmente tanto faz como tanto fez, vou manter minha visão.

P. Viralizou um vídeo do senhor que tudo leva a crer que votou 13 e 40.
R. Tudo leva a crer de que maneira? Eu voto em cabina secreta. Então, adivinhando a movimentação de meus dedos? Como é que eu não diria se votasse 13 e 40?

P. O senhor votou?
R. Votei. Eu tenho 87 anos, há muitos anos que eu não sou obrigado a votar. Mas eu fui lá a pé e votei.

P. O senhor votou 13 e 40?
R. Pois imagina, não! Nem estou de um lado nem de outro, como é que eu vou votar 13 e 40?

P. Era a primeira vez que votou branco?
R. Nem me lembro, votei tantas vezes na vida... Mas eu não tenho por que não dizer, qual é a vantagem? Eu costumo dizer o que eu penso, erro com muita frequência até porque eu falo demais.

P. Votou no Doria?
R. No Doria votei, claro.

P. Só para presidente votou nulo.
R. Você está tirando essa conclusão... você me viu votar? [risos]

Não tem guinada à direita no PSDB, diz Alckmin


Para o tucano, partido é de 'centro, reformista, moderno, liberal em economia'

Geraldo Alckmin

Presidente nacional do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin disse que o partido não passa por processo de guinada à direita.

"Não há guinada à direita. O PSDB é um partido de centro. É importante para o Brasil ter um partido longe dos extremos. Um partido de centro crítico, reformista, moderno, liberal em economia", disse ele.

Alckmin disse que os tucanos farão um congresso nacional, provavelmente em maio, para discutir o futuro da sigla.

O ex-governador esteve na noite desta segunda (12) no lançamento de livro do ministro do STF Gilmar Mendes, em São Paulo.

Pouco depois de Alckmin ter ido embora, o senador José Serra, outro nome histórico do partido, chegou ao evento.

Serra afirmou a jornalistas que não faz mais sentido ficar discutindo classificações como esquerda e direita.

"Isso não é problema. O problema é trabalhar direito, de maneira positiva para o país. Não se trata de fazer oposição a priori. Trata-se apenas de votar nas coisas que consideramos importantes e não aceitar as coisas que consideramos ruins."

Secretário de Covas vai para 'supersecretaria' criada por Doria


Governador eleito vai anunciar nesta terça-feira, 13, o nome do engenheiro civil Marcos Penido para comandar pasta resultante da fusão do Meio Ambiente, Saneamento e Energia

Pedro Venceslau e Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo

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O engenheiro civil Marcos Penido, secretário das Prefeituras Regionais, vai integrar o secretariado do governador eleito João Doria (PSDB)

O governador eleito, João Doria, vai anunciar nesta terça-feira, 13, o nome do engenheiro civil Marcos Penido para seu secretariado. Ele deve comandar uma “superpasta” resultante da fusão do Meio Ambiente, Saneamento e Energia.

Doria tem dito que pretende reduzir o número de secretarias do governo – hoje são 25 –, mas ainda não anunciou qual será o tamanho da sua equipe. 

Para assumir o cargo, Penido vai deixar o comando da Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais. Antes, ele foi secretário municipal de Serviços e Obras. Outro secretário de Bruno Covas que deve migrar da Prefeitura para o governo estadual é Filipe Sabará, atual titular da secretaria de Assistência Social da Prefeitura.

Doria anunciou ainda o primeiro nome tucano de seu secretariado. A deputada estadual Célia Leão (PSDB) será secretária da Pessoa com Deficiência a partir de 2019. Além dela, que está no sétimo mandato na Assembleia Legislativa, Doria anunciou que o desembargador Paulo Dimas, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, será o secretário de Justiça.

Vinte e quatro anos depois de o PSDB chegar ao poder em São Paulo, o governador eleito está montando sua equipe sem consultar o partido, que já está fora dos principais cargos políticos do Palácio dos Bandeirantes. 

O PSDB deixará de comandar a partir de 2019 pastas estratégicas como a Casa Civil, que terá como titular Gilberto Kassab (PSD), e a Secretaria de Governo, que terá suas atribuições absorvidas por Rodrigo Garcia (DEM).

Guerra ideológica de Bolsonaro incomoda até políticos conservadores


Partidos dispostos a apoiar governo temem gasto de energia com exageros

Bruno Boghossian - Folha.com

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Não foram poucas as ocasiões em que Jair Bolsonaro disse que "a questão ideológica é tão ou mais grave que a corrupção". Parecia um exagero retórico para alimentar o antipetismo que o empurrou para a vitória nas urnas. Passada a campanha, aliados do presidente eleito ainda levam a máxima ao pé da letra.

Eduardo Bolsonaro acha razoável prender até 100 mil pessoas ligadas a movimentos sociais. Defende substituições em massa no corpo diplomático para se livrar do "marxismo" do Itamaraty. Também considera importante aprovar uma lei que torne crime o comunismo.

O tom que o filho do presidente eleito adotou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo incomodou até políticos conservadores. Dirigentes de partidos dispostos a apoiar as pautas do próximo governo temem que a equipe de Bolsonaro perca tempo e gaste energia à toa com sua guerra ideológica.

Embora a agenda de direita tenha aderência no Congresso que tomará posse em 2019, as tintas usadas por personagens como Eduardo costumam aborrecer potenciais aliados.

Para esses caciques, a eleição de Bolsonaro é uma oportunidade para aprovar a redução da maioridade penal e a flexibilização da posse de armas, por exemplo. Levar para a cadeia quem usa boné do MST, jogar o PC do B na ilegalidade e caçar embaixadores prestigiados está longe de ser uma prioridade.

O principal receio é que a overdose conservadora atrapalhe as articulações em torno da pauta econômica. Bolsonaro encontrará um Congresso menos refratário ao corte de despesas e à reforma da Previdência. Ruídos em outras áreas podem criar um congestionamento indesejado.

Líderes partidários dizem que a cruzada de Eduardo e companhia é só marketing, mas ele parece disposto a tentar vender seu produto. "Um dos papéis dos parlamentares é [...] usar sua posição de destaque, de ser um representante de parcela da sociedade, para falar dos perigos do comunismo. Assim como falo do câncer de próstata", declarou.


*Bruno Boghossian - Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).

Covas prepara troca de secretários e 'início' de gestão com suas características


Filipe Sabará (Assistência Social) e Wilson Poit (Desestatização) deixam a Prefeitura de SP

Guilherme Seto - Folha.com

Prefeito de São Paulo, Bruno Covas, no Edifício Matarazzo, sede da prefeitura 
Foto: Lucas Lima

A vitória de João Doria (PSDB) em sua campanha para governador do estado marcou para o tucano Bruno Covas o início de um mandato inteiramente seu à frente da Prefeitura de São Paulo. Vice de Doria no município, ele herdou o cargo em abril após a saída do titular para disputar as eleições.

Covas, então, promoverá uma reforma nas secretarias da prefeitura, com a ideia de trocar diversos nomes e mesclar algumas pastas. A Prefeitura de São Paulo deve perder progressivamente as feições empresariais que ganhou com Doria para dar lugar a políticos. Dessa forma, Covas contempla o meio político no qual se criou e já começa a estabelecer relações tendo a reeleição em vista.

De saída, dois secretários próximos a Doria deixarão a gestão municipal: Filipe Sabará, de Assistência Social, que assumirá cargo no governo do estado (ainda não se sabe se como secretário ou como CEO de Assistência Social); e Wilson Poit, de Desestatização, que não aceitou convite do futuro governador para participar da administração estadual em pasta similar. Suas saídas serão anunciadas nesta segunda-feira (12).

Secretário da Casa Civil, o vereador Eduardo Tuma (PSDB) disputará a posição de presidente da Câmara Municipal e tem amplo favoritismo na disputa com Fernando Holiday (DEM). Dessa forma, também deixará seu cargo no final do ano.

O secretário de Comunicação Fábio Santos também deve deixar o posto para tocar projetos pessoais. Ele foi convidado para participar da estratégia de comunicação do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas não deve aceitar.

Covas ainda estuda nomes para todas essas pastas, e divide sua atenção em duas frentes. Por um lado, procura nomes de jovens tucanos, já que ele tem utilizado o mandato para promover novas lideranças no PSDB. Por outro, planeja conversar com membros de sua base aliada para fortalecer suas relações políticas para a eleição de 2020.

Seguindo tendência evidenciada nas recentes eleições, o prefeito também quer reduzir secretarias para diminuir gastos e desburocratizar processos. Uma das pastas na mira é a de Desestatização.

Doria anuncia ex-presidente do TJ para a pasta da Justiça e deputada tucana para a Secretaria das Pessoas com Deficiência


Desembargador Paulo Dimas, 63 anos, também foi promotor. Deputada Célia Leão é a primeira tucana a compor o secretariado.

G1 

Paulo Dimas é anunciado secretário da Justiça e Célia, secretária das pessoas com deficiência 
Foto: Tahiane Stochero/G1

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (12) o nome do ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo Paulo Dimas Mascaretti como futuro secretário de Justiça do estado e a deputada estadual Célia Leão (PSDB) para a Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

O desembargador Dimas, de 63 anos, foi promotor e juiz e graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1977.

Ingressou no Ministério Público, em 1979, atuando em cidades do interior de São Paulo, como São Vicente e Cubatão, e na capital (promotorias de Santo Amaro, Itaquera e Equipe de repressão a roubos e extorsões do MP).

Em 1983, passou a atuar na magistratura, tendo exercido a função de juiz nas comarcas de Santos, São Luiz do Paraitinga, Itanhaém, Barueri e São Paulo. Foi promovido por merecimento a desembargador em 2005, encerrando a carreira à frente da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2016 e 2017.

A paulistana Célia Leão é deputada estadual pelo PSDB, está em seu sétimo mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ficou paraplégica aos 19 anos de idade, em decorrência de um acidente de automóvel. Ela é a primeira tucana a ser anunciada para o secretariado de Doria.

'Não creio que ele mesmo saiba' o que vai fazer, diz FHC sobre Bolsonaro


Em entrevista a jornal argentino, ex-presidente comentou governo eleito e disse que Moro deve ser 'garantia de proteção à democracia'

O Estado de S.Paulo


O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso 

Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que ainda não há clareza sobre as prioridades no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Ele ainda afirmou que a confirmação do juiz federal Sérgio Moro como ministro da Justiça é uma garantia de proteção à democracia – mas também uma aposta arriscada, devido à inexperiência do juiz na administração pública. 

"Não se sabe exatamente o que ele (Bolsonaro) vai fazer. Não creio que ele mesmo saiba", afirmou Fernando Henrique. O ex-presidente também comentou as razões para a ascensão de Bolsonaro ao poder. "Insegurança das pessoas, condições econômicas ruins, desemprego e a revolução industrial das redes sociais, dão como resultado medo, um sentimento de quase ódio aos que estão no poder, ao PT especialmente, isso foi servido de bandeja para o fenômeno Bolsonaro."

Perguntado se a indicação de Moro para o ministério da Justiça serviria como garantia de proteção da democracia, FHC concordou e classificou a nomeação como "arriscada". "É arriscada porque ele nunca foi ministro. Mas creio que aceitou porque pensa que pode influenciar (o novo governo). Tomara que consiga", disse Fernando Henrique.

Ele também rejeitou o rótulo de "fascista" atribuído pela oposição a Bolsonaro, mas argumentou que o presidente eleito representa um tipo de autoritarismo diferente, ainda indefinido. Fernando Henrique disse também que defenderia "freios" a qualquer suspeita de ameaça a liberdades e direitos individuais. 

"O fascismo é algo organizado, com uma visão corporativa da sociedade, com um só partido, e ele é outra coisa", disse. "(Bolsonaro) representa um autoritarismo que pode ter uma base ideológico de qualquer tipo. Tem expressões autoritárias mas, se elas vão se materializar, ainda não sabemos."

Na área de política internacional, Fernando Henrique deu a entender que não acredita em mudanças drásticas. Bolsonaro indicou que sua primeira viagem ao exterior após a posse deve ser ao Chile, quebrando uma tradição de prioridade para visitas à Argentina. O gesto foi minimizado pelo ex-presidente.

"A Argentina é um cliente importante para o Brasil como é a China, os Estados Unidos e a Europa. Não podemos escolher por gosto próprio, temos que levar em conta os acordos", disse. "O equilíbrio do cone sul depende muito de uma boa relação entre Brasil e Argentina."

Senado articula barrar Escola sem Partido e ‘agenda da bala’


Até parlamentares de PT e PSDB admitem se alinhar na votação dos projetos

Amanda Almeida - O Globo

 
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa 
Foto: Jonas Pereira / Jonas Pereira/Agência Senado

Com a perspectiva de um novo governo patrocinando projetos polêmicos — como a liberação do porte de armas , o enquadramento de movimentos sociais na Lei Antiterrorismo e oEscola sem Partido —, parlamentares de diferentes partidos se articulam para tentar fazer do Senado a “casa do equilíbrio” da República. Temendo a radicalização nessas pautas, até senadores de PT e PSDB admitem se alinhar na votação dos projetos.

As costuras passam pela escolha do presidente do Senado, no ano que vem. Diferentes lideranças defendem um senador de perfil moderado, sem alinhamento direto com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas que não faça parte da oposição a ele. Por trás desse discurso, a articulação é para chegar a um nome com força para pôr freio a eventuais extremismos na agenda do governo que provoquem tensionamentos sociais.

— Há muitos senadores novos cuja opinião não conhecemos, mas o consenso entre os partidos é a favor de uma Casa moderada, que não faça oposição sistemática. O governo foi eleito e o Brasil tem de ir para frente. Tudo aquilo que for de interesse do país, vamos votar a favor. Mas, também agiremos para que questões mais radicais sejam contidas aqui e a gente mantenha o equilíbrio — diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Assessores dos partidos na Casa calculam que, entre os 81 senadores, Bolsonaro tem, por ora, uma bancada de cerca de 20 parlamentares de partidos como o PSL, PSC, PTB e Podemos alinhados a ele. A tentativa da legenda do presidente eleito é aumentar esse número.

A intenção das lideranças que defendem a necessidade de ter um Senado capaz de barrar radicalismos é formar maioria junto com a “oposição ferrenha” a Bolsonaro, e com senadores independentes, que admitem apoiar o presidente eleito em parte da agenda econômica, mas não os projetos considerados conservadores.